Tiago Santiago em busca do público jovem

O autor fala do sucesso de Uma Rosa com Amor e das adaptações que fez na trama

Autor vai colocar mais cenas de ação em
uma Rosa com Amor
Foto: Cida Souza

Não é que Tiago Santiago tenha abandonado a ideia de uma trama com doçura e livre de violência. Mas, na segunda fase de Uma Rosa com Amor, sua primeira novela no SBT (que termina em setembro), ele volta a inserir os recursos que costumam dar personalidade às suas novelas, como a fantasia e as cenas de ação. “Agora será um pouco menos fiel à história original de Vicente Sesso, porque a gente precisa se adaptar. O mundo está muito agitado e senti necessidade de mais ação para competir com os telejornais do horário. Só que vai ser uma violência engraçada, sem sangue”, detalha Tiago, que também investe na pesada transformação “Cinderela” de Serafina Rosa (Carla Marins).

Além disso, o autor tem como nova meta buscar o público jovem, que o consagrou na época da Record. Com isso, entram em cena crianças com paranormalidade. “É o inconsciente coletivo. Não foi uma coisa pensada em função do filme sobre Chico Xavier ou da novela Escrito nas Estrelas. Foi uma inspiração para atrair os jovens”, avisa. E as novidades não param por aí: Tiago vai escrever um papel especial para uma leitora da MINHA NOVELA. É isso mesmo! A partir de 14 de maio, você poderá atuar em uma cena da novela. ( Saiba como participar ) 

Com dois meses de Uma Rosa com Amor no ar, que ajustes você precisou fazer em sua trama?

A principal mudança mesmo foi colocar mais suspense e ação. Também comecei a incrementar as tramas paralelas. Lá, me dei mais liberdade de mexer na estrutura da novela original, como a história das crianças paranormais, que não tinha antes. É um assunto de que eu gosto muito.

Você não teme ser criticado por pegar carona no sucesso de histórias espiritualizadas como
Escrito nas Estrelas e Chico Xavier – O Filme?

Foi uma coincidência. Sempre gostei do tema e tinha lido Histórias de Fantasmas, de Charles Dickens. Fora que escrevo a novela há quatro meses, quando ainda nem se falava de Chico Xavier e eu nem sabia que a Beth Jhin ia fazer a novela. Foi uma inspiração que me veio para atrair o público juvenil. Nós temos grandes atrizes veteranas, como Betty Faria e Jusssara Freire, que atrai senhoras, assim como galãs como Tony Garrido e Claudio Lins, para o público maduro. Só precisava trazer os jovens, como fiz em Vamp (1992) e na trilogia dos mutantes. Eles que fizeram essas tramas serem um fenômeno.

Mas o intuito era ser uma novela sem violência. Como não descaracterizar a história original?

Será uma violência engraçada, como em Esqueceram de Mim (filme de 1990). Tem uma cena, por exemplo, em que Serafina é atropelada e cai em cima de caixas de papelão. Em outra, os vilões mandam chocolate envenenado para ela. Cria-se uma tensão, mas a violência não acontece, ela está só na intenção dos vilões. Não há sangue ou mortes.

Até onde vai sua liberdade de criação nesse remake?

Eu tenho total liberdade, mas por respeito ao Vicente, no início segui as peripécias do original, só adaptando para a modernidade. Não tem uma “camisa de força”. Penso como um novo desafio. Mas, nesta segunda fase, vai ter uma cara mais Tiago Santiago.

A audiência era a que você esperava?

A gente cresceu em audiência cerca de 20%. Se conseguirmos manter esse aumento nos próximos cinco meses, vamos ter um final lá no alto. Acho bonito ver essa plantinha germinar. Passei por isso na Record também com A Escrava Isaura (2004), que no começo dava audiência baixa até se firmar nos dois dígitos. Vai acontecer aqui, mas é preciso tempo e muito trabalho. Estamos lutando contra o telejornal e a novela da Globo, ou seja, hábitos preestabelecido de décadas. Mas sou otimista. Já dei 29 pontos em Os Mutantes. Foi um momento de glória que eu espero viver aqui no SBT também.

E falando em Record….Caminhos do Coração voltou a ser exibida. Esse “vale a pena ver de novo” lhe agradou?

O direito patrimonial da novela é da Record e eles me pagarão pela reprise, como já estava em contrato. Então, não tenho o que opinar, mas fico feliz. Espero que meus trabalhos sejam reprisados muitas vezes, como acontece com as séries Jeannie É um Gênio, A Feiticeira… Tomara que eu consiga fazer novelas que fiquem passando para sempre.

Que tipo de crítica o irrita?

Quando alguém tira o mérito do que está sendo feito aqui no SBT, seja por birra pessoal, interesse comercial ou até mesmo sabotagem, simplesmente. Isso acontece… A gente luta contra uma concorrência que tem décadas no ramo e um poderoso instrumento de comunicação. Queremos abrir um novo espaço de mercado de trabalho. O avanço é pequeno, mas deve ser celebrado, sempre.

Qual será a próxima novela do SBT?

Será Corações Feridos, adaptação da Íris Abravanel de uma trama mexicana da Televisa. Depois virá minha primeira novela original aqui, mas não posso falar (Tiago tem contrato para mais três novelas).

O que você pode adiantar do final de Uma Rosa…?

Serafina e Claude vão ficar juntos, evidentemente, mas vou mudar o fim de outros casais por uma questão de escalação dos atores. No original, o Frazão acabava com a Joana, mas aqui ficará dividido entre Alabá e Janete, enquanto a costureira ficará com Pimpinoni. Também penso em um “Quem matou Egídio?”, que não tinha no original e é um recurso de que eu gosto e já usei em outras novelas.

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