Alexandre Borges em crise da meia-idade?

O intérprete de Raul, da novela Caminho das Índias, fala de problemas existenciais e dos boatos sobre o fim de seu casamento com Julia Lemmertz

Alexandre Borges está no ar na novela Caminho das Índias
Foto: Fabrício Mora

Uma crise fez Raul Cadore, de Caminho das Índias, forjar a própria morte, deixando a mulher e a filha desamparadas. “Era um cara infeliz que queria nascer de novo”, explica Alexandre Borges, intérprete do personagem.

É claro que o ator nunca passou por uma experiência tão radical, mas admite que também já teve lá suas crises. Principalmente, quando perdeu parentes e pessoas próximas, como o sogro (o ator Lineu Dias, morto em 2002), em um curto espaço de tempo.

Fazer 40 anos (hoje, está com 43) também não ajudou. “É a crise da meia-idade. Opa, eu tinha 18 anos não faz muito tempo!”, explica o ator, que, no entanto, nega (pela milésima vez?) qualquer crise no casamento.

Pois é, ele e Julia Lemmertz (a Clara de Tudo Novo de Novo) continuam firmes e fortes. “No dia em que a gente se separar, todo mundo ficará sabendo”, diz Alexandre, respondendo a mais uma onda de boatos sobre a sua vida privada. 

Bate-papo com Alexandre Borges

Raul deu uma guinada na vida…
Era um homem que tinha, aparentemente, tudo para ser muito feliz, mas queria nascer de novo. Uma questão que todo mundo, em 15 minutos de solidão, pensa.

Como é a reação do público?
Recebo muito carinho, pessoas que vibram com a história dele. Muitos falam como ele não acordou antes, como teve coragem e tal. E não vejo Raul como um vilão.

Isso porque, como ator, tende a estar ao lado do personagem?
Como criador, não posso ter uma visão moralista. Às vezes, um executivo vende tudo e começa de novo. Alguns falam: “Como ele faz isso?” A crítica é fácil. Estou tentando viver Raul entendendo o pensamento dele. E a lógica dele é: um cara infeliz, que queria nascer de novo, que foi manipulado e chegou ao extremo.

É difícil ficar ao lado dele (risos).
Aí é que está: não quero que as pessoas fiquem ao lado dele. Acho legal o público ficar um pouco sem fôlego.

Na coletiva da novela, você falou que entendia o Raul porque já estava na idade de crise também.
Tudo mudou (risos).

Mas que crise foi essa?
Procuro me colocar em crise, esmiuçar certos assuntos. E, quando se faz isso, começa- se a ver a profundidade de algumas coisas. A crise é isso: é o questionamento do que já está estabelecido e que você mexe um pouco para ver o que sai dali, o que ficou parado, o que passou… E só depois dos 40 é que se pode ter esse papo-cabeça (risos). E isso é provado cientificamente.

Como assim?
É assim: da infância, que é muito lúdica, a gente guarda certas coisas que escondemos na adolescência. Quando entra na fase adulta, começa a ter que reprimir essas fantasias. Aí, nem tudo foi o que se fantasiou na infância nem tudo pode ser reprimido. Então, você chega aos 40, a fantasia começa a tomar o seu lugar.

E aí?
Vem a crise da meia-idade. Opa, eu tinha 18 anos não faz muito tempo. Agora, estou fazendo isso todo dia. Será que quero mais dez anos disso? Estou satisfeito com o que eu sou? O que falta?

A crise foi detonada com os 40?
Foi detonada pela idade avançada dos meus parentes, que acabaram morrendo. Tios, sogro. E, ao mesmo tempo, uma fase maravilhosa, que foi o nascimento do meu filho (Miguel, 9). Sempre falo em crise, mas, ao mesmo tempo, eu me pego na minha fé, na vontade de viver e tento não tornar isso uma coisa negativa.

Ou seja, a crise não dá em nada.
Pode-se não ter consciência, mas há a transformação. E também não tem que se preocupar com o que vai dar. A vida é um pouco desse jogo. Para quê? Para viver o presente, porque o que me interessa é o bem-estar diário. Muita coisa mudou desde a entrevista que a gente interrompeu (na coletiva da novela).

A propósito, vira e mexe, há boatos sobre o fim de seu casamento. Houve separação em algum momento?
Nunca. Estamos juntos há 16 anos. E você acredita que eu nunca saí de casa, nunca peguei minha mala e fui embora (risos)?! Já vi muita gente separando, aquelas loucuras… mulher jogando a roupa do homem pela janela. Mas, juro, nunca houve uma coisa assim. É aquilo: tem que pensar bem. Porque você pode sair e a pessoa não te querer mais de volta (risos). Já pensou na roubada?! É arrependimento para o resto da vida.

Mas nunca rolou nem mesmo uma crise mais séria?
A gente procura, nesses problemas pelos quais qualquer casal passa, resolver na hora ou, ao menos, um dia depois. Não há por que ter boatos de separação, não existe algo assim… A gente se separou durante três meses e ninguém soube. Ou a gente teve uma história e alguém ficou sabendo. Não existe isso, nunca existiu. No dia em que a gente se separar, todo mundo ficará sabendo, sem rodeios.