Conversamos com Letícia Sabatella sobre cinema, política e Órfãos da Terra

Em uma conversa com o MdeMulher, a atriz relevou quais são as consequências de se posicionar politicamente nas redes sociais.

Para a felicidades dos fãs de Letícia Sabatella, a atriz está estreando dois trabalhos quase que ao mesmo tempo. No cinema, ela é protagonista do filme “Happy Hour – Verdades e Consequências”, em cartaz desde o dia 28 de março. Na TV, seu retorno acontece no dia 2 de abril, com a novela “Órfãos da Terra”, da Rede Globo.

Nas telonas, Letícia interpreta Vera, uma mulher surpreendida pela decisão do marido Horácio (Pablo Echarri) de querer abrir o relacionamento após sofrer um acidente. O cenário fica mais complicado pela fato de que ela está concorrendo ao cargo de prefeita do Rio de Janeiro – e precisa manter as aparências de um casamento saudável para ter mais chances de ganhar.

Fora das telas, Letícia não esconde que a política também ocupa um papel importante em sua vida. Ela é sempre lembrada como uma das atrizes globais que mais se posicionam a respeito do que está acontecendo no país – e hoje se opõe abertamente contra o atual governo.

Para saber mais do trabalho em “Happy Hour – Verdades e Consequências” e, também, para entender sobre a escolha de posicionar-se publicamente, o MdeMulher bateu um papo com Letícia.

A importância da autodesconstrução em frente às câmeras

Lembrada pelo filme “Romance” ao lado de Wagner Moura, a atriz está de volta às telonas em mais um papel romântico no filme “Happy Hour – Verdades e Consequências”. E, diferente do que pode ser pensado pelo público, interpretar uma personagem que influencia o que é aceitável em um relacionamento não é nada fácil.

“A gente está se adaptando a novos ‘normais’ a todo segundo. Tem coisas que antes a gente aceitava na relação, principalmente de homem e mulher. Hoje em dia a gente já tem questionado, questionado e requestionado”, explicou a atriz.

A atriz compara esse processo de autopercepção com uma sessão terapêutica, pois há uma constante atenção para que padrões preconceituosos não sejam repetidos – como a ideia de que “a mulher é movida pela emoção e o homem pela razão”, aponta a artista.

Letícia Sabatella e Pablo Echarri

 (Filme/Divulgação)

Fora das telas, como é ser uma mulher que se expõe?

Com o intuito de ser sincera sobre quem é verdadeiramente, Letícia sempre foi uma figura pública que não se cala diante das causas sociais. Nas eleições de 2018, ela aderiu ao movimento “Ele Não”, em que milhões de pessoas usaram as redes sociais para se posicionar contra Jair Bolsonaro (PSL), e também foi às ruas nas manifestações. Ainda no mesmo ano, ela apoiou a candidatura do Guilherme Boulos (PSOL) para presidente da República.

“É uma responsabilidade em ser uma pessoa pública que eu também não seja tão omissa. Não sou política, sou atriz. Mas também não sou vendedora de alguma coisa. Eu prefiro guardar minha voz para coisas que acredito e com espírito democrático, discutir, defendê-las e conciliar com outras ideias. Mas prefiro estar exposta do que me proteger em uma omissão em relação ao meu país”, explicou a artista sobre acreditar que ser atriz é mais do que estar associada a uma marca ou ser reconhecida como um símbolo de sex appeal.

Para Letícia, esse envolvimento com a política é tão essencial que é como “escovar os dentes”. Isso porque a atriz acredita que o ato de se posicionar é o que ela pode fazer para exercer seu verdadeiro papel como cidadã.

A decisão de não se esconder atrás dos privilégios que surgem ao ser uma atriz famosa fez com que Letícia fosse alvo de diversos ataques e por diferentes motivos.

“[Sofri] todos os preconceitos: de ser uma atriz, uma mulher que fala, que se expressa, que se coloca, que luta e que é honesta com relação ao que pensa, que acredita, que não corrobora com uma hipocrisia social nesse sentido e nem introjeta uma ditadura”.

As consequências de se colocar publicamente

Infelizmente, as ofensas sofridas por Letícia foram além de palavras negativas nas redes sociais. Durante o posicionamento político recente da atriz, sua página no Facebook foi derrubada mais de uma vez e uma nova foi criada para ofendê-la.

Junto com os insultos, alguns haters começaram a divulgar em qual teatro Letícia estava se apresentando, dando a entender que iriam estar presencialmente no local para atacá-la. Porém, para a surpresa da própria atriz, isso fez com que um movimento contrário surgisse e diversos fãs fossem assistir à “Iliada”, em Curitiba, com medo de que algo acontecesse com a artista.

“Na hora que a gente se expõe, se coloca, você encontra os pares. Você encontra que não está sozinho, que muita gente pensa igual, e nisso também você encontra as mãos dadas de todo mundo”.

Mais do que ter encontrado apoio de quem pensa como ela, continuar falando abertamente sobre seus pensamentos políticos se dá porque Letícia acredita que o que está defendendo é maior do que qualquer ofensa que pode sofrer. “Eu estou junto com pessoas que não estão simplesmente sendo estigmatizadas como eu, no caso, posso vir a ser ou tenha sido. Mas são pessoas que estão sendo assassinadas. É muito grave para pensar se eu vou me calar ou não”, afirma a atriz.

O papel em “Orfãos da Terra”

Na novela das seis, Letícia interpreta Soraia, a primeira mulher do poderoso sheik Aziz Abdallah (Herson Capri) e mãe de Dalila (Alice Wegmann). Durante toda a vida, ela fez de tudo para não irritar o marido e até mesmo não contradizê-lo. Porém, o cenário é transformado quando Soraia se compadece da última esposa do sheik, Laila (Julia Dalavia) e a ajuda a fugir do harém de Aziz. 

A novela é focada em um tema muito atual: a realidade dos refugiados sírios que fogem da guerra. Quando perguntada sobre o assunto, Letícia fez uma crítica direta a quem pensa que imigrantes e refugiados sempre prejudicam o país onde chegam para recomeçar a vida.

“É muito emocionante e importante sentir na pele quem perde suas terras, identidade, família, referência. Não faz isso porque está querendo sacanear o país em que está entrando. É por absoluto desespero. E a gente vai ter cidadãos muito gratos e muito úteis a nós se a gente tiver um país acolhedor, solidário”, pontuou a atriz.

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