Quando levar as crianças para o hospital?

Saiba em quais situações a corrida ao pronto-socorro é realmente necessária

Diante de uma febre sem explicação ou de uma crise de vômito e diarreia repentina, vem logo a dúvida: cuidar em casa ou procurar a emergência? É comum as famílias preferirem logo de cara a segunda opção, só que, muitas vezes, passam horas esperando atendimento em ambiente fechado, correndo risco de o pequeno pegar outras doenças. Será que vale a pena? Em muitos casos, dar a medicação sugerida pelo pediatra e manter a criança bem alimentada e hidratada é suficiente para que ela melhore. Mas diante de alguns sinais tem que ir mesmo para o pronto- socorro, como explica o Dr. Antonio Carlos Madeira, diretor médico do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, em São Paulo:

Febre

O pequeno está com a temperatura elevada? O melhor é dar a ele o antitérmico receitado pelo pediatra e aguardar. Se a febre ceder e ele voltar a brincar e a fazer suas atividades normais, fique em casa. Mas se passada uma hora de ter tomado o remédio e a febre não baixar ou estiver beirando os 40 graus leve seu filho ao hospital. Muitas vezes o remédio faz efeito, a febre passa, mas volta depois. Se esse vai e volta durar mais de 72 horas, leve a criança ao pediatra ou, se não for possível, vá ao pronto-socorro.

Cortes

Se o corte for profundo, é imprescindível ir ao hospital para levar ponto. Esse é o tratamento padrão. Já se o sangramento for pequeno e a ferida superficial, basta lavar o local com água e sabão e colocar um curativo, que pode perfeitamente ser feito por você em casa.

Dor de ouvido

Mudanças bruscas de temperatura ou viagens para lugares de altitude diferente, como quando vamos para a praia e sentimos o ouvido “tampar”, podem gerar dor. Para aliviar o incômodo, coloque um pano quente no local. Se não passar, ou se a dor estiver associada à febre, visite o pediatra ou vá ao hospital.

Diarreia

Seu filhote já foi várias vezes ao banheiro e as fezes estão bem aguadas? O mais importante é que ele não fique desidratado. Ofereça comida e bastante líquido, pode ser água, suco, chá, água de coco. O comportamento dele também é importante para decidir o que fazer: se estiver muito quieto, com a boca seca, fazendo pouco xixi e com os olhos fundos, procure atendimento. Caso contrário, basta continuar incentivando o consumo de líquidos em casa.

Vômito

Quando a criança está vomitando, fica enjoada e dificilmente aceita os alimentos ou líquidos que a família oferece. Por isso, o risco de desidratação é ainda maior do que nos casos de diarreia. Depois que vomitar, aguarde meia hora e tente dar a ela algo para beber. Se os vômitos continuarem, o melhor é levá-la ao pronto-socorro.

Dor de cabeça

Pode gerar desconforto, mas não é motivo para ir ao hospital. Pode ser controlada em casa, com o analgésico indicado pelo pediatra. Se a queixa persistir por mais de três dias ou não passar com o remédio, marque uma consulta com o pediatra. Se for acompanhada de febre e vômito, melhor ir logo à emergência.

Batida de cabeça após queda

Observe seu filho por pelo menos 24 horas. Ele chorou na hora por causa do susto, mas está conversando e brincando? Não precisa se preocupar. Já se o pequeno ficar prostrado, sonolento ou tiver vômito ou febre depois do tombo, vá logo ao pronto-socorro.

Problemas respiratórios

Febre baixa, tosse, nariz escorrendo: nada disso é motivo para procurar a emergência. Em compensação, se ele estiver apresentando dificuldades para respirar, leve-o logo ao médico.

Ingestão de substâncias

Bastou um minuto de descuido para seu filho tomar um remédio, um restinho do produto de limpeza ou outra substância que não deveria? Não provoque vômito na criança nem ofereça comidas ou bebidas antes de receber qualquer orientação médica. Pegue o rótulo do produto ou anote o nome exato que está na embalagem e dirija-se ao hospital mais próximo. O Centro de Assistência Toxicológica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo oferece atendimento telefônico 24h. O número é 0800-0148110.

 

O comportamento da criança é o mais importante: se ela estiver falante e brincando normalmente, é sinal de que o mal-estar não é tão grande. Nesse caso, antes de correr para o hospital, observe e espere para ver se os sintomas melhoram.