Grazi Massafera: “Tem sido libertador não precisar me preocupar tanto com beleza”

A atriz se despiu de vaidade para fazer 'Verdades Secretas'

Esqueça tudo o que você sabe sobre Grazi Massafera. A estrela promete transformar em pó a imagem de boa moça se jogando de cabeça em um dos papéis mais polêmicos da trama global das 23h, Verdades Secretas. Ela interpreta Larissa, uma modelo cuja carreira não decolou e que, para se sustentar, faz parte do book rosa, famigerado catálogo de prostituição de luxo.

Sua personagem, aliás, entra nesse mundo por imposição da mãe, Divanilda (Ana Barroso), que a leva para encontros com executivos. Em busca de alívio para a situação difícil, Larissa ainda vai mergulhar fundo no mundo das drogas. Um caminho possivelmente sem volta para ela. “Descobri que sou uma mulher corajosa”, confidenciou Grazi, que iniciou um processo de transformação – se despindo de qualquer vaidade – para dar conta do papel. Com o tempo, já sabemos, Larissa passará, inclusive, a viver nas ruas, lembrando muito o caso da ex-modelo Loemy Marques, resgatada do inferno do vício por Rodrigo Faro.

A valentia de Grazi nesse novo desafio, aliás, encantou o autor da trama, Walcyr Carrasco, que vem se derretendo de elogios à moça. “Ela ainda será uma das melhores atrizes desse país”, disparou o escritor.

Como você define sua personagem?
Dentro da agência, a Larissa é uma modelo mais velha que as outras. É nítida a diferença, até mesmo para marcar essa questão de que está passando por uma fase bem decadente. Ela está ali na agência, mas vive mesmo é do book rosa.

E como será o envolvimento dela com as drogas?
Ainda não gravamos essas cenas, mas sei que ela usa álcool, cigarro, loló (entorpecente à base de éter e clorofórmio) e MDMA (ecstasy).

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Por que aceitou um trabalho tão polêmico?
Todo mundo me vê como a mocinha, mais sensível, mais doce, chorosa. A Larissa é o contrário de tudo isso, é mais pesada. Quero que as pessoas me vejam de outra forma.

Inspirou-se em alguém para o papel?
A gente teve uma preparação muito grande e a direção sempre aponta mais caminhos. Mas busquei referências… Frequento um pouco o mundo da moda, faço muita publicidade e sempre encontro alguém de energia estranha. Mas não posso falar nomes, claro. Vou guardando isso e, na hora de gravar, puxo pela memória.

Precisou mudar hábitos para entrar no universo dela?
Olha, parei de tomar sol e de pintar o cabelo. Sou solar, adoro endorfina e tudo que vem com o dia. E ela é toda da noite. E como as gravações são mais noturnas, mudei meu horário de dormir. É um papel difícil, mas prazeroso.

Também mudou a hora de aproveitar sua filha, Sofia?
Não, a hora dela é sagrada. Se estou em casa, sou dela. Sofia é minha luz.

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Está mais magra também por conta da personagem?
Sim, mas foi tranquilo, porque para mim é mais fácil emagrecer do que engordar. Mas tudo é feito com muito cuidado e acompanhamento médico. Não fiz dieta. Apenas parei de malhar e perdi massa muscular para ficar bem fininha.

Isso não afeta a sua vaidade?
Tem sido libertador não precisar me preocupar tanto com beleza!

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Como foi conhecer a prostituição de perto durante o seu laboratório?
Uma surpresa. É uma vida muito difícil. Durante o trabalho, elas tentam manter o alto-astral, ficam muito ligadas, têm que lidar com o cliente e tomar cuidado para ninguém passar a perna. Percebi que o vazio dessas meninas acontece quando elas vão para a casa. Ali elas se sentem no buraco.

Por outro lado, fica fácil viver a Larissa porque você também já foi modelo, não?
Fui miss. É diferente. Miss é mais tradicional e até um pouco brega, vamos ser realistas. Acho que modelo é mais moderna e glamourosa. Já fui para algumas agências e ninguém me aceitou. Eu era totalmente over (risos). Modelo precisa ser natural.

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E já recebeu proposta indecente?
Eu sempre afastava, dava um limite, por isso nunca passei por uma situação constrangedora. Sempre fui muito respeitada, até porque tenho um lado bem-humorado, até meio ridículo, que me protege. Lembro que, bem no início, um cara chegou para mim e disse que meus olhos brilhavam até no escuro. Respondi que minha mãe me falou que quando o olho brilha assim no escuro é verme (gargalhadas).

A Larissa terá cenas de sexo. Já se sentiu constrangida?
Claro, a gente fica com vergonha, mas a equipe é muito profissional, de confiança e ajuda no trabalho. É tudo tão bem feito que fica elegante, quase uma coreografia.

Tem receio de como as pessoas vão reagir ao vê-la nesse papel?
Olha, precisei de muita coragem para me arriscar, mas gosto de me colocar em situações de risco. Controlável, claro, porque estou cercada pelo Mauro Mendonça Filho (diretor de núcleo), confio muito nele, e pelo Walcyr Carrasco, que só escreve sucessos. Mas não quero criar expectativas.

E tem medo das críticas?
Sempre acho que ficou muito ruim, sou bem mais crítica do que as próprias pessoas que me criticam. Acho até que elas pegam leve (risos). Mas fiquei mais madura e não sofro mais. Sei separar o que ajuda e o que atrapalha, perceber quando o que escreveram é interessante.

Com tanto trabalho, sobra tempo para dar um jeito nas coisas do coração?
Digamos que eu sou mulher, solteira e saudável (risos).