Claudia Raia: “Lívia é diferente de tudo que já fiz até agora”

A atriz fala do peso emocional de viver a vilã Lívia, a cruel traficante de meninas de "Salve Jorge"

Cláudia Raia conta que a vilã Lívia é uma das personagens mais incríveis de sua carreira
Foto: TV Globo/Divulgação

Linda, fria e calculista. Esse é o perfil da traficante de meninas Lívia, próxima personagem de Claudia Raia, em Salve Jorge , que estreia na segunda 22, no lugar de Avenida Brasil. Em sua primeira parceria com Gloria Perez, a atriz, que atualmente se divide entre as gravações da novela no Rio e o palco do Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, com o musical Cabaret, conta que, apesar da rotina pesada, não se arrepende de ter aceitado o papel.

Para a atriz de 45 anos, 27 deles de profissão, a vilã é um dos papéis mais “incríveis” de sua carreira. “Lívia é extremamente fria e objetiva. É uma personagem bem diferente de tudo com o que eu trabalhei até agora”, afirma. Claudia, que abriu mão de Guerra dos Sexos, novela na qual estava escalada havia três anos por Silvio de Abreu para se dedicar ao musical, garante que não houve saia justa ao aceitar o convite de Gloria.

Mas, antes de aceitar a convocação, além de falar com Silvio, a quem considera um pai, ela também convocou os filhos, Enzo, 14 anos, e Sophia, de 8, e só aceitou o trabalho depois do aval dos pequenos. “Perguntei se estavam preparados para ficarem sem mãe durante pelo menos oito meses. Contei como seria a personagem e eles me deram força para eu fazer”, lembrou, emocionada.

O fato de abrir mão de Guerra dos Sexos, para a qual estava escalada havia três anos, e aceitar trabalhar com Gloria Perez não gerou nenhuma saia justa com Silvio de Abreu?
O Silvio é meu pai, meu tudo! Ele sabia o quanto era importante o Cabaret na minha vida. Na época, ele disse que, mesmo aos prantos, abriria mão de mim em Guerra dos Sexos para eu investir no musical, que sempre foi um grande sonho. Quando falei que iria fazer Salve Jorge, ele adorou! Disse que se eu não topasse, iria me dar uma surra.

E por que decidiu aceitar fazer uma novela junto com Cabaret?
A Globo, na verdade, está abrindo uma exceção que quase não se faz: que é uma protagonista das 9 fazendo teatro em São Paulo. Os meus colegas de elenco sabem que foi uma superexceção.

E como aconteceu o convite?
Então, quando saí de Guerra dos Sexos (ela seria Vânia – papel que ficou com Luana Piovani -, amante de Felipe, personagem de seu ex, Edson Celulari), fui para Gabriela (ela interpretaria Zarolha, feita por Leona Cavalli) e passei por quase toda a programação da Globo, até por Cheias de Charme! E decidiram que eu iria ficar mesmo em Gabriela. Achei ótimo porque daria para conciliar com Cabaret. Quando a Gloria, este furacão, me ligou, eu estava em Angra com meus filhos. Estava tranquila e a ouvi dizer ao telefone: “Você é a minha protagonista. Só faço com você. O papel é seu e não tenho outra pessoa para fazer”.

Deve ter acontecido uma tremenda reviravolta na sua vida…
Em princípio, eu disse que não poderia fazer por causa do musical, mas ela disse que não teria problema. Nem que para isso ela escrevesse a novela em dois cenários e uma externa. Aí eu chamei os meus filhos e disse: “Olha, gente, temos um impasse aqui no meio do caminho. Se vocês disserem que é muito duro ficar sem a mamãe por causa do teatro em São Paulo e a novela no Rio, eu digo não”. Mas eles adoraram a personagem e disseram que eu tinha que fazer, que o papel era incrível… Só depois do aval dos pequenos, eu disse sim.

Fale um pouco sobre a Lívia…
Ela é a cabeça do tráfico de mulheres. É linda, riquíssima e acima de qualquer suspeita. É extremamente fria e objetiva, daquelas pessoas que já nascem cruéis e com um único objetivo, que é ganhar dinheiro. Uma personagem bem diferente de tudo com o que eu trabalhei até agora. É instigante e maravilhosa!

De que maneira você acha que esse perfil cruel da Lívia mexeu com você, que é mãe de dois filhos?
No workshop, eu ouvi coisas que me fizeram chorar o dia inteiro. Depoimentos de mães que tiveram suas filhas mortas, que me impressionaram muito. Minha vontade era pegar a bolsa e ir embora. Na verdade, é um peso fazer esse papel. Digo isso pela realidade, porque a gente está falando de uma coisa que existe e é muito dura. É horroroso!