Cheio de personalidade

Com quase meio século de televisão, Mauro Mendonça, o Gonçalo de A Favorita, revela que é uma mistura de todos os personagens que já interpretou

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Depois de 50 anos de profissão, Mauro
Mendonça vive nas telinhas mais um 
papel de sucesso
Foto: Fabrício Mota

Enquanto Gonçalo continua ludibriado pela bondade falsa de Flora (Patrícia Pillar), seu intérprete, Mauro Mendonça, já sabia que ela era culpada desde o primeiro capítulo. “Logo saquei… Patrícia Pillar? Com essa carinha de anjo? É a assassina!”, diz rindo o ator, que adorou a reviravolta na trama. Com mais de 60 novelas na carreira, não é de duvidar que ele soubesse mesmo, afinal, de folhetim ele entende.

“São quase 50 anos de profissão, já vivi muitos personagens e todos eles acrescentaram bastante à minha personalidade”, revela Mauro, casado com Rosamaria Murtinho (de quem já se separou uma vez, mas reatou) e com quem tem três filhos: Mauro, Rodrigo e João Paulo. Na TV, também compartilha um relacionamento igualmente duradouro com Irene (Glória Menezes), mas descobrirá que está sendo traído por ela com o inimigo Copola (Tarcísio Meira). “Se acontecer, ele a deixará ir embora, sim”, adianta. Porém, nega outra especulação: Flora não irá tirar o dinheiro de Gonçalo e deixá-lo na miséria. “É mentira… assim como quando disseram que eu era o assassino. É tudo desvario!”, garantiu.

Aliás, de fofoca Mauro passa longe, ainda mais se for sobre sua vida pessoal. “Isso é tênue. Tenho compromisso com a profissão, entende? Quero manter minha vida digna!”, conta. Mauro se diz, assim como Gonçalo, despido das ideologias do passado. “Quem continua de esquerda depois dos 40 é burro. A vida vai ensinando”, crê. Aos 77 anos, Mauro coleciona coronéis, doutores e tipos durões que marcaram sua carreira, mas nunca pensou que seria um dos medalhões da teledramaturgia. Para ele, suas escolhas sempre tiveram uma mãozinha do destino. “Meus papéis tinham que ser meus!”, comemora.

Reviravolta
“Quando fiquei sabendo quais eram as possíveis assassinas, logo saquei que era a Flora. Era coerente. Ela estava fingindo o tempo todo e tinha os argumentos muito prontos. E sempre foi fria, calculista. Já Donatela (Claudia Raia) é muito explosiva, doida, mas não é assassina. Enfim, quem estiver no caminho de Flora corre o risco de morrer. Estamos todos em perigo.”

Personalidade
“Se eu não fosse ator, seria um mineirinho tímido (ele nasceu em Ubá, Minas Gerais), fechado, talvez até amargurado. Mas aceitar desafios e dar vida a personagens me deu vivência. Na verdade, sou uma mistura de todos os meus papéis e fui enriquecido por eles. Acabei trazendo essas personalidades imaginárias para minha própria personalidade.”

Traído
“Se Irene o trair mesmo, vai ser decente o bastante para conversar com ele, afinal, estão casados há 40 anos. Acredito que ele não vai se impor, a deixará ir embora se quiser. Vai dizer: ‘Ok, então vai lá ficar com o Copola’, até porque ele tem mais a ver com Irene.”

Compromisso
“Não cultivo fama. Ando na rua normalmente. Tenho compromisso com a vida e com a seriedade da profissão. Escolhi ser ator. E foi uma opção bastante consciente. Quando entrei para o teatro, tinha um paradigma que era Paulo Autran. Pensava: ‘quero ser como ele’. Não sei se cheguei lá, mas estou caminhando.”

Destino
“Nunca determinei nada na minha vida, fui sempre pela ajudinha do meu anjo da guarda. Por exemplo, um dos meus maiores papéis foi Perón, no musical Evita, no teatro. Todos os meus amigos diziam que o papel era a minha cara. Aí, um dia estava num restaurante, os produtores viram e me chamaram. E o engraçado é que, na Argentina, todo sétimo filho varão dizem que é afilhado de Evita. E tenho seis irmãos homens, ou seja, ela é minha madrinha! (Risos) Viu só? O papel tinha que ser meu!”

Os favoritos de Mauro
Coronel Justino , de Cabocla, que estava no ar no Vale a Pena Ver de Novo e dom Brás, da minissérie A Muralha, são os personagens que Mauro mais gostou de interpretar ao longo de sua vitoriosa carreira.