‘Segunda Chamada’ inova e acerta ao falar sobre amamentação em público

A sexualização e o repúdio às mulheres que amamentam em público é um problema que dificulta a vida de inúmeras mães - e a série debate sobre esse tema.

O quinto episódio de “Segunda Chamada”, que vai ao ar nessa terça-feira (5), é provavelmente o melhor da primeira temporada até agora. Dentre outros temas, a série fala de maneira desromantizada sobre a maternidade – e faz isso sob diferentes óticas.

Conhecemos dois dramas maternos diferentes: o da mãe de três filhos que se desespera por não conseguir ligar as trompas pelo SUS e o da mãe que não consegue amamentar em paz quando está fora de casa.

Aqui nós vamos falar especificamente sobre o arco dessa segunda mãe, a personagem Márcia (Sara Antunes). Para quem não lembra, ela é a mulher evangélica que deu à luz dentro da escola no terceiro episódio. Agora, Márcia precisa levar sua bebê às aulas, pois não tem com quem deixa-la – o marido Pedro (Vinícius Oliveira) também estuda. 

Ao amamentar, Márcia é sexualmente assediada pelos colegas homens. Eles não a tocam, mas, sem nenhuma cerimônia, fazem comentários a respeito de seus seios. Enquanto isso, Pedro a reprime também, dizendo que ela não deveria expôr o corpo em público.

Pedro defende Márcia dos assediadores, mas diz que ela não deveria amamentar em público

Pedro defende Márcia dos assediadores, mas diz que ela não deveria amamentar em público (Mauricio Fidalgo/TV Globo)

Como já foi mostrado em trailers da série, são as colegas de Márcia que a defendem e, num ato conjunto, expõem os seios na sala de aula. A professora Lúcia (Débora Bloch), em mais uma importante manifestação de sororidade, também sai em defesa da aluna.

Mais um ponto a favor de “Segunda Chamada”, que está falando sobre temas muito importantes a cada semana. Para além das questões do universo da educação pública, a série vem pautando todo tipo de assunto e, apesar de alguns exageros e escorregadas, consegue fazer isso de maneira competente em linhas gerais.

A sexualização e o repúdio às mulheres que amamentam em público ainda é um problema que dificulta a vida de inúmeras mães – e que deveria revoltar todas as mulheres. Nossos corpos são objetificados e censurados até mesmo na hora em que o seio feminino cumpre um papel que não tem absolutamente nada a ver com erotismo: alimentar uma criança. Definitivamente, precisamos falar mais a respeito disso e é muito bom ver o problema sendo pautado de maneira clara e direta na TV aberta.

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