Lázaro Ramos: “Zé Maria vai contar uma linda história de amor”

O ator se confessa apaixonado pelos seus dois novos papéis: o de pai, na vida real, e o Zé Maria, em "Lado a Lado"

Lázaro Ramos fala sobre sua parceria com Camila Pitanga e a relação com o filho João Vicente, de 1 ano
Foto: TV Globo/Divulgação

Ele ficou fora das novelas apenas um ano, mas, quem não o vê desde “Insensato Coração” (2011), se surpreende com as novidades. De lá para cá, Lázaro Ramos virou pai (de João Vicente, 1 ano, fruto de seu casamento com a atriz Taís Araújo), se orgulha ao ver a montagem de “Paparutas”, peça escrita por ele, e deu um tempo em seus projetos para viver o capoeirista Zé Maria, um dos protagonistas de “Lado a Lado“.

Aliás, se não fosse por ele, talvez a trama de Cláudia Lage e João Ximenes Braga nem tivesse saído do papel. Pelo menos, foi o que revelou Gilberto Braga, supervisor de texto, durante a coletiva de lançamento da novela. “Disse: ‘se não tiver Lázaro, é melhor não fazer'”. “Não cria o monstro!”, brincou João. Gilberto rebateu: “O monstro já está criado!”

Com um elogio desses, e vindo do autor veterano, a vida não podia estar melhor para o baiano, de 33 anos, não é mesmo? Para retribuir, o ator arregaçou as mangas (e as calças) e entrou de cabeça nas aulas de capoeira, de história e nas reflexões que a novela propõe. De tão animado com o trabalho, Lázaro, que sempre reluta em revelar detalhes da vida pessoal, abriu o verbo.

Racismo
“Discriminação?! Já senti várias vezes, mas estou preparado para enfrentar com autoestima, sabedoria e tendo o conhecimento que tenho dos meus direitos.”

Atores negros
“Há muita gente talentosa e espero que esses atores tenham a mesma oportunidade da gente, de protagonizar, de contar histórias… A tendência é essa. É tanta gente bacana que o mercado tem de incorporar: Rafael Zulu, Flávio Bauraqui, Sheron Menezzes, Juliana Alves… E isso só entre os que passaram pela Globo.”

Amor desmedido!
“Filho é muito melhor do que iPad. É uma coisa maravilhosa, um amor desmedido. Graças a Deus, (o João) está saudável, crescendo bem e muito amado.”

Experência de ser pai
“Sou um pai muito presente. Esse é um assunto importante para debatermos. Às vezes, os homens não aproveitam o privilégio que é ser um pai presente, cuidando do filho, ajudando-o a crescer e a se desenvolver. A famosa paternidade responsável. Procuro seguir esse modelo, até porque eu tive um pai que foi assim.”

Exemplo de vida
“Quando penso assim… ‘Qual é o melhor exemplo que eu tenho na vida?’ É meu pai (Ivan). Um cara responsável, que saiu de uma cidade pequena, se formou, me deu a melhor educação possível. Sempre foi presente e quero ser esse pai também. Espero que um dia, se meu filho for dar uma entrevista, diga isso de mim.”

Se não tiver Lázaro…
“Fui chamado (para “Lado a Lado”) antes de “Insensato Coração” (2011). Aí, falei: ‘Espera aí, gente, vamos primeiro terminar essa e depois a gente vê (risos).’ Novela é uma força-tarefa. Fiz quatro e cada vez tinha esperança de conseguir fazer teatro, cinema, junto. E não dá. É uma dedicação que tem que ser total.”

Trabalho da esposa
“Acompanho “Cheias de Charme”. Adoro a novela! Eles estão arrebentando. E agora a Taís é disputada por três, né? Mas estou todo errado, porque torço para o Sandro (Marcos Palmeira). Eu sei que ninguém quer… Mas o Sandro ama a Penha.”

Peça infantil
“Tenho um projeto bonitinho: a peça infantil “Paparutas”, que escrevi em 2000 e está no Teatro Fashion Mall, no Rio. É sobre a autoestima. Uma menina do mundo da fantasia se encontra com um menino da vida real. E vivem uma aventura em busca da autoestima.”

Grande parceira
Camila Pitanga é uma grande companheira, espero trabalhar muito com ela ainda. É a quarta vez que a gente se encontra. Fizemos “Pastores da Noite” (2002), “Saneamento Básico – O Filme” (2007), “Insensato Coração” e agora. E é bom contracenar com uma pessoa que você gosta e admira. Ela é uma parceira que espero levar para a vida, assim como outros que estou reencontrando, como Caio Blat, que eu não via desde “Carandiru” (2003), Milton Gonçalves, Sheron Menezzes…”

Zé Maria
“Apesar de ser do combate, da capoeira, a função do Zé Maria na novela é contar uma linda história de amor. Ele é absolutamente apaixonado pela Isabel (Camila Pitanga). Mas o bonito do personagem é que ele tem esperança de construir um novo Brasil, 15 anos depois da libertação dos escravos.”