Palmada: será que realmente educa?

Palmada para educar provoca dúvidas e perturba os pais. Muitos acabam batendo, outros não gostam nem de pensar nisso. Com a palavra, Supernanny e outros especialistas!

É importante que os pais tenham a voz no comando e sejam autoridade na vida dos filhos.
Foto: Getty Images

Pai puxando a orelha do filho no shopping, criança levando palmada. Você já deve ter visto ou vivido isso. Muitas crianças viram adultos com essas cenas na memória. Carolina Dieckmann é uma. “Meu pai me dava palmadinhas, mas não me fez mal. Eu já dei no meu filho Davi. Não sou a favor ou contra. O problema está na violência como são dadas”, diz a atriz. Veja a opinião de especialistas como a educadora Cris Poli, a Supernnany do SBT.

 

Bater nunca, jamais!

Há quem rejeite com todas as forças esse tipo de comportamento. “Palmada não educa nunca, simplesmente põe fim pela violência a um comportamento que o pai não conseguiu resolver de outro jeito. O castigo físico sempre machuca. Em maior ou menor grau, ele deixa marcas negativas na vida dessa pessoa”, explica a educadora Cris Poli, a Supernanny, do programa do SBT. Para ela, não existe idade, nem situação aceitável para a palmada. Além disso, ela conta que a “palmadinha educativa” não existe e que qualquer ato de violência pode deixar a criança com diversos problemas quando adulta. Muitas vezes, cresce achando que esse é o melhor método para resolver todos os problemas. Para a educadora, os pais precisam ser firmes e convictos de que bater não é o melhor método para impor limites aos pequenos.

 

Veja abaixo as lições da Supernanny para educar os filhos sem violência:

. Tenha voz de comando, os pais são autoridade na vida dos filhos.
. Estabeleça regras de comportamento bem claras e objetivas, é responsabilidade dos pais dar educação e limite aos filhos.
. Estabeleça uma rotina diária para a criança se sentir mais segura.
. Brinque todos os dias com os pequenos.
. Respeite os filhos para ser respeitada também.
. Tenha autocontrole, educar não é tarefa fácil e exige esforço da parte da mãe e do pai.
. Muita paciência e dedicação são as chaves para obter o sucesso.
. Aplique o método do cantinho da disciplina.
. Se o pequeno obedecer às regras, dê algo depois, como incentivo.

 

Às vezes, dar um tapinha de leve, quem sabe não faz bem…

Muita gente acredita que uma palmada de leve pode ajudar em alguns casos. “Às vezes, com crianças pequenas que perdem o controle, qualquer tipo de contenção física pode ajudar”, afirma a psicóloga Andreia Calçada. Aquele tapinha – bem de leve – no bumbum, por cima da fralda, para a especialista, também é aceitável quando a criança estiver em um acesso de birra. É importante lembrar que esse tipo de atitude não pode se tornar um hábito e que exista um controle dos pais. “A lei serve para os pais que podem perder o limite da raiva, espancando e ferindo uma criança. Serve como prevenção a este tipo covarde de ataque”, explica a especialista.

Mesmo acreditando que em alguns casos a palmada poderia resolver, a psicóloga afirma que qualquer tipo de ação com violência e com o intuito de humilhar pode gerar problemas psicológicos no futuro adulto.

 

Confira dicas de Andreia para educar sem precisar partir para a agressão:

. Fale com ele sempre olhando nos olhos.
. Ao impor limites, cobre-os com firmeza, mas sem gritar.
. Observe a sua atitude. Exemplo é melhor do que discurso. Que tipo de exemplo você dá aos seus filhos?
. Escute o que a criança tem a dizer.


Pais que batem nos filhos podem ser condenados

O presidente Lula assinou o projeto de lei, que modificou o artigo 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente. De acordo com a advogada Márcia Velasco, agora os pais que realizam castigo corporal ou punem seus filhos usando a força física serão condenados.

As penas são: advertência, encaminhamento a programas de proteção à família e orientação psicológica. Se continuarem com a violência, a autoridade judiciária pode até afastar a criança deles. Essa pena será aplicada por meio de denúncia de testemunhas. Vizinhos, parentes e colegas de trabalho podem fazer a denúncia ao Conselho Tutelar.

Para os que passam dos limites, as lesões graves já estão incluídas no Código Penal. A legislação define de um a quatro anos de prisão para quem “abusa dos meios de correção ou disciplina”, com agravante se a vítima for menor de 14 anos.

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