Paulo Betti: ‘O Téo tem esse lado escandaloso e desmunhecado, mas também é humano e solitário!’

O astro fala da experiência de fazer o fofoqueiro de Império, que está dando o que falar com sua maledicência e picardia

O ator defende seu personagem e garante que ele é humano! Sei…
Foto: Denis Ferreira Neto

A língua ferina e o jeito debochado do jornalista Téo Pereira já foram motivos de muita risada do público que acompanha a novela global das 9. Prestes a completar 62 anos, o querido ator Paulo Betti, um artista que costuma deixar sua marca em personagens que se tornam memoráveis, arrasa em mais este desafio.
 
Mas até chegar ao estrelato, o artista percorreu um longo caminho. De origem humilde, quando ainda morava em Sorocaba (SP) fez teatro amador. Na hora de optar pela profissão, entrar para a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo pareceu um caminho natural. Mais alguns anos se passaram e Paulo já era professor de teatro na Unicamp, de Campinas (SP).
 
A trajetória na TV teve início na novela Como Salvar Meu Casamento (1979), na extinta TV Tupi. E lá se vão 35 anos de televisão, com uma trajetória repleta de sucessos. O charme desse ator começou a despertar a atenção da mulherada quando atuou em Vereda Tropical (1984), interpretando o romântico advogado Marco.
Mais cinco anos se passaram e Paulo presenteou o público com Timóteo, de Tieta (1989), que queria que tudo estivesse perfeito, “nos trinques”.
Já em Pedra sobre Pedra (1992), viveu Carlão Batista, o solteirão que se apaixona pela linda cigana Vida (Luiza Tomé). Em 1997, essa dobradinha de sucesso se repetiria: ele deu vida ao prefeito maluco de Greenville, o Ypiranga Pitiguary, marido de Scarlet (Luiza Tomé) em A Indomada. Mas ele também fez papéis dramáticos, como o Ciro na novela Carmem (1987). Na trama da Manchete, o bonitão era o amor da personagem-título de Lucélia Santos.
O astro também participou de minisséries como Chiquinha Gonzaga (1999), fazendo o maestro Carlos Gomes, e como o doutor Odorico em EngraçadinhaSeus Amores e Seus Pecados (1995). No cinema, foi Carlos Lamarca, em Lamarca (1994), entre outras produções.

Paulo Betti: 'O Téo tem esse lado escandaloso e desmunhecado, mas também é humano e solitário!'

Paulo Betti nos papéis: Timóteo (Tieta,1989), Carlos Lamarca (Lamarca, 1994), Ypiranga Pitiguari (A Indomada, 1997), Flávio (Sete Pecados, 2008)
Foto: TV Globo/Divulgação

Carreira irretocável e vida pessoal realizada sempre caminharam lado a lado. Betti foi casado por 24 anos com a atriz Eliane Giardini, mãe de suas duas filhas, Juliana e Mariana. Ele também foi marido da hoje colega de novela Maria Ribeiro, com quem teve o caçula, João. Paulo hoje tem como musa a artista plástica Mana Bernardes.
 
Após esse percurso, agora o ídolo incorpora Téo, o gay rejeitado por Cláudio Bolgari (José Mayer) na juventude e que investe sujo e pesado para desmascarar a bissexualidade do cerimonialista. E foi sobre esse desafio atual que o ator conversou com TITITI.
 
Você se preocupa com a possibilidade de o pessoal de casa comparar muito o Téo com o Félix (Mateus Solano) de Amor à Vida (2013) ou com o Crô (Marcelo Serrado) de Fina Estampa (2012)?
Não creio que o personagem seja repetitivo. Cada ator acaba imprimindo uma característica diferente ao seu personagem. E o Téo tem uma ironia ácida. É ao mesmo tempo engraçado, curioso e maldoso. Acredito que as pessoas vão acabar gostando dele, sim!
 
Você fez pesquisa para interpretá-lo?
Li o livro Lábios Que Beijei, que fala sobre um homossexual. O Téo tem esse lado escandaloso e desmunhecado, mas também é humano e solitário. E esse livro está me ajudando muito.
Paulo Betti: 'O Téo tem esse lado escandaloso e desmunhecado, mas também é humano e solitário!'

Como o venenoso Téo de Império, ao lado de Érika, sua pupila, interpretada por Letícia Birkheuer
Foto: TV Globo/Divulgação

Como está sendo o retorno da novela?
Império é uma história que está bem estruturada. Estou adorando! E o Téo é bacana e divertido de fazer.
 
Acha que vai conseguir mudar a visão das pessoas sobre alguns jornalistas de celebridades que adoram carregar nas tintas?
Acho que não, pois é uma função que desperta um pouco de raiva, pois revela coisas da vida que as pessoas não querem que sejam reveladas. Às vezes, você está começando um relacionamento ou se separando e não quer que seja divulgado, mas um repórter divulga. Isso não é legal. É um jornalismo meio maldito e as pessoas (os famosos) não gostam.
 
Você sempre foi simpático com a imprensa… Interpretar um jornalista de celebridade mudou de alguma forma sua maneira de ver esses profissionais?
Sempre fui simpático com eles, sim. Faz parte do meu trabalho fazer boas entrevistas e para isso dou atenção aos repórteres. Gosto de chegar ao público que me interessa.