O que fazer quando as crianças flagram os pais transando?

Saiba o que é melhor fazer (e não fazer) quando essa situação constrangedora acontece.

Certamente, ser pega no flagra durante o sexo está no top 5 de situações mais embaraçosas. Pior ainda quando quem está na porta do quarto é seu filho ou sua filha, né? Os pais ficam preocupados em como as crianças vão reagir com informações que não fazem parte da sua realidade infantil.

Mas não são só os pequenos que ficam perdidos. Dificilmente os adultos também estão preparados para encarar a situação: é melhor inventar uma desculpa ou falar a verdade? E se fingir que nada aconteceu?

Conversamos com a neuropsicóloga e especialista em psicologia do desenvolvimento Deborah Moss, que nos ajudou a montar um “manual” com orientações do que fazer – e também do que não fazer – para lidar com o constrangimento que domina todos os envolvidos neste momento “estranho”.

Calma, papais! Resolva por etapas

No momento da surpresa, não tente antecipar qualquer solução. O melhor a fazer é esperar a reação da criança, que pode achar graça, ficar muito envergonhada ou assustada. É muito importante acolher essa resposta – entender que ela está agindo de acordo com a idade e a maturidade que tem.

Lembre-se: é um momento de lidar com o constrangimento mesmo, depois que ele passar, tantos os adultos quanto os pequenos vão se reorganizar. Ah, nada de gritos, tá? Cuidado para não descontar a sensação ruim da vergonha que está sentindo na criança, que pode ter entrado sem bater na porta por impulso, o que é normal nessa fase.

Só depois que passa o susto é hora de colocar em palavras o que ocorreu. Fingir que nada aconteceu não é o caminho, alguma coisa, mesmo que simples, tem que ser dita!

 

A conversa vai de acordo com a demanda de cada criança

Mas como retomar a conversa sobre a situação constrangedora? Os pais precisam ouvir do filho o que ele entendeu e a partir daí explicar e reponder o que está sendo questionado.

A idade e maturidade interferem muito no entendimento. Crianças menores de 5 anos não têm o mínimo de contato com a sexualidade e com a questão erótica, assim, vão ficar confusas e podem ter diferentes interpretações: decifrar a cena que viram como um episódio de agressão, por exemplo.

Por isso é importante o diálogo e uma explicação de forma simples, tirando todas fantasias por trás disso e afirmando que o flagra não se repetirá: “É a forma que os adultos namoram, trocam carinhos e não é certo as crianças verem, é algo particular do casal. Da próxima vez, vamos tomar cuidado para não acontecer de novo”.

Por volta dos 7 anos, elas começam a entender um pouco melhor a relação entre os casais, isso pode causar ainda mais vergonha que nos menores. Respeite esse sentimento e se mostrem abertos para a conversa. Se ele não puxar no assunto, tente pelo menos algo breve, como um “está tudo bem? Mamãe e papai (ou nós papais/ nós mamães) estávamos namorando”.

Às vezes, a criança não vai querer conversar naquele momento ou o episódio não se resolva em apenas um papo, mas sem problemas, sempre dê suporte quando as dúvidas surgirem.

Além disso, é importante explicar sobre a privacidade. Falar que deve-se bater na porta sempre antes de entrar no quarto. E, claro, dar o exemplo, notificando antes de chegar entrando no quarto em que eles estiverem brincando também.

De porta trancada

Um caso que aconteceu pontualmente não vai deixar traumas ou grandes angústias no filho, se houver acolhimento e conversa. O grande problema está nos pequenos que sempre estão em contato com essas situações e não estão preparados para entender, criando fantasias na cabeça, sem qualquer esclarecimento. Na dúvida, tranque a porta e tome cuidado para não acontecer novamente. Está tudo bem.