Nanda Costa: “Tenho a garra e a determinação de Morena”

No ar em Salve Jorge, a atriz fala sobre a expectativa de fazer sua primeira protagonista e seu trabalho no cinema nacional

Nanda Costa na pele de Morena, em uma das cenas que gravou na Túrqui
Foto: TV Globo/Divulgação

Apesar da premiada carreira no cinema, o rosto de Nanda Costa ainda é uma novidade para o grande público. E foi por causa de seus trabalhos na telona que ela teve a chance de protagonizar sua primeira novela das 9. Depois de assistir à atuação de Nanda no longa Sonhos Roubados (2010), no qual dá vida a uma prostituta de comunidade, Gloria Perez não teve dúvidas de que a menina era a melhor escolha para ser a grande estrela de Salve Jorge.

Como você reagiu quando soube que iria protagonizar sua primeira novela das 9?
Foi um susto na verdade. Quando a Gloria me ligou, eu tinha acabado de acordar, ainda estava meio sonolenta. Ela nem tinha dito que era para ser protagonista. Na época, eu estava escalada para Cheias de Charme, nem sei direito qual era a personagem… Na sequência, a Denise Saraceni telefonou para comunicar que tinha me liberado, porque era para eu protagonizar Salve Jorge.

Fala a verdade. Interpretar a protagonista de uma novela das 9 dá um frio a mais na barriga?
Claro! Mas eu procuro não pensar muito nisso. Tem bastante trabalho para ser feito junto com esse rótulo. Esse é o meu maior desafio na televisão, sem dúvida, até pelo volume de trabalho que aumentou bastante. Mas eu sempre me comprometi com as minhas personagens da mesma forma. A entrega e a determinação é a mesma.

Em uma emissora com um elenco cheio de estrelas, por que acha que foi a escolhida para contar a dramática história de Morena?
Devo isso ao cinema. Na TV, fiz poucas coisas, mas na telona tenho tido mais espaço. Foi depois de a Gloria assistir a Sonhos Roubados, em que interpretei a prostituta Jéssica, que ela viu que eu poderia fazer a Morena. Não esperava protagonizar uma novela. Foi uma surpresa para mim.

Nanda Costa: "Tenho a garra e a determinação de Morena"

A atriz como Jéssica, no filme “Sonhos Roubados”, onde ela viveu uma prostituta
Foto: Divulgação

Que caminhos você buscou para mergulhar no universo de uma personagem complexa como essa?
Sem saber, acabei fazendo uma preparação lá atrás, quando fiz a Jéssica em Sonhos Roubados, que também tem um filho pequeno. Para agregar, além do workshop da Globo, em que tivemos contato com meninas que foram traficadas e pais que tiveram suas filhas mortas, li o livro O Ano em Que Trafiquei Mulheres, do Antonio Salas, vi o filme Tráfico Humano (2005)… Também fiz algumas visitas ao Morro do Alemão (no Rio de Janeiro), conversei com moradores e fui a um baile funk.

O figurino da Morena é todo justinho. Isso fez com que se preocupasse mais com seu corpo?
Estou malhando diariamente duas horas por dia e fazendo muita aula de dança. Morena pede esse corpo. Ela tem uma vida muito corrida. Acorda cedo, sobe morro, desce morro… As meninas de lá têm as pernas mais torneadas, mais saradinhas e tal.

E você está gostando do resultado quando se olha no espelho? Curtiu virar a gostosa da comunidade?
Eu gosto de ter o corpo que a personagem pede. Não tenho muito essa vaidade de estar sempre bonita e tal. E tenho a vaidade de estar com o que a personagem precisa. Então, quando fiz Febre do Rato (2011), em que eu não estava com o corpo trabalhado, não me incomodou no vídeo. O próprio diretor (Cláudio Assis) falou: “Você quer que a gente bote um Photoshop?” Eu respondi: “Não! Eu quero que apareça o corpo que eu tenho, porque depois vão tirar uma foto minha de biquíni na praia e vão falar: ‘Enganou a gente!'”. Prefiro ser o que sou. Se for pra ter um corpo bonito, eu vou trabalhar bem antes para conseguir isso.

Fazendo um paralelo entre a realidade e a ficção, o que você e a Morena têm em comum?
Acredito que tenho a garra e a determinação dela. Saí de casa muito cedo. Eu sempre soube que ia ser atriz e essa minha fibra assustava a minha família, porque eles tinham medo de que eu me decepcionasse. Aos 14 anos fui morar em São Paulo, fiquei em pensionato de freira e até em casa de professores. Fui passando muito perrengue! Então, assim como a personagem, me acho focada e guerreira.