Labrador percorre o mundo com casal e já acumulou 160 mil quilômetros e 47 países no “passaporte”

Desde pequeno, Tapa viaja com o casal Gustavo Bresaola Vivácqua e Ana Machado no 'Farofamóvel'

Labrador percorre o mundo com casal e já acumulou 160 mil quilômetros e 47 países no "passaporte"

O trio com o Farofamóvel que os levou pelo mundo, agora em Angra dos Reis (RJ)
Foto: Tomás Arthuzzi

O cachorro desta foto é Tapa, 9 anos. Ele é um labrador extremamente amigável, jamais conseguiria ser um cão de guarda. Aliás, está mais para um cão de viagem, já que tem “passaporte” (carteira de vacinação) com mais carimbos de lugares no mundo que você, provavelmente. Ao lado de seus companheiros de viagem, o administrador de empresas Gustavo Bresaola Vivácqua, 41, mineiro criado no Rio de Janeiro, e a psicóloga carioca Ana Machado, 34, casados há oito anos, o belo labrador preto percorreu 160 mil quilômetros e deixou suas pegadas em 47 países. Sim, é sério. Foram 746 dias na estrada, entre 2009 e 2011, além de muitas viagens pelo Brasil. E ele é um amor. “Seria capaz de pegar a própria coleira com a boca e entregar para um estranho como sinal de que quer passear”, diz Gustavo.

Entre outras experiências, Tapa já foi fotografado nos cenários cinematográficos onde John Wayne filmou vários de seus faroestes, em Monument Valley; tomou banho nos canais de Veneza; debruçou-se na amurada do Rio Neva, em São Petersburgo; correu nos desertos da Jordânia; flanou sob a Torre Eiffel; nadou em praias do Chile, da Venezuela, da Califórnia e, já que nem tudo é paisagem, deixou seu DNA de viajante em uma ninhada de filhotes no Peru – uma balada internacional forte! “Ele fica bem em casa ou na estrada. É feliz com as mínimas coisas. E isso é uma importante lição para nós”, explica Gustavo, tão rodado quanto seu amigo canino.

Com exceção dos trechos transoceânicos, quando o 4X4 da turma era despachado em container e o trio seguia de avião, Tapa deu a volta ao mundo a bordo de uma Toyota adaptada para motor home e apelidada de Farofamóvel. “Nós mesmos fizemos o projeto. Tem cama, fogão, chuveiro externo, geladeira, vaso sanitário, micro-ondas, proteção térmica, uma caminha e reservatório com muita água para manter Tapa bem hidratado. É uma caçamba relativamente pequena. Surpreendentemente, deu certo e a ‘Farofa’ nos abrigou perfeitamente durante dois anos”, conta Gustavo, que custeou suas primeiras aventuras ao sair do setor de mineração e navegação e, na bolha da internet, montar um site sobre viagens.

De avião, devido a seu peso de aproximadamente 50 quilos, Tapa não pode ir na cabine como alguns cachorros de pequeno porte. Ele (que tem um chip sob a pele) viaja no compartimento próprio para animais, com ar-condicionado, em uma caixa de transporte e sem calmante, garante Gustavo. Paga um pouco menos que uma passagem normal. Tapa ama mar, cachoeiras, rios, e o casal descobriu que ele adora neve.

Labrador percorre o mundo com casal e já acumulou 160 mil quilômetros e 47 países no "passaporte"

Tapa já viu a Torre Eiffel ali, sentado, nos gramados do Champ-de-Mars, ao lado de Ana e Gustavo
Foto: Arquivo pessoal

Gustavo viaja com cachorro desde 1994, quando seu companheiro era outro labrador, Haxi. A primeira viagem não foi planejada. Véspera de Réveillon, ele não tinha com quem deixar o animal e o levou. Virou hábito e Haxi conheceu mais de 200 cidades no Brasil, até, infelizmente, morrer em 2005. Foi quando o empresário ganhou um filhote de labrador para ajudar na ausência do antigo amigo e deu-lhe o nome de Tapa (de tapa-buraco, bem-humoradamente). “Viajar com cachorro é ótimo, socialmente falando. As pessoas gostam, ficam curiosas, se aproximam, conversam, querem saber de onde é o cachorro e como fomos parar ali”, explica.

As viagens nem sempre são uma moleza. “Quando planejamos, parece algo de coragem imensa. Mas depois que você está no percurso, tudo fica menos assustador. As pessoas em geral colaboram. Você interage melhor estando na estrada de carro, com placa do Brasil, um país querido, e com a simpatia do Tapa! “, conta Gustavo. Em uma ocasião, na Bolívia, quando o casal deu uma parada rápida na estrada, Tapa pulou do carro sem que percebessem. Quarenta quilômetros adiante, Gustavo notou a ausência do cachorro e retornou. Deparou-se com Tapa correndo na direção do carro, sedento e cansado.

Grande parceiro

“O Tapa entende tudo, só falta falar. Quando estou feliz, ele demonstra alegria também. Mas fica ‘bolado’ de ciúme quando abraço e beijo Ana”, diz. Gustavo é o mais naturalmente aventureiro do casal. “Nos complementamos em muitas coisas. Sou psicóloga, um mundo totalmente diferente da atividade dele, mas a gente se adaptou”, diz Ana, que conheceu o Gustavo em 2006 e sabia que estava recebendo um pacote completo, viagem+cachorro. “Ana teve de abrir mão do emprego para fazer uma viagem que durou dois anos. Tinha medo, mas me acompanhou e admiro isso.”

Ela admite que foi uma decisão complicada, mas mudou com a experiência: “Parecia que minha vida ia virar de cabeça para baixo. Depois, descobri que sou uma pessoa adaptável e acredito que todos nós podemos nos ajustar a qualquer situação”. O rastreador no carro hoje indica que o trio está em Angra dos Reis (RJ), onde mora em um condomínio. Após a longa viagem, Ana retomou sua atividade no recursos humanos de uma grande empresa, e Gustavo dedica-se ao site Viagens Maneiras, que mantém desde 1998. Tem também um programa de mesmo nome no canal TLC Discovery (de segunda a sexta, às 18h) e um livro está a caminho. O próximo roteiro? Já está definido: Canadá e Alasca.

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Os três em frente ao Templo de Hera II, uma das edificações gregas mais bem preservadas, na antiga cidade de Pesto, na Itália
Foto: Arquivo pessoal