Como lidar de forma serena com a orientação sexual dos filhos

Apesar de ser uma conversa delicada, falar sobre o assunto com eles pode ajudá-los e também demonstra o seu apoio, independente de qual gênero eles amam.

Pai e mãe quase sempre imaginam que os filhos, um dia, vão se casar com alguém do sexo oposto e construir uma família “padrão”. Mas tudo fica de ponta-cabeça quando o garoto ou a garota dá pistas de que pode ser homossexual. Em muitas famílias, se essa possibilidade se confirma, a notícia cai como uma bomba. Isso por causa da crença, equivocada, de que gays são infelizes ou levam uma vida desregrada. Saiba aqui como lidar com essa questão delicada.

Quando devo falar sobre o assunto?

O primeiro impulso dos pais ao desconfiarem que o filho seja gay é querer ajudá-lo, mesmo que não se saiba direito do que ele precisa. Na maioria das vezes, o que ele mais necessita é de tempo para se conhecer melhor. Descobrir a própria sexualidade é algo complicado, especialmente na adolescência. Os pais não devem perguntar se o filho é ou não gay, apenas mostrar que estão abertos ao diálogo. O ideal é deixar que o jovem dê o primeiro passo na hora de falar sobre o assunto. Às vezes, adolescentes têm comportamentos que, para os pais, indicam homossexualidade, como beijar alguém do mesmo sexo numa festa. Isso pode apenas fazer parte dessa fase de experimentação. Algumas atitudes mudam.

É natural ficar desapontada?

Muitos pais ficam decepcionados quando o filho homossexual conta sobre sua orientação sexual. Isso é natural. Nossa sociedade nem sempre aceita essa situação com tranquilidade. Fomos treinados a acreditar que o “certo” e o “normal” é um homem se casar com uma mulher. Além disso, existem preconceitos, como o mito de que os homossexuais são infelizes ou promíscuos. Também há a preocupação com a possibilidade de o jovem ser vítima de discriminação e violência, algo que realmente muitos enfrentam. São angústias naturais, mas não podem impedir um relacionamento saudável entre pais e filhos.

Meu companheiro não entende

Em geral, a mãe é mais compreensiva que o pai nessas horas. Muitos homens não aceitam de jeito nenhum. Um educador ou psicólogo pode ajudar e indicar a melhor forma de conversar com seu marido e restabelecer a harmonia.

Apoio e troca de experiências

Após descobrir a homossexualidade do filho, a escritora, pesquisadora e professora universitária Edith Modesto criou o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais), um grupo de acolhimento e ajuda mútua. Saiba mais sobre a ONG no gph.org.br.

Amparo e afeto

O papel dos pais não é julgar os filhos, mas estar ao lado deles e orientá-los quando for preciso.

 

Fonte: Klecius Borges, psicólogo especialista em terapia afirmativa para gays, lésbicas e bissexuais e em psicoterapia, aconselhamento e orientação familiar.