Helton e Maria Antonia: os dois são arrogantes, mas por que só um é amado?

O que Maria Antonia teve de ódio nas redes sociais, Helton tem de aprovação.

No episódio do ‘MasterChef Brasil‘ exibido ontem (23) na Band, Helton precisou fazer dupla com sua adversária Juliana N para completar uma lasanha. Os dois não se bicam, e Helton foi demasiadamente grosseiro e arrogante com a colega de time. Enquanto isso, nas redes sociais, a fanbase do jovem cozinheiro (que tem aumentado a cada semana) vibrava com o comportamento não muito legal dele. Isso é muito curioso de se perceber, pois ano passado tínhamos o oposto acontecendo: Maria Antonia, que também dava umas respostas atravessadas aos rivais, chegou a ter sua habilidade de cozinhar questionada pelo público. Por que essa diferença?

Favorito da atual temporada do ‘MasterChef Brasil’, não é muito difícil achar pessoas que torcem por Helton, mesmo com sua personalidade. O garoto tem um talento inegável para cozinhar, mas isso, somado à sua idade, o fez ter uma personalidade um pouco difícil de gostar. Ele se acha, prejudica outras pessoas e cria rixas desnecessárias com seus adversários. Para piorar, parte dos competidores adultos também demonstra uma personalidade bem infantil e retruca as provocações do competidor.

Helton faz dupla com Juliana N no MasterChef Brasil

 (Band/Reprodução)

O favoritismo de Helton fica ainda mais complicado de entender quando lembramos da temporada do ‘MasterChef Brasil’ do ano passado. Uma das participantes mais detestadas do público foi Maria Antonia, que conseguiu vencer a disputa em uma final complicada. Por conta de sua personalidade um pouco mais rude, a participante foi exposta a todo tipo de ofensas nas redes sociais, e muitos duvidaram que ela seria capaz de vencer o programa. Muitos questionaram a vitória, ignorando o fato de que o público de casa nem ao menos comeu os pratos experimentados pelos finalistas.

É possível problematizar um pouco essa mudança de comportamento por parte do público. Embora sejam temporadas diferentes, e com situações diferentes, por que quando uma participante mulher tem características negativas é motivo para rejeição e, na temporada seguinte, o queridinho do público é justamente um garoto com a mesma imaturidade emocional? Por trás disso, é possível enxergar aquele pensamento antiquado de que é “cool” um homem mal humorado, mas que a mulher pode ser apenas doce. Há uma grande rejeição quando uma mulher age da mesma forma de um homem, e esse tipo de comportamento precisa ser combatido.

 (Chuck Zlotnick/Marvel Studios/Reprodução)

Recentemente passamos por um exemplo parecido nos cinemas. Após a estreia do filme da ‘Capitã Marvel‘, uma das críticas mais levantadas por parte do público era o comportamento grosseiro da heroína. Ela não sorria, era antipática e sabia que sua força bastava para resolver qualquer problema, inclusive se esse problema se chamasse Thanos. As críticas à arrogância de Carol Danvers ignorou, no entanto, que na última década houve uma exaltação da personalidade de Tony Stark, o Homem de Ferro. Igualmente antipático, o herói homem virava meme e ganhava aplausos quando fazia as mesmas coisas que criticavam na heroína mulher. O machismo da situação foi bastante discutido na época.

Não estamos aqui propondo que Helton deveria ter o favoritismo cancelado, ou mesmo que as pessoas devam aplaudir o comportamento de Maria Antonia. O importante nesse caso é refletir esse comportamento para que possamos ser justos e coerentes com todas as pessoas. E, no caso do ‘MasterChef’, sempre precisamos lembrar que não podemos julgar a habilidade culinária de um participante cujos pratos não conseguimos experimentar.