Julia Lemmertz opina sobre final de Em Família: ‘Por mim, Helena acabaria sozinha’

A atriz chega aos 51 com um corpaço de dar inveja, feliz no amor e estrela da novela das 9

Julia Lemmertz opina sobre final de Em Família: 'Por mim, Helena acabaria sozinha'

“Prefiro que as coisas tenham a importância que têm no momento em que estão acontecendo. E pronto. Amanhã é outro dia, mas o que está acontecendo é agora”
Foto: Daryan Dornelles

Julia Lemmertz, 51, indicada na categoria de Melhor Atriz do 16º Prêmio CONTIGO! de TV, resume como “parceria de vida” o combustível que move seu casamento com Alexandre Borges, 48, há 21 anos: “Nossa relação está na maioridade, já passou pela infância e pela adolescência. Temos muita história. Somos independentes, com os filhos criados, se não valesse a pena, não teria por que estarmos juntos”, reconhece ela. Mãe de dois – Miguel, 13, e Luiza, 26 -, a atriz não se vê tendo outro filho, mesmo adotado. “Alê fala em adoção, já teve época de falar mais. Só que a gente vai ficando meio cansado. Criança pequena dá trabalho”, explica ela. Apesar disso, diz que não vê a hora de ser avó. “Vou enlouquecer. Sou capaz de largar tudo para cuidar do meu neto.”

Protagonista da novela Em Família, Julia surpreendeu o público recentemente ao exibir uma impressionante boa forma em cena sensual da trama de Manoel Carlos. Um corpo moldado por anos de alimentação regrada (nada de enlatados, embutidos e refrigerantes), trabalho de alongamento, meditação (“Que me ajuda na concentração e melhora o sono”) e atividade física constante. A mais recente paixão é o stand-up paddle. “Só preciso de um mar calminho”, diz ela, que já fez ioga e malhação, mas gosta mesmo é de caminhar com o marido pela Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio.

Em casa, Julia contraria a torcida que arrisca um final feliz para sua personagem Helena, a última do autor. Alexandre e Miguel querem que a personagem termine ao lado de Virgílio (Humberto Martins, 53) e não com Laerte (Gabriel Braga Nunes, 41). Já Luiza, que é filha de sua união com o produtor Álvaro Osório, 62, não participa desse momento porque mora em São Paulo, onde faz teatro no Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), do diretor Antunes Filho, 84. “Por mim, Helena acabaria sozinha. Laerte cumpriu a pena dele, viajou, estudou, casou, teve sucesso na vida. E Helena ficou na sola do sapato sempre. Ela fica com Virgílio para tentar reparar uma coisa do passado”, avalia Julia.

A atriz se identifica com Helena em alguns pontos. “Minha personagem é uma mãe dedicada, amorosa, acho que também sou. É meio mãezona de todo mundo. Tem o mesmo pavio curto que eu, às vezes, também tenho. É impaciente e eu também sou…”, detalha. Mas a atriz faz uma pausa e critica o senso de justiça da protagonista de Em Família: “Ela é muito justiceira no sentido de que as coisas sejam reparadas. E na vida nem sempre é assim. Tem o meio-termo”. E prossegue: “Ela tem uma mágoa, um ressentimento guardado que eu não tenho. Não deixa que o tempo cure as feridas. Sou justamente o contrário. Prefiro que as coisas tenham a importância que têm no momento em que estão acontecendo. E pronto. Amanhã é outro dia, mas o que está acontecendo é agora”, ensina.

Julia Lemmertz opina sobre final de Em Família: 'Por mim, Helena acabaria sozinha'

“Eu não fui mimada não. Fui amada pela minha mãe, pelos meus pais!”
Foto: Daryan Dornelles

Infância nos camarins

Para Julia, os fortes confrontos de Helena com a filha, Luiza (Bruna Marquezine, 18), podem ser resultado do excesso de mimo que a garota recebeu. “É o que a estraga”, sintetiza a atriz. “Eu não fui mimada, não. Fui amada pela minha mãe, pelos meus pais (os atores Lilian Lemmertz e Lineu Dias, ambos já falecidos). Eu ficava nos camarins ou com meu pai, quando só minha mãe estava em cartaz. Ia para casa da minha avó, passava umas temporadas lá. Mas nada sofrido, tudo bom. A gente sobrevive a tudo”, relembra.

Como mãe, ela garante que não enfrenta esse dilema. “Tive quase dois filhos únicos. Foram duas crianças muito bacanas, nunca me deram trabalho. Miguel e Luiza são muito sensíveis, do bem, amorosos, companheiros da gente. Entendem o trabalho, a loucura que é ser ator e, quando podemos, ficamos todos juntos.”

Julia confessa o desejo de se tornar avó. “Não penso ainda em cobrar um neto de Luiza, apesar de eu ter sido mãe aos 24”, diz. Mas isso não impede de ela imaginar sua reação quando tiver que desempenhar o papel. “Sou capaz de deixar Luiza trabalhar e ficar em casa com o bebê. Vou ficar completamente louca. Vou ser como Renata Sorrah (67), que ficou assim quando nasceu o Miguel (7), o primeiro neto dela”, brinca.

Julia sabe que, quando ficou grávida pela primeira vez, vivia uma situação diferente de sua filha. “É outro tempo. Com 23 anos eu já não tinha mais a minha mãe e já trabalhava desde os 18. Luiza está fazendo uma carreira diferente de mim. Com 25 está no início profissional. Ainda vai demorar para engravidar. E Alê não está preparado para ser avô. Vai ser demais para ele”, diverte-se.

Apesar do mito de que filho homem sempre se identifica mais com o pai, Julia não tem o que reclamar da relação com Miguel. “Ele fala tudo para mim. A gente conversa muito, somos muitos sinceros, parceiros.” Mas admite que há confidências que são feitas com o pai. “Eles têm uma identificação grande, os dois têm o mesmo humor e são bem parecidos.” Ela acrescenta que o garoto é muito extrovertido e já manifesta o que quer ser profissionalmente. “Outro dia falou que queria ser repórter, depois Homem do Tempo, ou então ser o editor-chefe do Jornal Nacional. O ídolo dele é William Bonner (50). Já vai para chefe (risos). Eu digo: ‘Seja lá o que você for fazer, tem de estudar, ter formação e responsabilidade’.”

“Vou ficar completamente louca (quando tiver um neto)”
Foto: Daryan Dornelles

“Ele é incrível”

Julia Lemmertz define com uma frase seu casamento com Alexandre Borges, que chega aos 21 anos: “É o amor e a vontade de ficar junto”. Do relacionamento, eles tiveram um filho, Miguel, 13. “Ainda está valendo a pena, por isso estamos juntos. É uma parceria de vida. Temos muita história. Somos independentes, com os filhos criados, se não valesse a pena não teria por que estarmos juntos. Tem de ter uma vontade para que a coisa aconteça”, explica ao falar do casamento. Julia acredita ainda que, quando uma relação chega à maioridade, o que se vê pela frente são novas descobertas a dois. “Agora mesmo queremos fazer um projeto de teatro ou de cinema juntos. Gosto e sinto falta de trabalhar com Alê. Ele é incrível!”, elogia.

A atriz diz que ela e o marido se dedicam à manutenção do romantismo na relação. Mas admite que esse clima não é o mesmo do início do relacionamento. “Claro que muda. É de fases. Agora eu estou em um período em que ando trabalhando muito, gravando muito, então não vejo ninguém. Mas a gente entende que é um momento, uma fase, que logo mais isso passa, a gente viaja e retoma a nossa vida.”

Atualmente, Julia anda muito orgulhosa da recente estreia de Alexandre como diretor teatral, na peça Uma Pilha de Pratos na Cozinha, de Mário Bortolotto, que estreou no Rio de Janeiro. Mas não tem a pretensão de seguir os mesmos passos. “Mal dou conta de mim mesma, de ser atriz. Tenho um marido que dirige, isso já está ótimo.” Julia dá uma gargalhada ao saber que o marido é defensor da tese de que aos 50 anos aparecem bons personagens, mas já não dá mais para encarar uma balada. “Até daria, mas a conta vem ‘detalhada’ no dia seguinte. Sua cara não vai estar boa…”, diz Julia rindo. A atriz, portanto, não é de noitadas. “Não sou de sair, de beber. Só vou fazer isso, ir a uma festa, dançar, se, no dia seguinte, não tiver trabalho.”

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Foto: Daryan Dornelles