Murilo Benício sobre Amores Roubados: “Acredito ter conseguido criar uma pessoa que não sou eu”

Acostumado a viver tipos diferentes, Murilo Benício diz ter conseguido com o poderoso e barbudo Jaime, de Amores Roubados, uma figura na qual não se reconhece em cena

Murilo Benício
Foto: TV Globo/Divulgação

 
Minucioso e detalhista no processo de composição de seus personagens, Murilo Benício sempre brinda o público com atuações marcantes e diferenciadas. E esse exercício teve mais um desafio na elaboração do forte e impetuoso Jaime, dono da fictícia vinícola Vieira Braga, da minissérie Amores Roubados. “Hoje, que o vejo pronto, não percebo grandes desafios. Mas, antes de conseguir chegar a ele, parecia impossível! Acredito ter conseguido criar uma pessoa que não seja eu. Mas pensar que você vai chegar a esse resultado do ponto de partida é extremamente difícil. Achei o tempo inteiro que não ia conseguir”, revela o ator.
 
Curiosamente, ele topou com uma ideia de composição quase que “por acaso”. Durante uma temporada de férias em Nova York com a namorada, a atriz Débora Falabella, ele deu uma olhada mais demorada para a nota de 50 dólares e percebeu que a figura ali impressa o inspirava. “A barba cheia do general Ulysses S. Grant era um detalhe poderoso. Coisa de quem manda”, ressalta o intérprete, que acabou deixando os pelos crescerem tanto que não via a hora de raspá-los (como de fato o fez assim que terminaram as gravações em estúdio no Rio, no começo de dezembro).
 
A trama, baseada no romance A Emparedada da Rua Nova, de Carneiro Vilela, ganhou afeição extra do ator por seu processo incomum de produção, que contou com a viagem do elenco ao Nordeste, a cidades como Petrolina (PE) e Paulo Afonso (BA), onde literalmente moraram durante três meses. “É uma novela escrita a partir de um cordel, que durou três anos no Recife e foi comprimida em apenas dez capítulos. Tudo feito com um cuidado enorme”, valoriza ele, que, na adaptação de George Moura, se vê envolvido em um conflito ao perceber que a mulher, Isabel (Patricia Pillar), e a filha, Antônia (Isis Valverde), têm um caso com o mesmo homem, Leandro (Cauã Reymond).
 
Amores Roubados é uma aposta da Globo pela produção diferenciada. O que vem pela frente?
É um processo muito especial de produção, esse novo projeto. A gente teve uma forma diferente de trabalhar, de ensaiar. Em meio a isso tudo, passamos por viagens, que aproximam toda a equipe. Veremos na tela uma bela parceria entre a direção do José Luiz Villamarim e a fotografia do Waltinho (Walter Carvalho) em todas as cenas. Essa unidade no trabalho faz com que o resultado tenha uma identidade maior, e isso torna tudo mais especial. Foram cinco meses para fazer dez capítulos. Isso, para mim, é inédito em qualquer lugar e dá a dimensão de como Amores Roubados foi cuidada.
 
A escalação do elenco também foi distinta, não?
Esse é outro aspecto que merece destaque: a mistura de atores da TV – da Globo, no caso – com os da região, que não necessariamente fazem televisão. É um dos grandes achados da minissérie, porque um grupo inspirou o outro. A gente teve flexibilidade de propor ideias, e as boas sugestões sempre ganhavam, de forma que o Zé (diretor) abria mão do pensamento original dele. Era uma coisa muito artesanal e aberta, dentro de uma adaptação de uma história de cordel. O resultado é muito impactante e interessante ao mesmo tempo.
 
A linguagem é muito diferente de seus trabalhos anteriores…
Muito diferente, principalmente o sotaque. No começo, é extremamente difícil, porque tem aquele ridículo de você fazer um jeito novo de falar. É complicado até que aquilo se torne natural na sua interpretação. Mas, por passar bastante tempo na região e conversar com as pessoas, criou- se um processo.
 
O Tufão foi traído em Avenida Brasil (2012) e agora, o Jaime. Está se especializando (risos)?
Se é bom, se é rico, eu faço 500 vezes o personagem traído (risos). Para mim, o chato é fazer o mocinho bobo, enquanto o que é “corneado” tem muitas oportunidades para se trabalhar. E o Jaime é traído de uma forma completamente diferente da do Tufão.
Murilo Benício sobre Amores Roubados: "Acredito ter conseguido criar uma pessoa que não sou eu"

Ao lado de Adriana Esteves em Avenida Brasil
Foto: TV Globo/Divulgação

O resultado da minissérie está dentro da sua expectativa?
Não tem como prever a reação do público, né? Lembro que encontrei Manoel Martins (diretor de entretenimento da TV Globo) nos corredores da emissora e ele me perguntou se a minissérie seria um sucesso. Eu disse: “Se vai ser ou não, é difícil dar um palpite, só sei que o produto é muito bom”. Esse é o nosso orgulho, estamos felizes com o resultado.
 
E como você chegou ao visual final do Jaime?
Depois que vi a figura na nota de 50 dólares, numa das viagens que fiz com a Débora (Falabella) para Nova York, liguei para o Zé e fiz a proposta. Ele aceitou. Acontece que deixei crescer muito mais que a da figura. Essa barba me deu um trabalho danado. Coçava muito. Sabe que eu tinha sempre que lavar usando xampu e secar com secador? Estava doido para tirar aquilo fora!
 
A Débora gostou da mudança de um namorado lisinho para um barbudão?
Claro! Como atriz, ela entende que, se eu ainda estou buscando, é porque me sinto em plena atividade. O fato de querer fazer diferente mostra o quanto estamos vivos. Ela curtiu a barba e acompanhou de perto o meu sofrimento.
Murilo Benício sobre Amores Roubados: "Acredito ter conseguido criar uma pessoa que não sou eu"

Ao lado da namorada Debora Falabella
Foto: TV Globo/Divulgação

 

 

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