Marcos Palmeira em seu armazém: “Não estou fechado, mas não estou desesperado atrás de alguém”

Ator mostra sua loja no Rio e fala sobre o momento que está vivendo

Marcos Palmeira mostra sua loja, o Armazém Vale das Palmeiras
Foto: Marcos Pinto

Que tal entrar em um armazém, encher a cesta de produtos orgânicos, se dirigir ao balcão e o caixa ser Marcos Palmeira, 50 anos? E ele ainda dizer: “Eu sei exatamente de onde vem esta maçã que você está levando”. Pois isso é uma realidade no Armazém Vale das Palmeiras, no Leblon, bairro nobre carioca. “Meu marido não vive mais sem o seu queijo!”, elogia uma freguesa, referindo-se a um dos itens que o ator produz em sua fazenda, na região serrana do Rio, e que pode ser encontrado no estabelecimento de que é dono. Sim, pode conversar com Palmeira, que é entusiasmado e faz questão de papear com a clientela. É só ele sair do Projac que já vai bater ponto no balcão do armazém, que abriu em fevereiro. E ele curte isso.

“Desde que eu tenho a fazenda, há 17 anos, sinto vontade de chegar até o consumidor. E não é uma loja light, diet… O consumidor vem buscar saúde”, diz, entre goles de suco verde. Palmeira produz e vende alimentos sem agrotóxicos, adubo químico, e isso tornou-se mais que uma paixão, tornou-se uma filosofia madura de vida. “Esse mundo me interessa muito. Hoje sou responsável pelo que produzo”, explica o empresário verde e ator, que interpreta Cazuza, em Saramandaia. “E tudo pode ser orgânico. Aqui a gente vende hambúrguer de soja orgânico.” Com um iogurte à mão, a filha, Júlia, 6, de seu casamento com a diretora Amora Mautner, 38, chega à loja. Com uniforme da escola, enche o pai de beijos.

No aniversário dela, no próximo sábado (21), o ator fará questão de servir produtos orgânicos. Vai ter bolo, brigadeiro e hot dog. “É uma mulher do projeto Favela Orgânica, do morro do Chapéu Mangueira (no Leme), que vai fazer a festa. Estou sempre buscando novas parcerias”, avisa Marcos. Na comemoração de seus 50 anos, completados no mês passado, o ator também serviu um bufê orgânico para mais de 500 convidados. “Tinha risoto de shitake, escondidinho de frango… Até para as pessoas entenderem que tudo pode ser orgânico e bom. Vinho, cachaça, tudo”, diz.

Marcos Palmeira em seu armazém: "Não estou fechado, mas não estou desesperado atrás de alguém"

Quem resiste? Esse é um dos sucessos de seu armazém, o suco verde
Foto: Marcos Pinto

Quentinhas no Projac

Porém, Marcos Palmeira faz questão de frisar: não é mais um “xiita” em relação ao assunto. Admite que no início perdeu a mão. “Hoje eu acho que tudo tem seu tempo. Não fico patrulhando ninguém.” Nem a filha, que não gosta de fast food, nem toma refrigerante. “Mas não a proíbo de nada”, garante. Na correria do dia a dia, Palmeira tenta manter sua alimentação saudável levando quentinhas para o Projac. Mas, se tiver de comer uma picanha malpassada, não vai se privar da gula. “Não sou mais radical. Vou à churrascaria, tomo minha cervejinha. Se eu for à casa de alguém e me oferecerem pastel, vou comer. Mas eu sei diferenciar o que é um hábito alimentar de um desejo, de um momento. Não se pode ter desejo toda hora (risos).” Mesmo com os cuidados alimentares, Marcos Palmeira credita sua aparência jovial mais a seu bom humor do que ao que come à mesa. “Sou um cara que dificilmente você vai ver de mau humor. Até fico estressado de vez em quando, mas logo passa”, afirma ele, que faz exercícios e se trata com medicina antroposófica. “Se tenho dor de cabeça, não tomo remédio, seguro a onda. Claro que, se eu ficar muito doente, vou tomar alguma coisa. Mas tem gente que fica reclamando que está ficando gripada e toma um monte de remédios. Eu bebo muita água, tomo vitamina C e procuro repousar.”

Filhos, bom a qualquer hora

Mas esse ator e balconista simpático não é agora assediado por dois públicos? Bem, ele está solteiro, mas não está com pressa de achar sua mais nova cara-metade. Mas, se ela aparecer… “Não estou fechado, mas também não estou desesperado atrás de alguém. E este momento de independência é bom para mim, sempre emendei um relacionamento no outro”, avalia. Sobre filhos, ele confessa que gostaria de aumentar a prole. “Ser pai foi a coisa mais incrível que aconteceu na minha vida. Hoje eu entendo o que minha mãe dizia, que eu deveria ser pai, que era algo importante. Eu sempre achava que não era a hora certa, que não estava preparado… E ela falava que tudo se ajeitava. Claro que não é para ser algo inconsequente, com qualquer pessoa, mas acho que podia ser pai mais cedo”, diz. Ele pensa um pouco, reflete e diz: “Mas foi a hora certa, no que diz respeito à minha estrutura, a estar preparado para a paternidade”.

Com o Armazém cheio, o ator mostra-se ansioso para atender os clientes. E vender, claro. “Acho que sou um bom vendedor, porque gosto muito do que faço. Mostro os produtos que as pessoas não conhecem… Só não consigo guardar na cabeça os preços. Já tenho de decorar texto de novela, né?”, brinca. E o fato de ser celebridade ajuda no faturamento? “Acho que as pessoas podem ficar curiosas, mas é muito difícil ser empresário no Brasil. É feito para não dar certo. É feito para você ‘dar um jeito’. E eu não estou aqui para dar esse ‘jeito’. Estou aqui para produzir”, diz convincente.

ESTA ENTREVISTA FAZ PARTE DA EDIÇÃO 1983 DA REVISTA CONTIGO!, NAS BANCAS A PARTIR DE 19/09/2013.

Marcos Palmeira em seu armazém: "Não estou fechado, mas não estou desesperado atrás de alguém"

O ator produz os itens em sua fazenda, na região serrana do Rio
Foto: Marcos Pinto

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