Tentei estragar o relacionamento da minha filha

Demorei cinco anos para aceitar e enxergar que meu genro é uma boa pessoa

Minha filha é muito feliz ao lado do Fábio. Formaram uma família linda!
Foto: Arquivo pessoal

Por ter sofrido muito quando me mudei do interior de Minas Gerais para São Paulo com meus filhos, acabei me tornando uma mãe superprotetora e controladora, a ponto de me meter na vida amorosa da minha filha, a Nalva. Ela tinha 21 anos quando me apresentou o Fábio, seu novo namorado. Eu me sentia no direito de palpitar sobre suas escolhas e atrapalhar seus relacionamentos. Graças a Deus, pude remediar meu erro a tempo.

>> Julguei o Fábio por preconceito
Comecei a interferir na vida amorosa da Nalva quando ela anunciou o fim do namoro com um rapaz amigo da família. Senti uma tristeza imensa e achei que minha filha tinha cometido um grave engano. Pouco tempo depois, recebi em minha porta um moço cabeludo e malvestido. Ele perguntou pela Nalva e se apresentou: “Sou o Fábio, o namorado da sua filha”. Não gostei dele. Imaginava uma vida de sucesso para minha menina, mas não com aquele rapaz!

Nalva contou que Fábio era músico e tinha muitos planos. Mas nada me comovia. E a comparação era inevitável: “Você largou uma pessoa ótima, com boas condições financeiras, para namorar um cabeludo que não quer nada da vida?”. Por causa disso, convivia com o Fábio aos trancos e barrancos.
>> Meu irmão abriu os meus olhos
Tudo piorou quando eles anunciaram o casamento, em um churrasco na minha casa. Perdi meu chão. Parecia que alguém tinha morrido. Só acordei para a vida meses depois, com um chacoalhão do meu irmão caçula. Quando Nalva estava prestes a se casar, ele disse: “Por que você está com essa cara? É pelo casamento da Nalva? Ela está fazendo a coisa certa. Tem que casar com quem gosta. Quem disse que o Fábio não é um bom partido? Seja mais generosa”.

Esse papo realmente me fez refletir. Enxerguei o quanto estava sendo egoísta. Me convenci, então, de que a Nalva faria o que desejasse, com ou sem a minha permissão. Era a minha vez de apoiá-la. Queria ver minha filha feliz!

>> Ele provou que eu estava errada
Meu genro e minha filha se casaram e, juntos, cresceram na vida. Os dois se formaram em psicologia e arrumaram bons trabalhos. Também economizaram e compraram um ótimo apartamento. E me deram dois netos lindos de presente! Hoje, vejo com clareza que o Fábio é um homem bom e responsável. Também me dei conta de que mãe nenhuma pode se meter na vida e nas decisões dos filhos. O lado positivo dessa história é que enxerguei meu deslize a tempo de comemorar o casamento da minha filha, sem mágoas. Vê-la de noiva foi uma das minhas maiores alegrias! E o Fábio, a propósito, se tornou um amigão para todas as horas.

Da redação: Veja as dicas da especialista Denise Diniz para conviver bem com a sogra

1. Cuidado com expectativas muito altas: as pessoas não são totalmente boas ou ruins. O mesmo vale para as sogras.

2. Se sentir que não foi bem recebida, não critique a sogra nem brigue com seu parceiro. Mantenha a discrição.

3. Não interfira no relacionamento entre mãe e filho: deixe que eles resolvam suas diferenças. E nunca peça para seu companheiro se afastar da mãe dele.

4. Lembre-se: sua sogra pode não ser sua amiga, mas pode ser uma boa avó. São trocas importantes para a convivência social. Busque esse equilíbrio.

5. Se nada der certo, o melhor é se afastar sem brigas. Com o tempo, você e sua sogra podem estabelecer uma convivência saudável.