Gabriela Duarte prova que pode ir além da mocinha romântica

Com a Jéssica, de Passione, a atriz mostra um lado mais amadurecido e sensual

A atriz fala sobre as comparações com a 
mãe, Regina Duarte
Foto: Alan Teixeira

Ser filha de Regina Duarte e ainda parecer fisicamente com a eterna Namoradinha do Brasil! Poderia ser melhor? Depende do ponto de vista. Nesta entrevista, Gabriela Duarte, a Jéssica de Passione, confessa que nem sempre foi fácil ser filha da estrela. Não que haja algum problema entre elas. Pelo contrário. “Minha mãe é tudo de bom!”, garante. A questão é que, muitas vezes, foi levada a fazer trabalhos simplesmente para homenagear a veterana – foi o caso de Irmãos Coragem (1995). 

Para complicar, ela só era chamada para fazer a mocinha romântica. E queria algo diferente. Não que se veja como vítima. Gabriela admite que “foi confortável fazer o que a vida estava me levando a fazer”. Mas esse tempo passou. Finalmente, aos 36 anos, a atriz encontrou o que procurava em Jéssica, a filha escandalosa e fogosa de Olavo (Francisco Cuoco). “Espero que isso abra a cabeça das pessoas para que elas vejam que ator deveria poder fazer tudo”. Quem tiver dúvida é só conferir à noite na telinha da Globo.

Jéssica deu outro rumo à sua carreira, não é verdade?
Claro. Vejo atrizes que começaram junto comigo ou até depois e já fizeram 15 novelas. E esta é a minha oitava. Mas tenho muita experiência. Sou atriz há 20 anos, então, é óbvio que consigo identificar uma grande oportunidade. Já na sinopse, falei: “Nossa, não acredito!” Porque é preciso ousar. O que sinto um pouco é que, muitas vezes, ao buscar oportunidades diferentes elas não vêm.

Seria por ser filha da Regina Duarte?
Durante um tempo, o que mais me preocupava era não ter as oportunidades em função de um preconceito. Uma coisa assim: “Ah, é muito parecida, a voz é igual.” Isso me incomoda. Acho minha mãe linda, magra, bacana, simpática… Tudo de bom!  Mas as pessoas acharem que sou ela… Isso incomodaria qualquer um. É uma coisa complicada e eu me sentia de mãos atadas.

Por isso fez poucas novelas?
Foi. Até como uma forma de repensar o que queria do gênero. Se você fica se expondo sempre da mesma forma, não existe um ponto de mudança. Precisava cortar esse ciclo. E acho que há um momento em que nada é mais saudável do que dar uma parada,  uma pensada: “Peraí, esse caminho está bom para mim?” E, na verdade, trabalho nunca foi tudo na minha vida. Sempre precisei ter outras experiências, fazer teatro, viajar, não fazer nada…

E a sua mãe chega a opinar sobre os rumos de sua carreira?
Por incrível que pareça, e espero que isso não decepcione as pessoas, a gente não se encontra muito. A correria da vida, do trabalho… São raros os momentos em que a gente se vê. Mas as críticas dela são sempre bem-vindas.

Ter uma carreira diferente da dela era uma meta pré-definida?
Não. Se tivesse me focado nisso, teria tido outras escolhas quando pude tê-las. Mas não é porque somos mãe e filha que isso precisa ser uma mistureba, uma geleca. Acho que é preciso olhar para os pais de forma crítica. É assim que crio a minha filha. Não quero que ela acate tudo o que eu digo. Os seres humanos são dotados da capacidade de ter opiniões e de contestar.

Jéssica tem revelado uma outra Gabriela para o grande público…
Há um antes e um depois na minha vida. Jéssica faz parte do depois. Mas acho que a Manuela (sua filha, de 4 anos) é muito responsável. Ela me fez amadurecer, colocar os pontos nos “is”, antes que fosse tarde demais. Jéssica faz parte desse divisor de águas. É uma sorte. E espero, de verdade, que isso abra um pouco a cabeça das pessoas para que elas vejam que ator é ator. Deveria poder fazer tudo, ter chances de fazer coisas diferentes. E, algumas vezes, não é exatamente o que acontece.

E como seu marido (o fotógrafo Jairo Goldflus) está encarando essa nova fase com a Jéssica?
Jairo está se comportando maravilhosamente (risos). O mais legal é que, pela primeira vez, ele assiste a um trabalho meu e está empolgado, rindo, se divertindo. Não tem ciúme. Na novela também não há uma relação de amorzinho. É uma bomba de sensualidade, de tesão…

Com isso, seu relacionamento com o Jairo melhorou?
Olha, a gente está sofrendo um pouco com a falta de tempo. Mas a Jéssica está me dando uma nova visão, umas coisas bem interessantes… Um casamento de nove anos, né?! Mas a relação com o Jairo… melhorou, melhorou (risos). 

E as cantadas na rua aumentaram por causa da Jéssica?
Não, acho que não. Tem gente que grita… Outro dia, falaram: “Olha lá a princesa do lixo”. Até cair a ficha, achei que o cara estava me xingando (risos).

Mas a personagem tem tudo para mexer com as fantasias masculinas.
Tomara! Vou adorar (risos)! A proposta é exatamente essa.

Você posaria nua?
Não é uma porta lacrada… Não vou mentir nem fazer a pudica aqui. Não tem valor moral nisso. Para mim, é assim: é bacana, é de bom gosto, tem a ver com a minha personalidade, com as coisas que acredito, com a minha idade? Ué, por que não?

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