Brincar é atribuir significado ao mundo

Brincar é a coisa mais natural e saudável que uma criança pode fazer. É também fundamental ao estimular o processo de aprendizagem

As brincadeiras funcionam como um laboratório de aprendizagem, que permite à criança imaginar, criar, trabalhar valores
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Um pedaço de madeira pode ser um carrinho ou um cavalo, o papel dobrado se torna avião ou barquinho. No universo infantil tudo é possível, porque brincar é atribuir significado ao mundo. Essa vivência lúdica, porém, vai muito além de um passatempo – na verdade, é parte fundamental do processo de aprendizagem. “Através da brincadeira os pequenos constroem seus processos mentais, desenvolvem habilidades, sentem-se estimulados ao convívio social, conseguem discernir e formar conceitos de tamanho, ordem, cores, espessura e textura. A criança que brinca é convidada a compreender valores e diferenciar papéis dentro da sua cultura”, explica a pedagoga Isabel Cristina de Paula. “A fantasia e a imaginação proporcionam trocas simbólicas”, afirma a pedagoga Marineide de Oliveira Gomes. E o ato de educar é feito principalmente por meio de símbolos, isto é, representações de objetos e situações fáceis de compreender para transmitir um conceito, um valor.

A participação dos adultos

A relação lúdica entre pais e filhos e professores e alunos é muito rica e, por vezes, mais gratificante do que a brincadeira em si. “É importante que, assim como os professores, também pais e familiares tenham o hábito de brincar com as crianças. Os momentos dedicados à liberdade de se divertir melhoram o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração, favorecem a autoconfiança e fortalecem laços familiares e vínculos afetivos”, explica a pedagoga Marli Inês Rodrigues.

Tempo para ser criança

Natação, curso de informática, de inglês, reforço escolar… Uma agenda lotada é a realidade de muitos baixinhos hoje. Quando não sobra tempo para brincar no meio disso tudo, surgem questões sérias. “Muitas crianças que têm problemas de relacionamento, indisciplina e desinteresse por estudar se sentem assim porque perderam, nos últimos tempos, o direito de serem crianças. Com tantas exigências, elas passaram a ser tratadas como adultos em miniatura”, lamenta a pedagoga Tânia Queiroz. “Essas obrigações precoces roubaram o direito de brincar, o que pode deixar marcas irreparáveis nas crianças. Isso porque elas são privadas de vivenciar situações que semeariam o respeito, a tolerância e a compreensão do outro e perdem a chance de exercitar valores como alegria, cooperação, confiança, regras, limites e responsabilidade”, conclui.