Como a Disney trata sobre diversidade e família em seus desenhos

Conversamos com Claudia Neufeld, diretora de marketing da Disney, para entender como os temas sociais estão presentes nos desenhos. E temos boas notícias!

Um casal formado por duas mães, uma negra e uma branca, tenta proteger sua família de um terremoto que balança a cidade. Não, não se trata de um enredo de uma produção da Netflix para jovens millennials. É a sinopse de um episódio de Dra. Brinquedos, desenho da Disney indicado para crianças em idade pré-escola (de 2 a 7 anos).

E, de novo, não, a temática central não era sobre casal lésbico inter-racial. O capítulo era para ensinar aos pequenos sobre segurança em situações de emergência. A família era…apenas uma família mesmo. “A Disney sempre teve um cuidado muito grande de tratar a inclusão e a diversidade no conteúdo, porque a gente sabe da importância disso no entendimento de vida criança, mas sempre de uma maneira muito natural”, explica Claudia Neufeld, diretora de marketing do The Walt Disney Company Brasil.

Claro que o episódio “Plano de Emergência” chamou atenção quando foi ao ar em 2017. Tiveram os pais que aplaudiram o tema ter sido tratado de forma bem natural, mas outros se sentiram incomodados. “Quando começamos a tratar esta questão de diversidade e inclusão gerou polêmica, claro. Houve quem criticasse o conteúdo, porque não era o que eles queriam num canal infantil pré-escolar. Já era esperado que tivéssemos rejeição, mas a Disney tem uma preocupação maior com as crianças e que de fato, a gente consiga retratar a maior diversidade possível”, explica Claudia.

“Não retratar estas formações familiares ou as necessidades especiais e diferenças faz com que algumas crianças não se enxerguem nestes conteúdos e se sintam alienadas da nossa sociedade. E a gente quer que todas cresçam educadas, com muito amor, se sentindo pertencente e entendendo que existem novas formas de família sim”, reforça a diretora.

Novas configurações familiares

O conceito de família, muito em discussão atualmente, inclusive, é o tema desta campanha do canal a cabo Disney Junior. que exemplifica as várias configurações familiares que as crianças podem vivenciar.

O vídeo reforça a ideia de que família é quem cria laços com você, quem te ajuda a entender o mundo e acolhe as dores. É com quem você pode contar, quem te ama e te auxilia. Limitar a definição apenas à formação estrutural de mãe, pai e filhos é excluir milhares de crianças que crescem em lares com novas configurações familiares, como avós criando netos, mães-solo, casais homoafetivos e lares adotivos. Este também é o tema da nova produção que estreia em julho na grade do Disney Junior.

Nivis: Amigos de Outro Mundo conta a história de uma família formada por avô, pai e filha, que precisa aprender a conviver em harmonia com uma família de extraterrestres que cai em sua casa. Vale contar que a produção envolve elenco brasileiro que interage com as animações em 3D.

A vez das heroínas

Outra quebra de conceitos que a Disney vem se empenhando é a da idealização de princesa, aquela salva pelo amor verdadeiro do príncipe, toda perfeitinha na torre. Criticada por ser uma figura emblemática do machismo embutido na sociedade, a empresa passou a encarar suas tradicionais princesas de outra maneira.

Com a campanha “Sou Princesa, sou real“, que já dura quatro anos, a marca apostou na força, liderança e sororidade como repaginação de sua clássicas princesas, agora heroínas. “Na verdade, este movimento já vinha acontecendo de transformá-las em figuras mais empoderadas, inclusive, podemos citar Moana, Frozen, Valente e até a Bela, que já tinha esta atitude forte. Não é de agora, mas a campanha veio pra reforçar esta comunicação”.

A Disney não se intimida com quem critica seu posicionamento de diversidade e é com este pano de fundo de naturalidade, que a empresa trabalha as temáticas sociais em suas produções. E não são poucas.

Numa sentada à frente da tv, conseguimos listar 7 programas e desenhos que trabalham assuntos como diversidade, sociabilidade, respeito às diferenças e novas configurações familiares. “São conteúdos elaborados e estudados pra melhor aceitação e entendimento desta faixa etária pré-escolar. Tem todo uma análise de conteúdo pensado para esta idade e se a forma de comunicar é compreendida”, explica a diretora de marketing.

Preste atenção nestes desenhos:

DRA. BRINQUEDOS

Primeira protagonista negra de desenhos, Dra. Brinquedos é sobre uma menina, filha de mãe médica, que cuida da saúde física e mental de seus brinquedos. “O conteúdo é produzido com a assessoria de muitos especialistas para trabalhar o desenvolvimento social e emocional das crianças. Ele ensina desde questões de higiene até respeito e inclusão, valores que são muito importantes reforçar para crianças pequenas”, explica Claudia.

VAMPIRINA

Uma família de vampiros se muda da Transilvânia para a Pensilvânia e a pequena Vampirina tenta se adequar aos costumes de seu novo lar. Por trás do panorama lúdico de monstros x humanos, os capítulos tratam de respeito à diversidade de culturas e raças, além da importância da sororidade. “A Vampirina muda de cidade, precisa fazer novos amigos, e quantas crianças não passam isso ao mudar de escola ou casa? O conteúdo trabalha momentos e desafios que as crianças passam em sua rotina”, conta a diretora.

PAPRIKA

Dois irmãos gêmeos que vivem numa ilha estão sempre buscando brincadeiras novas. O fato de Stan ser cadeirante é tratado com naturalidade e nunca é um empecilho pra novos desafios. Ah, e nem mesmo é a temática de nenhum dos capítulos. E para quem acha que a Disney só resolveu falar de alguns temas sociais agora, como a deficiência física, no caso de Paprika, por exemplo, Claudia explica que a escolha de abordar estes assuntos não é pautado somente pelas discussões da sociedade, mas em contar boas histórias que dialoguem com isso. “O conteúdo é a base, não o contrário. Buscamos histórias que são relevantes nos dias de hoje”.

PRINCESINHA SOFIA

Mais um exemplo de configurações familiares distintas. Diferente das outras princesinhas da Disney, Sofia não nasceu princesa. Sua mãe era uma sapateira humilde que se casou com um Rei viúvo. Ela passa a morar com a nova família e os irmãos, filhos de seu padrasto, e precisa se adequar à vida de realeza e aos novos conflitos familiares.

FANCY NANCY CLANCY

O desenho, baseado em uma série de livros, aborda os aprendizados de uma menina de seis anos, cheia de personalidade. Ela sempre está tentando transformar o ordinário da vida em algo sofisticado e espetacular. A cada episódio, Nancy entende sobre respeitar as particularidades de cada um, sem impor seus desejos sobre a vontade dos outros. Há episódios que falam de individualidade, rejeição, competição, empatia e diversidade.

MUPPET BABIES

Um clássico desenho dos anos 80 volta com uma roupagem focada ainda mais na diversidade de perfis. Com os famosos Muppets na versão criança, a animação fala sobre respeito às particularidades de cada um e solução de problemas focado na cooperação e amizade.

ELENA DE AVALOR

É mais uma princesa desta nova leva de heroínas. Ela é a representação perfeita de “lugar de mulher é onde ela quiser”. Primeira princesa latina da Disney, ela é segura e está sempre disposta a pegar na espada para lutar pelos interesses de seu reino, junto da melhor amiga, Naomi.

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