Como conviver bem com o ex depois do divórcio

Após a separação, pode ser que vocês não se entendam muito bem. Confira as dicas para manter a paz entre a família, principalmente se você tiver filhos

O fim do casamento pode criar mágoas profundas. Mas, por mais que a dor seja grande, é importante, pelo bem dos filhos, que o ex-casal mantenha uma boa convivência, como fazem Claudia Raia e Edson Celulari. Os atores ficaram casados durante 17 anos e estão separados desde 2010. Os dois são pais de Enzo, 18 anos, e Sofia, 12, e garantem: é pelos filhos que cultivam um relacionamento respeitoso. “Pais separados não precisam ser amigos íntimos para que os filhos cresçam saudáveis. Devem apenas respeitar a si mesmos, respeitar o outro e serem verdadeiros”, explica Rosana Braga, piscóloga e consultora de relacionamento do Par Perfeito.

São 17 anos de convivência, é complicado se reerguer. Mas ele partiu para o caminho dele e eu para o meu. Hoje as crianças têm dois núcleos familiares e todo mundo vive muito bem. Minha torcida pelo Edson é muito grande

Claudia Raia, atriz, em depoimento recente durante o Domingão do Faustão

 

A gente tenta se dar bem e consegue isso, porque queremos cuidar dos nossos filhos. A questão é tocar a vida. Hoje enfrento essa página virada com naturalidade, apesar de a separação não ter sido simples

Edson Celulari, ator, em entrevista para a revista IstoÉ Gente dois anos após a separação

Como resolver as pendências e seguir em frente tranquila

A solução é muito papo. Se não for possível, aquele que estiver com raiva deve procurar auxílio de um psicólogo. Passados os primeiros momentos, o diálogo vai ajudar os dois a se enxergarem como parceiros na criação dos filhos.

Quando um não quer, dois não brigam. Então, se ao menos um dos dois estiver bem resolvido com a separação e com todas as questões que levaram a ela, ficará mais fácil evitar brigas e problemas que afetem diretamente os filhos.

Se os dois compreendem que os desentendimentos fazem parte do passado e que existe uma vida inteira pela frente, podem abrir mão do que já foi em nome do que virá. Ficar preso a uma história de dor e decepções é se tornar refém do passado e se condenar a um futuro de tristeza, peso e tensão. Se não há espaço para paciência e bons pensamentos em relação ao ex, que haja espaço para o novo, para um lugar onde o outro simplesmente não exista mais, exceto quando se tratar das questões relacionadas aos filhos.

O que importa para os filhos?

Em primeiro lugar, deixe claro para as crianças que, embora vocês dois tenham se decidido pelo divórcio, pai e mãe nunca se separam dos filhos. Se puderem educar as crianças juntos, com harmonia e equilíbrio, será melhor para todos. Para os filhos, o mais importante é sempre a verdade, o respeito e a coerência dos pais. É isso o que mais conta quando eles estão em pleno aprendizado sobre como se comportar na vida e nos relacionamentos. Eles podem lidar com problemas e conflitos bastante profundos, desde que sejam tratados com cuidado, amor e humanidade. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas faz parte de qualquer vida minimamente saudável o respeito por quem o outro é e por quem já foi em sua vida. A história que um dia existiu não pode ser colocada no lixo por causa de nenhum tipo de ressentimento.

Se não houver consenso, procure ajuda profissional. Muitas pessoas só conseguem voltar a ter um relacionamento civilizado com o outro depois de aprender a lidar melhor com as próprias dificuldades. E lembre-se: uma hora os filhos vão se tornar adultos e deixar de depender dos pais para tocar a própria vida. Mas o laço entre a família de vocês vai existir sempre.

Ele já está com outra!

Rolou traição? Os filhos não têm culpa de nada, mas devem saber a verdade e ter a noção de que seus pais não são perfeitos e também cometem erros. “Tudo vai depender do modo como a parte que traiu enxerga a própria atitude. Se encarar como um erro e se arrepender do que fez, será mais fácil amenizar as consequências”, explica Rosana. É preciso agir com coerência para mostrar (depois de algum tempo) que a traição foi realmente um deslize, não uma falha de caráter. Porém, se quem traiu considerar que teve um motivo que justificasse seu ato, ficará mais difícil para as crianças entenderem o que é ser honesto e aprenderem a assumir os próprios erros. Depois de um tempo, quando passar a raiva, quem foi traído terá condições de superar o acontecimento, saberá lidar com as consequências, superar a dor e não usará a infidelidade do outro como motivação para novas ofensas e ainda mais dores entre os envolvidos. O tempo resolve tudo e quem traiu deve ter paciência para esperar o momento do outro.

O que é alienação parental?

É quando o pai ou a mãe falam coisas depreciativas sobre o ex para os filhos. Trata-se de uma crueldade que pode devastar a família inteira para sempre! O assunto é muito sério: ficar falando mal do ex influencia de forma muito negativa o modo como os filhos vão enxergar o amor, os relacionamentos e a figura dos pais. Mas ninguém precisa esconder os próprios sentimentos. As crianças podem, por exemplo, saber que você está magoada, até porque isso eles percebem de qualquer jeito. Mas isso não significa que pode xingar e ofender o outro na frente dos pequenos. Resolvam os problemas entre vocês, até que consigam colocar um ponto final nas diferenças que ainda existem. Se for muito difícil, busquem ajuda, pelo bem de si mesmos e, principalmente, pelo bem dos filhos. Superar as dificuldades com o ex e não ofendê-lo na frente das crianças é uma maneira de mostrar amor pelos filhos. Mas que fique claro que não é preciso fingir carinho e amor. O importante é mostrar respeito pelo ser humano que o outro é e pelo fato de um dia vocês terem resolvido, juntos, colocar uma criança no mundo. Já é grande coisa, certo?

A convivência é impossível

É, isso acontece. Principalmente se um dos dois tiver problemas com vício ou algum distúrbio de personalidade. Mas é possível amenizar o impacto dessa situação sobre os filhos se ao menos um dos dois entender o quanto é fundamental explicar a questão para as crianças sem manchar a imagem do outro, por mais sério que seja o problema. Se o convívio com o pai ou a mãe for prejudicial aos pequenos, é importante levar isso ao juiz para garantir a segurança deles. Mas existe uma enorme diferença entre impedir o contato com um dos pais por perigo real e impedir para castigá-lo por qualquer razão. E isso não tem o menor cabimento.

À medida que os dois ficarem bem resolvidos com a separação, a intimidade que existiu um dia entre o casal servirá para contribuir com a amizade. Com respeito, dignidade e bom senso, tudo de bom é possível!

Rosana Braga, psicóloga do site de relacionamento Par Perfeito