Malvino Salvador: “Nunca vivi um personagem com uma veia trágica assim”

Malvino Salvador garante estar se dedicando de corpo e alma ao seu personagem em Amor à Vida

Malvino Salvador interpreta o Bruno de Amor à Vida
Foto: Divulgação/TV Globo

Malvino Salvador é Bruno, um corretor de imóveis que enfrenta o dilema de levar para casa um bebê achado em uma caçamba de lixo e ainda se apaixonar, sem saber, pela mãe da criança, papel interpretado por Paolla Oliveira. Com o passar do tempo, esse amor vira uma guerra judicial pela sua guarda. Aos 37 anos, apesar de colecionar bons trabalhos, Malvino garante nunca ter vivido um personagem com tanta dramaticidade. O filho mais famoso de Manaus (AM) comenta, entusiasmado, sobre seu novo trabalho.

O que esse personagem tão intenso acrescenta em sua carreira?
Primeiro, ele tem uma nuance dramática muito forte. Nunca vivi um personagem com uma veia trágica assim. Está sendo muito compensador interpretá-lo. A história é maravilhosa.

A cena em que ele acha a Paulinha (Klara Castanho) foi emocionante…
Foi mesmo. O capítulo todo foi muito intenso. Num mesmo dia Bruno perdeu tudo o que amava e experimentou a possibilidade de recomeçar sua vida.

E ele se apega à Paulinha como se ela fosse uma tábua de salvação.
Ela será um porto seguro para ele em questão de amor. Até porque o Bruno carrega a tristeza da tragédia de perder mulher e filho no mesmo dia. E esse sentimento é o mais profundo de dor que um ser humano pode sentir.

Malvino Salvador: "Nunca vivi um personagem com uma veia trágica assim"

Malvino Salvador e Paolla Oliveira em cenas de Amor à Vida
Foto: Divulgação/TV Globo

Paloma e Bruno se apaixonam. Como ficará essa história?
Vai ser complicado… O destino, às vezes, prega cada peça! Ele vai colocar o Bruno ao lado da mulher que é mãe da filha dele e que ainda não sabe que a filha desaparecida que ela tanto procura está tão perto…

Quando a verdade vier à tona…
Vai ter muita briga. É lógico que Paloma acaba descobrindo que a Paulinha é a filha que ela vem procurando há tanto tempo e passa a acreditar que foi ele (Bruno) quem a roubou. A partir daí os dois passam a brigar na Justiça por essa criança .

Ela ganha a guarda da filha?
Em determinado momento parece que a criança vai para o seio da mãe. Aí começa outra questão: como será viver com uma pessoa com quem ela nunca conviveu?

É o que acontece com diversas histórias de crianças roubadas.
O autor optou pelo cunho social mesmo. Além do dilema da adoção, ainda tem a história de um cara de classe média baixa que se apaixona por uma mulher rica. E é claro que ele não conta a história real de como a menina foi parar em suas mãos.

Você contaria?
É difícil julgar, né? Não sei mesmo! É uma situação complicada!

Fica difícil construir um amor em cima de uma mentira como essa?
Acho que ele não mentiu, apenas omitiu como tudo aconteceu. Aos olhos da lei ele agiu errado. Bruno deveria ter ido a um juizado e contado: “Olha, encontrei esta criança abandonada numa caçamba de lixo”. Mas, num país onde você sabe que muitas mães abandonam seus filhos no lixo, na hora não passa pela cabeça dele que a criança tenha sido roubada da mãe. Como existe muita burocracia para adotar, ele toma a atitude de levar o bebê para casa. Apesar de não ter justificativa, ele estava ali no desejo de ter o coração amparado de toda a tragédia que viveu.

Como foi a sua preparação para encarar tanto drama na novela?
O trabalho que venho fazendo é em conjunto com o preparador de elenco Sergio Pena. Antes de gravar, batemos vários papos com os outros atores que interpretam a família do Bruno, como a Eliane Giardini, que é sua mãe, para entender qual é a posição do ator em relação ao tema. Além disso, é uma história muito real e verdadeira. A gente vê muitos casos como esse na televisão, de crianças desaparecidas e que, depois de serem encontradas, vivem outro drama, que é a readaptação a uma nova realidade. É um novo começo muito difícil.

Além da novela, você ainda tem um filme para ser rodado este ano?
Tem o filme sobre a vida do lutador de MMA José Aldo, que é uma história que fala sobre superação. Mas, como o mais importante é ter uma boa história, o roteiro ainda está sendo finalizado. No momento, estou mergulhado no universo do Bruno e no de Amor à Vida.

Você é pai fora e dentro de cena (sua filha, Sofia, tem 3 anos). Existe fórmula para educar?
Com certeza não, mas acho que a criança tem que ser educada para o mundo. Tem que saber respeitar os outros, amar ao próximo e aprender a lutar pelas coisas que deseja. Mas existem tantas coisas que a gente deve falar sobre educação que acho que talvez eu não seja a pessoa mais indicada para abordar o assunto. Quem sabe um sociólogo?