Santoro e Benicio enlouquecem Sampa

Os astros, que se tornaram grandes amigos, ferveram o lançamento de "Che". Confira a entrevista na qual eles revelam os bastidores da filmagem

Rodrigo Santoro e Benicio Del Toro 
no lançamento de “Che”
Foto: Thiago Bernardes

Repórteres, fotógrafos, câmeras, cinegrafistas, burburinho geral… Todos queriam ficar nas primeiras filas de uma das salas de cinema do Unibanco Arteplex, na capital paulista, bem pertinho de onde estariam o astro do cinema mundial Benicio Del Toro, que atuou em sucessos como Traffic (2000), e o brasileiríssimo Rodrigo Santoro. Os dois estão no filme Che, que encerrou a 32a Mostra Internacional de Cinema e que entrará em cartaz nos cinemas do Brasil em fevereiro.

Lindos e talentosos, Rodrigo e Benicio, que é porto-riquenho, fizeram o estilo all black: calça, camisa e casaco pretos. E confessaram estar com um pouquinho de sono. Afinal, na noite anterior, quarta, 29, ferveram a boate Disco, também em São Paulo. Mas foi só começar a falar do novo filme que o entusiasmo tomou conta de ambos. O longa Che, que conta a história do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, é dirigido por Steven Soderbergh. O mesmo que dirigiu Traffic (vencedor de quatro Oscars, incluindo o de Melhor Diretor) e de Onze Homens e Um Segredo, de 2001, além de outros dois que deram seqüência à série estrelada pelo sempre gato George Clooney.

O filme Che tem duas partes. A primeira é O Argentino, que retrata a chegada de Che Guevara a Cuba, para organizar a revolução com o líder guerrilheiro cubano Fidel Castro, e Guerrilha, que mostra sua luta na Bolívia, onde ele foi assassinado em 1967. Benicio brilha de verdade no papel de Che, e Rodrigo (que está solteiríssimo, meninas!!!) no de Raúl Castro, irmão de Fidel. Acompanhe a entrevista com os dois ídolos:

tititi – Você admirava Che Guevara na adolescência?
Benicio Del Toro – Sou de Porto Rico e em meu país não se estudava a revolução cubana nas escolas e nem havia camiseta dele pra vender nas ruas (risos). A primeira vez que ouvi falar de Che Guevara foi em uma música dos Rolling Stones chamada Little Indian Girl, do disco Emocional Rescue (que trata da revolução sandinista na Nicarágua e na qual Che é citado). Depois, vi uma foto dele em uma livraria no México e comprei um livro. Era o seu diário e eu gostei muito. Além de tudo, Che era um bom escritor.
Rodrigo Santoro – Eu uso a camiseta com o retrato de Che até hoje. Quando soube do projeto deste filme, há uns cinco anos, já fiquei louco para participar. Sempre pedia ao meu agente para procurar o caminho e saber em que pé estava, pois queria fazer o teste.

Mas não rolou teste, né?
Rodrigo – Não, fiz uma entrevista com o diretor. Eu tive a ajuda da produtora Laura Bickford, que até levou uma foto de Raúl Castro quando jovem pra ele ver como eu era parecido. Foi bacana, pois o elenco é todo da América Latina e não tinha ainda nenhum ator brasileiro. Cheguei até a comentar isso com o Soderbergh.

Benicio, você acha que poderá receber o Oscar pelo desempenho como Che?
Benicio – Não sou o favorito na disputa e nem tenho expectativas. Mas, claro, foi ótimo quando ganhei o Oscar (de Melhor Ator Coadjuvante por Traffic). Todo ator é inseguro, gosta do reconhecimento. Não há curso para ator, a gente vai por instinto e o prêmio mostra quando acertamos.
Rodrigo – Ele vai ganhar, sim, minha gente! (risos)

Benicio, o que mais comoveu você em Che Guevara?
Quase tudo me comove muito nesta história. Che tinha um grande poder de comunicação, era um homem de ação, um intelectual, mas o que mais me impressionou foi a força de vontade dele.

Já foram feitos outros longas sobre Che Guevara. Por que este é diferente?
Benicio – Ele foi muito cuidado… Pesquisamos durante sete anos, viajamos a Cuba, Bolívia, ouvimos os sobreviventes da campanha, guerrilheiros, soldados. Além disso, tem Rodrigo Santoro, né? (risos).

Rodrigo, você também passou um tempo em Cuba?
Logo que fiquei sabendo que poderia fazer o filme comecei a estudar espanhol com um professor cubano. Depois, passei um mês e meio em Cuba estudando a história do país, fui até Sierra Maestra (onde os guerrilheiros, entre eles Che, sob o comando de Fidel Castro, começaram a revolução cubana, em 1956) e até encontrei um diário escrito por Raúl Castro naquela época. Dei um mergulho total no meu personagem. E foi incrível, filmamos as cenas numa floresta em Porto Rico. Parecia mesmo uma guerrilha, a gente até esquecia que estava fazendo um filme.
 

 

 

 
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