Rodrigo Lombardi: “O meu trabalho, a partir do momento em que meu filho nasceu, é todo para ele”

Interpretando o progressista Pedro Falcão, de Meu Pedacinho de Chão, Rodrigo Lombardi dedica todo o trabalho ao filho, Rafael, e diz que participar da novela é como ter uma aula de atuação.

Rodrigo Lombardi
Foto: Ivan Faria

Acostumado a interpretar galãs, Rodrigo Lombardi, 36 anos, garantiu seu lugar na lista dos atores mais desejados da TV brasileira e conquistou a mulherada com seu charme. Mas, agora, em Meu Pedacinho de Chão, ele encara o desafio de viver Pedro Falcão, um homem totalmente fora dos padrões de beleza. 
 
No entanto, não dá para negar que o visual caricato do fazendeiro chama a atenção. Tanto que já conquistou a admiração de um fã mirim muito especial, o filho, Rafael, de 6 anos. “Ele adora!”, conta Rodrigo. Aliás, ele diz que, depois do nascimento do herdeiro, fruto de seu casamento com a maquiadora Betty Baumgarten, seu foco mudou completamente. “O meu trabalho, a partir do momento em que meu filho nasceu, é todo para ele”, afirma.
 
Como você define Pedro Falcão?
É um cara à frente do tempo dele. Ele doa uma terra para fazer a escola, porque acredita que as pessoas precisam de educação, assim como doa outra para fazer um posto médico. Ele se preocupa com a necessidade das pessoas. Quando o Luís Fernando (Carvalho, diretor) me apresentou o Pedro Falcão, disse que ele não é um homem bom, ele é “o” bem.
Rodrigo Lombardi: "O meu trabalho, a partir do momento em que meu filho nasceu, é todo para ele"

Para interpretar com atores como Emiliano Queiroz e Osmar Prado, o ator abriu mão da vaidade
Foto: TV Globo/Divulgação

Teve alguma preparação especial antes das gravações?
Tivemos uma aula de como se conta um conto de fadas. Cada um acha o seu jeito e a sua pesquisa. Mas tivemos o workshop sobre circo durante dois meses, oito horas por dia.
 
A novela tem mesmo esse ar de fantasia e acaba chamando a atenção do público infantil…
Todo mundo fala que é novela para criança. Mas não é uma novela só para as crianças, é para todos.
 
Meu Pedacinho de Chão é uma trama com um estilo diferente, né?
Essa é uma novela para a pessoa sentar e respirar. Para ela perceber que uma boa fotografia pode relaxá-la depois de um dia de trabalho. E, quando estiver relaxada, conseguirá pensar nas questões de que estamos tratando. A gente fala sobre valores, sobre saber diferenciar o que é bom do que é ruim.
 
Ter um filho pequeno o ajudou a compor o personagem?
Com certeza! Pensei muito nele quando recebi o convite para a novela. O meu trabalho, a partir do momento em que meu filho nasceu, é todo para ele. Componho para divertir o meu filho. As pessoas que assistem à novela podem pensar: é assim que ele brinca com o filho dele. O Rafa é mais adulto que eu. Tem horas em que estamos brincando e ele diz que eu sou muito bobo (risos).
 
Com tanto trabalho, você consegue acompanhar a rotina dele?
Claro… que não (risos)! É impossível! Desde que ele começou a entender o que é trabalho, todo dia, antes de eu sair de casa, ele pergunta: “Pai, tem trabalho?” Ele sabe o que é isso. As crianças são muito melhores que a gente, entendem muito mais as coisas.
Rodrigo Lombardi: "O meu trabalho, a partir do momento em que meu filho nasceu, é todo para ele"

O atual personagem é dedicado ao herdeiro Rafael, filho do ator com Betty Baumgarten
Foto: AgNews

O visual do Pedro Falcão é bem chamativo. A barba é sua mesmo?
Sim, é minha de verdade! Toda vez que fico de férias, deixo a barba, porque, quando você pega um trabalho, é mais fácil tirar do que pôr. Quando rolou o convite para a novela, o Luís me viu e falou para deixar como estava. A cor da minha barba já é ruiva, a do cabelo não, então tivemos de igualar.
 
Você está longe das novelas desde Salve Jorge (2012). Deu para descansar?
Quer a verdade? Não (risos)! Depois que termino uma novela, sempre falo que vou descansar. Faço isso desde Caminho das Índias (2009), mas não consigo. Acabo emendando muitos trabalhos. Mas não tem como negar um convite para uma novela como essa. É o mesmo que ter a oportunidade de trabalhar com Antonio Fagundes, Fernanda Montenegro e Osmar Prado. É o que todo ator sonha fazer na vida. São chances que, quando aparecem, a gente tem de aceitar, porque nunca se sabe quando vou ter essa aula de novo.
 
Quando começa uma novela, você pensa na reação do público?
Na verdade, a gente fica muito mais curioso que o público. Nessa novela, estamos contando uma história de uma maneira não convencional, então, é uma surpresa a reação do público. Costumo dizer que nós, atores, somos a tinta, e quem vai fazer o quadro é o telespectador. A gente joga as questões e não dá as respostas, mas elas existem, e cada um vai criar a sua, de acordo com a sua interpretação.
 
Você está construindo muito bem a sua carreira. Já se considera um ator maduro?
Sou relativamente novo nessa profissão, sobretudo em relação aos grandes atores, conhecidos há tanto tempo. Estou apenas começando a contar as minhas histórias e procuro me alimentar de tudo o que esses mestres têm para me ensinar. Eu ainda tenho muita coisa a aprender e estou buscando isso.