4 distúrbios alimentares que podem surgir na infância

Os distúrbios alimentares podem surgir na infância e se agravar anos mais tarde. Saiba reconhecer os sinais para proteger o seu filho.

Aumenta o número de crianças e adolescentes que adotam medidas pouco saudáveis para manter o peso. O bom hábito alimentar da família ajuda a prevenir possíveis problemas.
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Se você está sempre de olho na balança por temer que o seu filho se torne obeso, saiba que as preocupações com a alimentação dele deveriam ir muito além disso. Uma pesquisa realizada em 2013 pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que 12,5% dos adolescentes avaliados, num universo de 1167 estudantes de escolas técnicas de São Paulo, apresentavam algum tipo de comportamento de risco, com potencial para se transformar num transtorno alimentar. E um número bem maior, 31,9%, fazia uso de práticas não saudáveis para controlar o peso, como pular refeições, comer pouco, tomar remédios ou fumar.

As pesquisas sobre esse tipo de desordem em crianças ainda são novidade, mas a experiência em consultório aponta para uma tendência crescente de distúrbios alimentares – nem todos graves, é claro. “Estima-se que entre 20 e 40% das crianças em fase de crescimento sofram algum tipo de alteração do padrão alimentar”, afirma a endocrinologista Roberta Pacini.

Os distúrbios mais comuns

“Como transtorno alimentar entendem-se os desvios de comportamento que podem levar ao emagrecimento extremo ou à obesidade, entre outros problemas físicos”, conta Roberta. Alguns surgem na infância e se intensificam na adolescência. “Nessa fase, as mudanças hormonais podem desregular o organismo. Além disso, o indivíduo quer um corpo padrão para ser aceito pelo grupo”, diz a nutricionista Inty Davidson, de São Paulo. Veja quais são os males mais frequentes e como combatê-los.

Seletividade

Costuma afetar os bebês e se agrava depois que eles aprendem a falar. As escolhas alimentares infantis começam com a introdução dos alimentos, entre 4 e 7 meses, por meio do que é oferecido pelos pais. Eles geralmente acham que as caretas do filho significam rejeição – quando se trata apenas de um estranhamento – e não oferecem mais o alimento. Isso é um erro porque a variedade é importante para prevenir a seletividade. “Pela falta de opções, ou por outros motivos, que podem ser emocionais, a criança elege um ou dois itens como fonte de alimentação, como leite e biscoito, ou excluem grupos alimentares da dieta, como as frutas”, descreve Inty. “É claro que qualquer pessoa tem o direito de não gostar de um legume, por exemplo, mas os pais não devem aceitar que a criança deixe de consumir um grupo alimentar”, diz a especialista. Se o pequeno estiver comendo seletivamente, mas, ainda assim, consumir uma dieta nutritiva e variada, tudo bem. Agora, se a restrição é grande, ela pode prejudicar o crescimento e o desenvolvimento mental.

Bulimia

O aspecto central dessa doença nervosa é a compulsão alimentar, ou seja, a ingestão de uma grande quantidade de comida num curto intervalo de tempo. “O comportamento é seguido pelo vômito forçado ou pelo uso de laxantes”, diz a nutricionista Juliana Rossi Di Croci, de São Paulo. Isso acontece em média duas vezes por semana. “Em outros casos, a pessoa tenta compensar com jejum ou prática excessiva de exercícios”, completa. Esse processo resulta em ossos e dentes frágeis, vasos sanguíneos dilatados e problemas digestivos. O peso pode estar dentro dos valores normais ou até um pouco acima. Tende a aparecer a partir dos 12 anos.

Anorexia nervosa

O indivíduo que tem esse transtorno se recusa a manter um peso mínimo aceitável para a idade. “Ocorre uma perda excessiva de quilos, acompanhada de um medo exagerado de engordar”, informa Juliana. A pessoa passa a induzir o vômito e a usar diuréticos e laxantes para eliminar o que julga ter comido demais. As consequências são suspensão da menstruação, anemia, perda da massa óssea e, em casos mais graves, até a morte. O distúrbio pode aparecer em crianças com mais de 7 anos, porém os picos de incidência estão entre 14 e 17 anos.

Transtorno de compulsão alimentar periódica

Assim como a bulimia, caracteriza-se pelo consumo excessivo de alimentos num curto período de tempo. A pessoa come até se sentir incomodada, algumas vezes se esconde nesse momento, por vergonha da quantidade consumida. Ao contrário da bulimia, não há indução do vômito ou ingestão de laxantes, mas um sentimento de depressão. Está associado à obesidade e a males como diabetes. É mais comum em adultos, mas pode surgir na adolescência.

Sinais de alerta

A criança e, principalmente, o adolescente dão algumas pistas de que algo não vai bem com a rotina alimentar. Se notar duas ou mais destas alterações, está na hora de levá-lo ao médico!

· Emagrecimento extremo.
· Perda de apetite.
· Cuidado excessivo com a alimentação, como verificar o rótulo dos alimentos para saber quantas calorias eles fornecem.
· Arrumar desculpa para não almoçar ou jantar dizendo, por exemplo, que comeu alguma coisinha na rua.
· Fazer longos períodos de jejum.
· Procurar comer sozinho para não ser controlado pelos pais.
· Monotonia alimentar, ou seja, sempre ingerir o mesmo tipo de comida.
· Isolamento.
· Alterações de humor e agressividade.
· Excesso de exercício físico.
· Atitudes exageradamente críticas com relação à imagem.
· Idas frequentes ao banheiro durante ou após as refeições, o que pode acusar o uso de laxantes.
· Aumento do consumo de alimentos, principalmente em momentos de expectativa ou stress, como antes de uma prova na escola ou de uma viagem.