Priscila Fantin: “Já quis desistir de ser atriz”

No ar como Nara, de Tempos Modernos, a artista fala das crises pessoais pelas quais passou e conta como superou seus conflitos

“Vivo uma fase de maturidade”, 
comemora a atriz
Foto: Rafael Campos

Quando terminou de gravar Sete Pecados, trama global de Walcyr Carrasco, em 2008, Priscila Fantin decidiu que tiraria férias prolongadas. Foi fazer um curso de edição de vídeo na França, onde morou por três meses, e não descarta a possibilidade de no futuro trabalhar atrás das câmeras. De volta ao Brasil, a atriz, que em dez anos de carreira está em sua sétima novela, e em quatro delas viveu protagonistas, pediu à Globo que a escalasse para um papel secundário. E foi assim que estreou como Nara em Tempos Modernos, de Bosco Brasil.

O motivo da escolha? A estrela de sucessos como Esperança (2002), Chocolate com Pimenta (2003), Alma Gêmea (2005) e Mad Maria (2005), todas na Globo, namora há seis meses o biólogo Miguel de Moraes e quer mais tempo para a vida pessoal. “Antes, eu vivia para trabalhar. Estou aprendendo a trabalhar para viver”, explicou. Nesta entrevista, ela conta como enfrentou as crises que surgiram em sua vida.

O desejo de interpretar um papel secundário foi para poder conciliar a novela com a peça Marca do Zorro, que você estreou no dia 1o de janeiro, no Rio?
Ser protagonista desgasta demais, é cansativo, uma pressão grande. Há dez anos vinha atuando como personagem principal. Como estou com a peça em cartaz e outras coisas importantes para mim, fiz esse acordo com a Globo.

O caminho até essa decisão tão importante deve ter sido bastante complicado, não?
Com certeza. Eu me entregava tanto ao trabalho que toda vez que um personagem acabava, eu sentia um vazio enorme, ficava meio sozinha e sofria horrores. Precisei equilibrar isso.

Que balanço você fez de sua vida e da profissão nos últimos anos?
Considero tudo positivo sempre, por mais que a gente sofra. É aprendizado, crescimento… Eu comecei muito novinha [aos 16 anos, em Malhação (1999)]. A exposição e o excesso de trabalho me assustaram. Fiz mais do que podia, agora estou me respeitando. Não deixo nada mais me atropelar. Agora vivo uma fase de maturidade.

Você chegou a se questionar se queria mesmo fazer novelas?
Já quis desistir de ser atriz. Com seis meses, eu queria parar, com um ano também… Falava: “Não dá mais, chega, não quero mais ser o centro das atenções”. É muito sofrido fazer protagonistas, sofrer pressão daqui da casa, do público, da mídia, de mim mesma!

Na época, quem segurou sua onda?
A família e gente da Globo. Em duas vezes que entrei em crise e quis desistir de ser atriz, o diretor Mário Lúcio Vaz me convenceu a continuar. E minha mãe (Silvana Fantin) veio de Belo Horizonte (MG) para o Rio ficar comigo e segurou muito minha onda. Graças a ela estou aqui em pé.

Ser o centro das atenções ainda incomoda?
Já me senti invadida, mas tenho uma relação tranquila com a mídia. É sempre olho no olho. O problema é que sou tímida. Aprendi a lidar com minha timidez, mas até hoje fico com vergonha de me expor (risos).

E o que a levou a continuar?
Comecei a fazer terapia há oito meses, mas não toquei muito nesse assunto ainda. O que me levou a continuar minha carreira é que sou movida a desafios, gosto muito do processo de elaboração dos personagens. Sou apaixonada por atuar, pelos bastidores.

E o que fez para se equilibrar?
Viajar é uma boa, ajuda a enxergar outras coisas além do trabalho. Ficar perto da natureza e dos amigos e estudar também têm me feito muito bem.

Na peça você contracena com o Thierry Figueira, que foi seu namorado. É tranquilo?
Sim, claro! Ficamos um tempo sem nos vermos, mas sempre sabendo um do outro por amigos comuns. Quando descobri que ele faria a peça, foi a maior alegria porque temos um grande entrosamento.

Seu namorado não é do meio artístico. Ele encara sua profissão numa boa?
Sim, é o meu trabalho e ele me respeita.

Vocês já fazem planos de casar, ter filhos?
Que nada… Como tive bastante tempo para repensar minha carreira, em 2010 estou muito a fim de trabalhar. Além disso, abri um núcleo de terapias alternativas, em Belo Horizonte, com minha irmã, Fabíola, que é psicóloga e professora de ioga. É uma coisa que a gente acredita e segue… E eu pretendo estar bastante presente por lá.

Continua ligada em atividade física?
Sim, e para a peça passei a fazer alongamento, esgrima e flamenco. Montamos 20 coreografias de luta e mais quatro de dança. Ensaiamos até de madrugada, mas valeu a pena!