Guilherme Piva comenta sobre seu trabalho em Pé na Jaca

O ator, que atua como o Nirdo, faz um balanço de seu engraçadíssimo personagem na novela

Guilherme se inspirou nos maquiadores e cabeleireiros de desfiles internacionais 
para compor o personagem
Foto: Rafael Campos

“Um gay, de cabelo loiro, com uma franja igual a da cantora Vanusa”. Assim era descrito o visual de Nirdo, na sinopse de Pé na Jaca. Guilherme Piva, intérprete do personagem, pensou: “Bem, franja igual a da Vanusa vai ser difícil, mas loiro…”Apesar de o diretor Ricardo Waddington dizer que ele não precisaria pintar as madeixas, o ator fez questão. Um alívio para quem, em 2004, foi afastado de Começar de Novo no meio da trama. Na época, Márcio, seu personagem, não agradou. “Abortar um projeto não é a melhor sensação, mas sempre tiro alguma lição. Comecei a achar que eu estava no ‘piloto automático’, que precisava rever conceitos, analisar tudo. Depois, acabei indo morar em Nova York. Foi ótimo! (risos)”, relembra.

Inspiração veio da moda
Em Pé na Jaca, a cada capítulo, os personagens tomavam um rumo diferente. E com Nirdo não deu outra. Nem seu próprio intérprete arrisca dizer se o rapaz era do bem ou do mal. Mas ele não tem dúvida em apontar sua inspiração. “Pensei nos maquiadores, cabeleireiros de desfile de moda internacional, que são mais estrelas do que as manequins”, diz ele. “É muito engraçado aquelas tops lá e eles se achando como se estivessem numa passarela”, diverte-se. “Botei no papel, a celebridade vazia. Gente que aparece muito, mas que, na verdade, não tem um produto”.

Humor como filosofia
Não é à toa que Guilherme arrancou gargalhadas do público ao encarnar Nirdo. “Gosto muito de comédia. Acho que o mundo já é muito difícil. A crítica bem-humorada é uma forma de suavizar, amenizar”, explica. Apesar da preferência pelo gênero, Guilherme admite que gostaria de variar. “Queria trabalhar com personagens diferentes, como um drogado, um louco, tipos fora do padrão emocional convencional. Esses papéis são os que me atraem mais”, confessa.

Longe da polêmica
Quando foi convidado para viver Nirdo, Guilherme ficou apreensivo. “Fazer um gay na telinha é sempre uma coisa muito exposta. Pensei muito em como abordar”, lembra. No final, passou longe da polêmica. “Um amigo viu na internet um movimento tipo: ‘Aí, o que vamos fazer em relação ao Nirdo?’ Ainda bem que não aumentou essa história, porque eu ia me posicionar”, diz Guilherme, que vai além. “O que as pessoas querem? Nirdo é rico, muito bem tratado, não é uma bichinha escorraçada. Pelo contrário. Assim como preto, como hetero, há gay pobre, rico; existe a bichinha quaquá, o executivo… Só pode retratar o que eles querem? Isso é preconceito. Vamos mostrar todos os tipos”, defende.

Próximos passos
Com o fim de Pé na Jaca, Guilherme se volta para o teatro. “Estou produzindo a peça Como É Cruel Viver Assim, do Fernando Ceilão”, adianta o ator, que dividirá o palco com Anderson Müller, Guta Stresser e Sílvia Buarque. No mais, Piva espera a aprovação da Globo de um sitcom que desenvolveu em parceria com Giovanna Antonelli. “Chama-se Par e Ímpar, uma coisa meio em cima de Woody Allen e Diane Keaton, no filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)”, conta.


 

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