Poderoso é pouco

Fábio Assunção garante que não se arrepende de ter recusado interpretar o vilão Dodi, de A Favorita

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Atualmente, o galã interpreta Heitor na 
novela Negócios da China, da Globo
Foto: Marcos de Paula

Ter feito poucos vilões em 18 anos de carreira não minimiza em nada o currículo de Fábio Assunção. Aos 37 anos, ele pôde até se dar ao luxo de recusar viver o mau-caráter Dodi, papel de Murilo Benício em A Favorita. “O ator tem que estar disponível para fazer bem um personagem, mas há momentos em que você não se sente assim. Não vou entrar numa novela para não estar inteiro. Existem pessoas que não o instigam, então, não me interessa muito. É mais legal estar num elenco divertido, com alguém dirigindo que seja amigo, do que estar num trabalho estranho, mesmo que ele tenha uma expectativa maior de sucesso”, desabafa o galã.

Qual é o desafio desse trabalho?
Heitor é um cara diferente de tudo o que já fiz. Nunca tinha feito um personagem basicamente de cidade cenográfica, de bairro. Estou achando bacana essa convivência. Quando se está num núcleo rico, você grava mais em estúdio, divide a cena com pouca gente. Trabalhar com mais atores, como está sendo agora, é um jogo bem mais divertido.

Você já falou que não deixa São Paulo por causa do seu filho. Como tem feito agora com as gravações no Rio?
Depois que o João (de 5 anos) nasceu, tive que escolher uma cidade para morar. Por eu ser de São Paulo e a Priscila (ex-mulher) ser de Santos, não tinha sentido, nos períodos em que não estou trabalhando, ficar aqui com meu filho lá. Estou indo e voltando. Agora que estou filmando nos fins de semana o longa do Aluisio Abranches, que se chama Do Começo ao Fim, está bastante difícil ir a São Paulo.

Como é trabalhar com Grazi Massafera, que recebeu muitas críticas?
Estou adorando! Eu acabei de conhecê-la, mas já percebi que ela traz consigo muita luz, é bastante positiva, tem um sorriso verdadeiro… Grazi está com vontade de fazer bem, o que é importantíssimo para quem está começando. Todo mundo tem um começo, cada um com sua história. Há início de carreira que é mais fácil, outros, mais difíceis… Ela tem tudo para ser uma grande estrela: é cheia de vontade, talento. Para mim, isso já é suficiente.

Foi muito criticado no seu começo?
Não existiam tantos veículos, sites… Eram só três revistas. É claro que fui criticado, mas foi tranqüilo. O público gostar do seu trabalho é mais importante do que a opinião de crítico.

Como você lida com as fofocas?
Faço televisão há 18 anos. Durante esse tempo, quem é da imprensa sabe que sempre fui discreto em relação à minha vida. Acho paparazzi uma coisa estranha… Continuo mantendo essa postura. O fundamental na vida do ator é o trabalho que ele faz.

Por que você faltou duas vezes ao programa da Ana Maria Braga?
Não quero falar sobre isso. Sei bem que a imprensa quer saber tudo sobre esse assunto, mas, pra mim, isso já foi.

Como foi ter de regravar todas as cenas que você fez com a Grazi?
Eu não regravei nada. Todo mundo me perguntou se estávamos regravando a novela inteira, mas é mentira. Não houve nada disso. Vou precisar regravar apenas duas cenas com ela, nada mais que isso. Mas regravar não significa uma coisa ruim, pelo contrário. É uma busca pela perfeição. Vejo isso de maneira positiva, como um interesse da direção de fazer um trabalho cada vez melhor.

Há muita expectativa para tentar elevar a audiência do horário das 6?
A gente torce para que o trabalho seja um sucesso. Eu, que moro em São Paulo, sei que, às 6 da tarde, poucas pessoas estão em casa vendo novela. Queremos manter esse público, que deve ser de pessoas que não trabalham, e conquistar outras pessoas. A opção da Globo de trazer o Miguel (Falabella, autor da novela) para esse horário foi muito inteligente. Estamos vindo com uma comédia, uma trama com mais ritmo, diferente das novelas de época, que são mais tranqüilas. Mas é claro que não podemos lutar contra o horário de verão, por exemplo.