Dominar o português é essencial para os filhos

Seu filho fala português direito? Num mundo onde se valoriza tanto o inglês e a informática para vencer, é bom lembrar que dominar nosso idioma ainda é o que faz a maior diferença

O hábito da leitura favorece a captação de conteúdo e vocabulário
Foto: Getty Images


Precisamos do português para tudo. A língua é o que nos permite articular nossas ideias e elaborar um raciocínio lógico. “Saber falar e escrever da maneira certa é fundamental: primeiro, porque nos permite compreender as pessoas e nos fazer entender. Segundo, porque, ao nos expressarmos adequadamente com os outros, temos mais oportunidades de ser compreendidos e de nos dar bem na vida, justamente pela nossa clareza, expressão e facilidade de interação”, explica Laez Barbosa Fonseca, psicopedagogo e filósofo.

Para os estudiosos, a língua é muito mais do que um conjunto de regras organizadas em manuais. Ela é viva e se transforma ao se construir e reconstruir nas trocas diárias vivenciadas pelas pessoas (pense na revolução causada pela internet, por exemplo, na forma como escrevemos online).

A recente polêmica causada pelo livro Por uma Vida Melhor, aprovado pelo Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD) e distribuído em escolas públicas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para o Ensino de Jovens e Adultos, dá bem uma ideia disso. Diante da frase lá publicada “Nós pega o peixe”, os defensores do livro argumentam que é importante reconhecer o vocabulário cotidiano, de acordo com os costumes e a cultura locais; do outro lado, integrantes da sociedade e da comunidade acadêmica argumentam que é direito de todos aprender a norma culta da língua, e a escola não pode ser tolerante com erros de gramática.

De fato, existem variantes na língua, muitos modos de se comunicar. Ninguém fala com o vizinho durante um jogo de futebol da mesma maneira como se dirige ao chefe numa reunião de trabalho (ou pelo menos não deveria!). Mas o domínio da norma culta é fundamental para que uma criança possa ser o que quiser, sem ficar restrita em suas opções profissionais e de vida simplesmente porque não fala da maneira socialmente aceita. Esse é o ponto-chave da questão, para o professor Laez Barbosa: o fato de usarmos diferentes formas para nos expressar não pode diminuir a importância de termos o total domínio do português. “A escola tem que cuidar e ensinar a norma culta, sem, no entanto, deixar de reconhecer a existência de possibilidades expressivas da língua”, sugere o psicopedagogo.

Falar errado pode reprovar um candidato a emprego , a namorado, até a amigo. Pior: torna menor o mundo, pois só somos capazes de pensar o que temos condição de articular – e para fazer algo de grande é necessário ser capaz de pensar grande também.

O que estimula o aprendizado do português
 

Ler muito: e desde a infância. O hábito favorece a captação de conteúdo e vocabulário, além de embasar a argumentação.

Ter uma boa formação: isso significa estudar em uma boa escola (mesmo que seja pública), garantindo a alfabetização certa.

Contar histórias para as crianças: o processo de escolarização e alfabetização pode ser reforçado em casa com a leitura extra. Uma sugestão é os pais contarem histórias dando ritmo, entonação e interpretação a elas.

Manter em casa livros para diferentes idades: as obras devem ter conteúdos que sejam agradáveis e de interesse da criança. A variedade de estilos também é desejável. Narrativas, poemas, textos jornalísticos – vale tudo o que tiver qualidade.

Aprender a ouvir: é importante prestar atenção ao que está sendo dito para desenvolver o idioma.

Brincar com jogos: como Taboo, Academia e similares, que auxiliam na aquisição da linguagem.

Assistir a filmes: do tipo Doze Homens e uma Sentença (Reginald Rose), Cidadão Kane (Orson Welles) e O Discurso do Rei (David Seidler), que apresentam uma linguagem rica.

Ter aulas particulares: se a criança tem problemas específicos, vale a pena procurar ajuda: uma boa professora de português ou fonoaudióloga.
 

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