Regina Duarte comemora 45 anos de namoro com o Brasil

A atriz faz um balanço de sua trajetória e conta que, algumas vezes, o rótulo de Namoradinha do Brasil a incomodou

Regina Duarte comemora 45 anos de namoro com o Brasil

A atriz conta que a viúva Porcina foi 
seu personagem mais marcante
Foto: Divulgação – Rede Globo

Conversar com Regina Duarte sobre sua carreira é o mesmo que viajar na história da teledramaturgia brasileira. Aos 63 anos, a atriz, que está completando 45 de carreira, custa a acreditar que esteja há tanto tempo a serviço da arte. “Nossa, tenho o mesmo tempo de carreira que a Rede Globo tem de existência! Dá para acreditar?”, brinca. “Parece que foi ontem que comecei. Já fiz tanta coisa, tantas personagens…”, suspira a diva. Mas os fãs de carteirinha da eterna Namoradinha do Brasil poderão matar a saudade da atriz.

Em breve, Regina fará uma participação na novela Araguaia, trama de Walter Negrão, que substituirá Escrito nas Estrelas. “Será uma aparição rápida, mas marcante, em um capítulo e meio. Nem posso dizer que minha personagem, a Antoninha, voltará no decorrer da novela porque ela morrerá. Também nãovoltarei como espírito”, diverte-se.

É muito difícil sair de cena logo no início de um novo trabalho?

E como! Até porque essa novela tem tudo para ser um sucesso. Antoninha é forte, de raiz… Adoraria interpretá-la até o final. Lamentavelmente, morre bem no comecinho. Mas tudo isso foi acordado com a direção e com o autor há muito tempo. Não foi nenhuma surpresa para mim.

Você faz essa aparição relâmpago porque tem outro projeto em vista?
Não tenho nada engatilhado. Nem sei o que vou fazer depois de Araguaia. Participo só de um capítulo e meio porque tinha de ser desse jeito mesmo.

É possível destacar algum papel que tenha sido um divisor de águas?
Roque Santeiro (1985) foi a novela que mais repercutiu na minha carreira. É claro que tive a sorte de interpretar papéis memoráveis, mas a viúva Porcina deu o que falar (risos). Até hoje o público fala dela quando me encontra. E olha que Roque Santeiro está fazendo 25 anos! O engraçado é que eu gravava a novela apenas dois dias porque estava com filho pequeno e não podia ficar muito tempo longe de casa. Porcina rompeu com a imagem que o público tinha de mim.

De Namoradinha do Brasil?
Acho que sim.

E era ruim ter esse título?
Confesso que, em 1975, o rótulo de Namoradinha do Brasil me incomodava algumas vezes. E quando isso acontecia, eu dava um tempo da TV e fazia teatro.

Está revendo a novela Por Amor, reprisada no canal Viva (TV paga)?
Outro dia eu estava na sala de espera do meu dentista e me surpreendi quando vi uma cena minha em Por Amor (1998). Eu sabia que a novela seria exibida na TV a cabo, mas não imaginava quando. Amei rever! Que novela boa! Era uma com a Regina Braga, que foi ótima! Também senti saudade de atuar com minha filha, Gabriela. Foi ótimo atuar com ela como mãe e filha.

E por falar em Gabriela, o que está achando dela em Passione?
Estou amando! Como mãe, eu ficaria horas elogiando o trabalho dela. Mas ela está ótima mesmo. Sinto saudade de contracenar com ela, principalmente agora que não moramos mais juntas, que ela tem a própria família… Qualquer chance para fazermos algo juntas é sempre bem-vinda.

Que balanço faz de sua trajetória?
Adoro o que eu faço. Fui educada pela escola de Janete Clair, Walter Avancini, Daniel Filho… Pessoas talentosíssimas, que exigiam muito do ator. Fiz trabalhos ótimos! Vale Tudo foi antológica, as Helenas do Manoel Carlos foram um presente! Adorei viver Chiquinha Gonzaga. Aprendi demais com ela, um papel riquíssimo, uma mulher especial. Não tenho do que reclamar.