Erika Januza enfrentou momentos difíceis para conquistar seu espaço: ‘Passei por muito preconceito’

A atriz de <i>Em Família</i> fala sobre sua trajetória até chegar ao horário nobre da Rede Globo

“Que venha um novo amor… vou amá-lo muito. Mas só se for correspondida, porque amar sozinha não dá”
Foto: Eduardo Biermann

Foi um telefonema que mudou a vida de Erika Januza, 28 anos. Do outro lado da linha, um produtor de elenco da Rede Globo a comunicou: “Você é a nova protagonista da próxima série da Globo”. Mais precisamente de Suburbia, exibida em 2012, com imenso sucesso. É ainda uma lembrança viva para a atriz, que, na época, só chorava. Ela correu para abraçar a mãe, que sempre deu força para a única filha a seguir a carreira artística. “Ela me acompanhava em tudo”, lembra. Hoje, Januza faz seu segundo trabalho na emissora, no papel de Alice, de Em Família, de Manoel Carlos, 81. Mas a luta para chegar até aqui não foi nada fácil.

“Passei por tanto preconceito que estava com a autoestima baixa. Como eu era mais nova, isso me afetava mais”, recorda. Em um concurso de beleza, por exemplo, ao ficar em segundo lugar, Erika ouviu de uma senhora, aos berros, que ela era horrorosa. “Era a avó de uma das participantes, que ficou abaixo na colocação. Foi logo para cima de mim, mas não falou com a primeira colocada”, desabafa. Mesmo ao tocar em um assunto tão difícil, Erika não perde a doçura: “Ser a única negra na disputa, ouvir jurados que torciam por mim, mas saber como eram essas coisas… Os olhares! Nada disso me tornou revoltada. Pensava: ‘Minha vez vai chegar’”.

E chegou. Erika deixou mais de 2 mil candidatas para trás ao ganhar o papel em Suburbia. Ela se esforçou, estudou, faltou ao trabalho e aceitou cortar os longos cabelos ainda durante os testes. No decorrer desse processo até ser escolhida, conta que sua maior emoção foi entrar efetivamente no Projac: “Chorei muito”. Dois anos antes, tinha sido expulsa dali pelos seguranças por tentar tirar uma foto. “Hoje, sou funcionária”, diz, sorrindo.

Erika sente a ausência do pai, que morreu há 8 anos, nesse momento de sucesso. “Queria que ele estivesse vendo tudo. Uma vez, saiu uma foto minha no jornal, pequenininha, em preto e branco, e ele a carregava como um troféu. Fico sentida de não tê-lo aqui para ver tudo isso…”, lembra, enquanto se diverte mergulhando na piscina do Sheraton Barra Hotel & Suites. Mas ela leva para sua vida um ensinamento. “Não vou me deslumbrar de jeito nenhum. Eu mudei só de profissão, porque sou a mesma pessoa. Não tenho ilusão de nada, não acho que sou melhor que ninguém”, afirma a atriz, mineira de Contagem.

Erika Januza enfrentou momentos difíceis para conquistar seu espaço: 'Passei por muito preconceito'

“Já tive uma decepção amorosa muito grande. Nem consigo falar disso agora. Mas estou em um processo de recuperação”
Foto: Eduardo Biermann

A verdade é que sua vida mudou, sim. E muito. Além da profissão, ela agora mora no Rio de Janeiro, convive com os ídolos que estava acostumada a ver na TV e está se preparando para estrear no teatro, vivendo a atriz e cantora Zezé Motta, 65. Só o que não mudou foram seus sonhos. A atriz confessa que ainda quer se casar e ter filhos. “Tenho vontade de casar, ficar noiva com tudo bonitinho. Sou de namorar, desde nova. Sempre tive relacionamentos longos”, afirma.

Superando decepções amorosas

A fisionomia da atriz muda ao relembrar de certas passagens de sua vida afetiva. “Já tive uma decepção amorosa muito grande. Nem consigo falar disso agora. Mas estou em um processo de recuperação”, conta ela, que, mesmo ainda machucada, afirma que não se fechou para o amor. “Estou aberta para a vida. Apesar de ter tido desilusões, continuo romântica e sei que a hora certa vai chegar”. Ao ser perguntada sobre um possível romance com o diretor Luiz Fernando Carvalho, 53, que a descobriu em Suburbia, ela afirma que nunca o namorou: “Espero que um novo amor venha, sou muito romântica. Se for para sofrer, sofro muito. Se for para amar, amo muito. Então, que venha um novo amor… vou amá-lo muito. Mas só se for correspondida, porque amar sozinha não dá!”.

É apenas o começo…

Não é um papel fácil. Na trama de Em Família, Alice (Erika Januza) é obcecada por descobrir a identidade do pai. E, nos próximos capítulos, descobrirá que foi gerada depois que a mãe, Neidinha (Elina de Souza/Jéssica Barbosa), foi estuprada por três homens numa van. “É muito forte ela ser fruto disso. Fiquei muito comovida”, conta.

Erika Januza enfrentou momentos difíceis para conquistar seu espaço: 'Passei por muito preconceito'

À esq.: O primeiro papel de destaque, como a sensual Conceição na série Suburbia. À dir.: Na trama de Em Família, Alice briga com a mãe para conhecer o pai
Foto: Eduardo Biermann