Paulo Vilhena fala sobre a maturidade: ‘Não sou mais um galã teen’

O ator não tem receio de falar sobre a queda dos cabelos e a vontade de ser pai - só falta encontrar a mulher certa...

Paulo Vilhena fala sobre a maturidade: 'Não sou mais um galã teen'

Paulo Vilhena, que vive o pintor esquizofrênico Domingos Salvador em Império, no cais do porto do Rio
Foto: Eduardo Biermann

Pode fazer o teste. Basta escrever o nome de Paulo Vilhena, 35 anos, no Google, que a primeira sugestão do buscador online é “Paulinho Vilhena careca”. Não tem jeito. O galã da Globo está perdendo seus cabelos. “Quando eu tinha 23, 24 anos, e via que podia ficar careca por causa do meu pai e do meu avô, falava: ‘Tô ferrado’. Hoje eu brinco, não tenho nenhum pudor, nem vaidade”, diz o ator, durante uma visita ao ArtRio, uma das maiores feiras de arte da América Latina, que acontece anualmente na zona portuária do Rio.

Mas até chegar a esse jeitão “cool”, capaz de se olhar no espelho e rir, Paulo trilhou um caminho longo. Há cinco anos, tentou reverter o destino com um implante capilar. Não funcionou e ele ainda ganhou uma cicatriz, agora exposta quando ele aparece no ar como o pintor esquizofrênico Domingos Salvador, na novela Império.

Efeitos colaterais

“Eu realmente tinha uma preocupação estética. Aí me ferrei de vez. Mas fazer o que? Tudo bem”, explicou ele, descrevendo a sofrida cirurgia sem perder o senso de humor. “Primeiro tiraram um pedaço do meu couro cabeludo. Depois os folículos capilares, o bulbo e fizeram o implante. É que nem colocar grama. E agora a cicatriz ficou evidente, porque raspei o cabelo para o personagem.”

Aliás, é justamente na hora de compor um personagem que Paulo mais sente falta dos fios. “Você cria uma figura por meio da barba e do cabelo. Fisicamente, pode engordar, emagrecer, colocar ou tirar tatuagem. E a calvície me atrapalha”, diz o ator. Por isso, após o implante que não deu certo, ele chegou a tomar remédios para evitar a queda de cabelo. “Comecei, mas logo parei. Mas não foi por causa de broxar, não (é sabido que um dos efeitos colaterais de remédios antiqueda capilar é a impotência sexual). Até porque nunca broxei”, diz ele soltando uma enorme gargalhada seguida de silêncio, antes de consertar o que acabara de falar. “Tá, aconteceu! Mas foi uma só vez. E não foi por causa do remédio. Era muita ansiedade mesmo.”

Segundo Paulo, o real motivo da interrupção dos medicamentos foi a vontade de ser pai. “Me falaram que a substância pode fazer mal ao embrião. Aí pensei: ‘Estou casado, quero fazer um filho… não faz sentido’. Já vou ficar careca e ainda posso ter um filho com algum problema. Não quero isso”, explicou ele, que na época era casado com a atriz Thaila Ayala, 28, de quem se separou no fim do ano passado após cinco anos de união.

Separado da atriz Thaila Ayala, com quem viveu por cinco anos, ele sonha em ser pai
Foto: Eduardo Biermann

Sonhos de paternidade

O casamento acabou, mas a ideia de ser pai continua de pé. “O próximo passo é conhecer uma mulher, me apaixonar… Mas é difícil planejar. Não posso dizer que vou encontrar a mulher da minha vida, que vai ser uma grande mãe, uma mulher de caráter e que, se nos separarmos, ela não vá me atrapalhar na criação do nosso filho. É uma equação difícil e só a vida vai dizer”, filosofa.

Por enquanto, Paulo segue solteiro. Volta e meia sai com umas “gatas”, mas odeia balada – “só se for com cachê” – e, no fundo, está adorando curtir a vida sozinho. “Tudo se acalma. Já saí muito na vida. Agora a energia que eu tenho procuro direcionar para focos assertivos. Se sei que vou trabalhar naquela semana, eu me dedico àquilo. Se vou fazer uma viagem, também. Não tenho mais aquela coisa desesperada, tipo ‘vou para a night’. Estou focado no meu bem-estar, na minha qualidade de vida, nos meus amigos, na gata que eu estiver a fim, que porventura aparecer”, explica ele. E também admite, calmamente: “Não existe mais aquele frenesi em torno de mim. Não sou mais o galã teen”.

Guarda “cãopartilhada”

Do casamento com Thaila, Paulo guarda um convívio de carinho e admiração. “Tento manter uma relação boa com todas as pessoas com quem vivi. É uma pessoa que faz parte da minha vida. Não tem como me desvencilhar dela. Não é justo comigo. E não é justo com ela. Isso com qualquer pessoa, seja amigo ou mulher”, conclui.

O contato de Paulo e Thaila é constante. Embora não tenham tido filhos, eles se dividem nos cuidados com o buldogue francês Zacarias. “É uma guarda compartilhada. Hoje ela está viajando, estudando, e ele fica comigo. Mas quando os dois estão no Rio, ele fica uma semana na casa de cada um”, diverte-se o ator.

Imersão total

Desde que começou a gravar Império, Paulo acredita que passou a ser mais respeitado no Projac. “O respeito é conquistado, não é dado. É sua melhora, sua evolução. E isso altera o olhar do outro”, explica. Para achar o tom de Domingos Salvador, estudou por um mês a esquizofrenia e acompanhou o trabalho da equipe do Instituto Municipal Nise da Silveira, na zona norte do Rio, onde conviveu com portadores da patologia. “É uma doença muito cruel, que, se não for cuidada, fica muito exacerbada. E isso impressiona.” Para repetir o que viu em campo, criou uma rotina. “O set é muito cheio e isso dificulta quando o personagem é tão intenso. Como é um trabalho de imersão para cada uma das cenas, só saio do Domingos quando acabam mesmo as gravações. Senão, meto o fone no ouvido e vou em frente. É meu trabalho mais cansativo. Chego morto em casa.”

Paulo Vilhena fala sobre a maturidade: 'Não sou mais um galã teen'

Curtindo a vida de solteiro, Paulo está focado em sua qualidade de vida, nos amigos e “na gata em que estiver a fim”
Foto: Eduardo Biermann