Glória Perez: ‘Bruno já foi gay, esquizofrênico e agora é o meu serial killer’

A autora do seriado policial que está bombando na Globo fala dos rumos da história e de Gagliasso no papel de um assassino em série

Glória esta acostumada a criar personagens polêmicos e com grande carga emocional
Foto: TV Globo/Divulgação

Glória Perez realmente não tem medo de enfrentar o desconhecido. Nem há tabu que ela não goste de desfazer. Foi assim com a maternidade de substituição em Barriga de Aluguel (1990), com os relacionamentos via internet em Explode Coração (1995), a clonagem humana em O Clone (2001) e o tráfico internacional de mulheres em Salve Jorge (2012). Agora a escritora mergulhou fundo na mente dos serial killers no seriado Dupla Identidade.
 
A ideia veio do questionamento de Glória ao perceber que não havia tramas recentes protagonizadas por assassinos em série na TV brasileira. “Não tinha nada em português, então eu escrevi. Assim nasceu Dupla Identidade!”, revela a mestra, fã dos seriados de suspense psicológico e de literatura policial.
 
A produção ainda marca uma parceria entre Glória e o ator Bruno Gagliasso, que faz o psicopata Edu. “Poderia passar a noite toda elogiando o talento dele!”, derrete-se a novelista. “Bruno sempre fez papéis difíceis para mim… Já foi gay (em América, de 2005), esquizofrênico (Caminho das Índias, de 2009) e agora é o meu serial killer.”
 
Como foi a escolha do Bruno para fazer o Edu?
Pensei nele para o personagem e assim que contei ele ficou desesperado pelo papel! Mas achava que ele era novo demais e decidi procurar outro ator. Então o Bruno me ligou e disse que ia fazer o teste, sim. Depois do resultado, não deu para imaginar mais ninguém como Edu.
 
Você já havia abordado a psicopatia em tipos como Alicinha (Cristiana Oliveira) em O Clone e Yvone (Letícia Sabatella) em Caminho das Índias. O que o Edu tem de novidade?
Eu já havia criado psicopatas, mas nenhum serial killer. Cerca de 4% da população mundial possui o transtorno da psicopatia, mas dentro desse total há um número pequeno de assassinos em série.
Glória Perez: 'Bruno já foi gay, esquizofrênico e agora é o meu serial killer'

A atriz Yanna Lavigne interpretou a primeira vítima de Edu na produção global
Foto: TV Globo/Divulgação

Mas o tema já havia sido abordado na TV, não?
O saudoso Dias Gomes chegou a fazer uma incursão pelo tema com As Noivas de Copacabana (minissérie global de 1992), mas contando a história pelo ponto de vista das vítimas. Agora o ângulo mudou. Inovamos ao mergulhar na mente do psicopata.
 
E de onde saiu a inspiração para o roteiro sombrio de Dupla Identidade?
As pessoas acham que psicopata é coisa de americano. Por lá, é muito popular essa coisa do caçador de mentes, da série com suspense psicológico. Pensei, então: por que a gente tem de ligar a TV a cabo para assistir a esse tipo de história em outra língua? Vamos fazer esse personagem falar português!
 
De onde vem essa sua paixão pelo gênero policial?
É uma paixão antiga. Gosto muito de séries como The Fall, Criminal Minds, Dexter. Mas, como já disse, esse tema é antiquíssimo. Está também na literatura. Gosto muito dos detetives Hercule Poirot (de Agatha Christie) e Sherlock Holmes (de Arthur Conan Doyle).
 
Mas teve algum caso real que chamou a atenção durante sua pesquisa?
No meu blog, conto a história de Locusta, a primeira assassina em série que se tem registro na história. Isso não significa, no entanto, que não possam ter existido outros antes, mas ela é a primeira reconhecida publicamente. Ela viveu na época do Império Romano e envenenava suas vítimas.
 
Vamos ficar sabendo de mais detalhes sobre a vida do Edu ao longo do seriado?
Não vamos tentar dar uma resposta sobre o motivo de ele ser assim, até porque os próprios especialistas não têm uma. Estamos tentando mostrar que ele é assim e pronto. Não tem nada disso de que ele apanhou na infância e ficou desse jeito. Não vamos levantar nenhuma tese.
Glória Perez: 'Bruno já foi gay, esquizofrênico e agora é o meu serial killer'

Edu caminha com seu novo alvo, a ingênua Ray (Débora Falabella)
Foto: TV Globo/Divulgação

O Edu vai nos dar pistas de quem serão suas próximas vítimas?
Aí vocês vão ter que assistir (risos). Existem alguns psicopatas que se acham enviados e matam determinados grupos. Acham que estão predestinados a livrar a sociedade de um tipo específico, que pode ser, por exemplo, o de prostitutas, gays… Mas o Edu não escolhe, não tem uma característica básica. O foco dele é sempre o poder, a posse sobre a vítima e que não necessariamente é sexual. Ele gosta de se sentir Deus e decidir sobre a vida naquele momento.
 
Salve Jorge também era uma trama policial. Dá para fazer uma comparação entre as duas produções?
Eu acho que as tramas são bem diferentes. Até porque a delegada Helô (Giovanna Antonelli) estava ali atrás das pistas de um crime comum. Desta vez, a personagem da Luana Piovani está diante de um psicopata, tem o desafio de entender os vestígios de uma mente criminosa que ela precisa caçar.
 
Você já bateu o martelo sobre o desfecho do seriado?
Quero ver as reações do público antes de terminar a história. Mas nós vamos surpreender!