Artistas orientais fazem manifesto por representatividade

Você sabia que Ken Kaneko, ator veterano que imigrou do Japão para o Brasil nos anos 1960, também foi cotado para viver o papel que ficou com Luís Melo em "Sol Nascente"?

Não há como negar que é bem questionável a escalação de Luís Melo para interpretar um japonês em “Sol Nascente”, atual novela das 18h da Rede Globo. A polêmica começou meses antes da estreia do folhetim e continua dando o que falar. Em entrevista a Folha de São Paulo, Walther Negrão disse que procurou, mas não encontrou nenhum oriental à altura do papel. E é claro que os atores de origem asiática lamentam o fato, ainda mais sabendo que o veterano Ken Kaneko, ator e imigrante japonês (que chegou ao Brasil nos anos 1960), foi dispensado pela produção da novela. 

“Não tem muito o que comentar, é uma pena. Acredito que eles acharam muita ousadia ter um ator não conhecido do grande público para fazer esse papel, não sei nem o que dizer, apenas lamentar”, diz Ligia Yamaguti, atriz, artista plástica, e uma das fundadoras do coletivo Oriente-se, que reinvidica mais representatividade oriental e mais espaço para atores de origem asiática na mídia brasileira. Ela deixa muito claro que considera Luís Melo um ator competente, mas, assim como toda a comunidade oriental, não se conforma com a escolha de um caucasiano para viver o personagem Kazuo Tanaka. 

Facebook/coletivoorientese e Divulgação Facebook/coletivoorientese e Divulgação

Facebook/coletivoorientese e Divulgação (/)

“O personagem é um japonês, que é nascido no Japão e fala japonês. Tanaka na juventude é interpretado por um ator descendente de orientais, a essência é toda oriental, todos os outros personagens que são orientais são interpretados por orientais. Dar a este papel um rosto caucasiano prejudica toda a construção, ainda mais em uma novela que trabalha com realidade. Além disso, existem tantos papéis para atores caucasianos, por que não podemos dar chances a outras etnias? A desculpa de que não acharam atores orientais capazes de interpretar este personagem não cola”. 

O Oriente-se existe desde abril e, na semana passada, publicou um manifesto que marca o lançamento oficial do coletivo. Leia na íntegra AQUI

Reprodução Reprodução

Reprodução (/)

Além de esbarrar em um problema como o do personagem Tanaka, os artistas também reclamam da forma esteriotipada como os orientais são mostrados na televisão. “É o oriental que fala errado (troca o R pelo L); o japonês só é feirante e pasteleiro, o coreano vendedor da 25 de março e o chinês vende coisa falsificada; o japonês que tem pinto pequeno ou é da Yakuza; toda japonesa é gueisha; todos comem de palitinhos; é o nerd que usa óculos e tem os dentes da frente grandes, etc. Várias dessas coisas não são um problema, outras não são nem verdades, mas a questão é o modo como essas coisas são colocadas. O tom de zueira, de chacota, as piadas são sempre levadas para o lado pejorativo”, aponta Ligia. 

Ela chama a atenção para o fato de que 2 milhões de brasileiros se declaram amarelos hoje em dia e que muitas famílias orientais já estão vivendo no país há quatro ou cinco gerações. Ou seja: independentemente do sobrenome ou da fisionomia, essas pessoas são tão brasileiras quanto negros ou caucasianos, só que isso não é mostrado na TV. E, para chamar a atenção sobre esse fato, o Oriente-se também lançou esse vídeo: 

A partir desse pontapé inicial, o coletivo irá lançar no YouTube vários outros vídeos, mostrando que os descendentes de asiáticos são pessoas comuns – não meras caricaturas – e que atores orientais podem interpretar os mais variados papéis. “Somos como qualquer outro brasileiro, ajudamos a construir este país e queremos ser retratados assim: como um BRASILEIRO presente em todos os setores”, completa Ligia. 

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