Atriz de ‘Sintonia’ dá a melhor resposta sobre personagem ser feminista

Bruna Mascarenhas revelou os detalhes de como foi sair do Rio de Janeiro para fazer Rita, a forte protagonista que mora em uma favela de São Paulo.

Em uma parceria bombástica com o maior produtor de funk do Brasil, KondZilla, a Netflix lançou na última sexta-feira (9) a série “Sintonia”. A produção nacional de seis episódios conta a história de três amigos, Nando (Christian Malheiros), Doni (MC JottaPê) e Rita (Bruna Mascarenhas), que moram na periferia de São Paulo e vivem situações extremas ao buscarem por seus sonhos.

Em um bate-papo com a imprensa, Bruna revelou os detalhes de como foi a construção da protagonista e o sentimento de estrear em frente às câmeras, já que é o seu primeiro trabalho fora do teatro. Logo de cara, quando questionada sobre a importância de Rita na série, a atriz deu uma resposta forte sobre a possibilidade da personagem ser feminista.

“Eu, sinceramente, acho que [a Rita] nem sabe o que é feminismo porque na favela não tem informação. Não chega informação como chega para a gente aqui. É um lugar muito delicado. A gente não levanta nenhuma bandeira, mas eu acho muito importante a personagem da Rita estar ali, principalmente em contato com a igreja evangélica”, pontua a atriz. 

 (Rafael Morse/Netflix)

Sobre a contradição que há entre o meio religioso e a valorização da mulher, Bruna enfatizou o movimento que tem acontecido em algumas igrejas de ler a bíblia com um olhar menos machista. “Isso é incrível. E eu falei ‘nossa, é um desafio para mim [também]’. Quero pegar essa bíblia e também estudar com essas mulheres, porque é uma forma incrível de ver. A gente tem que quebrar esses padrões mesmo. O tempo está passando, a gente está no século 21. Não dá para a gente ficar pensando que nem antigamente”.

Como o trailer da série mostra, a personagem de Bruna é uma jovem que mora sozinha na comunidade, depois de passar por problemas familiares. Entre as subidas e descidas de trabalhar com a venda ilegal de mercadorias nos terminais de ônibus, ela acaba encontrando conforto e força para recomeçar em uma igreja pentecostal. Com esse arco de história intrigante, a atriz enfrentou algumas dificuldades para construir a personagem.

Por ser uma série que retrata fortemente o cotidiano paulistano no extremo, com direito a muitas gírias da cidade, Bruna precisou do acompanhamento de uma fonoaudióloga, e também recorreu à ajuda dos amigos de cena para fazer com que o sotaque carioca fosse substituído pelo paulistano – pelo menos na série.

“Eu cheguei em São Paulo há exatamente um ano, no final de julho e, muito determinada, comecei a trabalhar no Hits, no Iguatemi. Tinha os 45 dias de teste, de fazer, aprender, e na última semana, em uma terça-feira, eles me ligaram e falam: ‘Bru, tem um teste para uma protagonista de uma série da Netflix amanhã de manhã’. Fiz e, no mesmo dia, à noite, me ligaram: ‘amanhã tem prova de figurino e maquiagem, se demite do emprego’. No dia seguinte me levaram para a fono, para o último dia no emprego, porque pedi demissão, depois para o ensaio e assim tudo aconteceu”, lembra Bruna bem animada com sua trajetória.

 (Rafael Morse/Netflix)

Essa determinação de mudar toda a vida para realizar os sonhos é o que Bruna pontua como semelhança entre ela e Rita. Além disso, a atriz também enfatiza a importância da responsabilidade emocional que a personagem tem – a capacidade de se preocupar com o outro, sabe? “É algo que a gente precisa trabalhar muito como ser humano e isso está muito em voga na série”, declarou a protagonista. 

A importância de Mercúrio no seu Mapa Astral – escute já!