Três Irmãs e a moda dos personagens

Helena Gastal, a figurinista da novela, explica os detalhes da tarefa de vestir personagens da trama

Helena e sua equipe trabalham na 
oficina de costura do Projac, no Rio
Foto: Fernanda Fernandes

Bater ponto nos desfiles, ver revistas, rodar lojas de roupas, checar as vitrines do mundo todo e achar a combinação perfeita. Essas são as funções que as figurinistas de novela cumprem diariamente. E, claro, não é diferente com Helena Gastal, que assina os figurinos de Três Irmãs, sua 29a novela.

Helena recebeu a Minha Novela numa quarta-feira em sua sala no Projac, onde contou os detalhes de seu trabalho e mostrou as roupas dos personagens da trama de Antonio Calmon. Tudo separado em araras, com os nomes dos atores e personagens – uma e outra, com as fotos da prova de figurino. Em algumas, inclusive, a data do dia seguinte. “A gente monta o figurino com 24 horas de antecedência”, explica.

Quando diz “a gente”, Helena está se referindo a uma equipe formada por cerca de 30 pessoas. “São dois fiscais de guarda-roupa, um alfaiate, uma costureira, seis assistentes, eu, 12 camareiros fixos e mais uns oito rotativos”, descreve. Já a carga horária varia. “Em média, são oito, nove horas. Nuns dias trabalhamos menos, noutros, fazemos 12 horas”, detalha. Tudo depende do momento da novela. “Depois que está nos trilhos, a gente trabalha menos”, conta. Seja como for, rotina é uma palavra que não existe na profissão. “Tenho tarefas. Se quiser começar às 14 h e ir embora às 22 h, a escolha é minha. Muitas vezes, preciso estar numa externa bem cedinho, por exemplo”, avisa.

Vida de Veterana

 

Em 2009, Helena faz 30 anos de Globo. Mas, muito antes disso, ela já gostava de moda: “Desenhava meus vestidos para as amigas, para as bonecas (risos). Foi algo que não escolhi, foi acontecendo e, quando vi, estava fazendo figurino”. Os primeiros foram para publicidade. “Era assistente de direção, mas me metia tanto no figurino, que os produtores me chamaram para fazer”, diverte-se.

Dos comerciais para a teledramaturgia foi um pulo. A figurinista Marília Carneiro a chamou para fazer a série Malu Mulher (1979). “Fiz de junho a novembro. Aí, Malu Mulher entrou de férias. Não podia tirar, porque era recém-contratada”, conta. A solução da emissora foi transferi-la para o Teatro Fênix, onde ajudava em outros programas. Por pouco tempo. “Aí, me chamaram para fazer Água Viva (1980). Disse: ‘Não sei fazer.’ Responderam: ‘Sabe, sim’. Foi difícil no começo. Eu levava trabalho para casa, lia muito…”

A estréia não poderia ter sido melhor. Água Viva, de Gilberto Braga, foi um estrondoso sucesso. “Sorte é a pessoa no lugar certo, na hora certa”, fala, modestamente. Mas o currículo comprova seu talento. Entre seus trabalhos, estão as novelas Vale Tudo (1988), Sinhá Moça (2006) e Paraíso Tropical (2007); e as minisséries Anos Dourados (1986), Agosto (1993) e Engraçadinha (1995). Estas, aliás, são as preferidas. “Foram os trabalhos que mais curti”, admite Helena. 

VOCÊ SABIA? 

O único figurino de Três Irmãs feito na emissora é o de Violeta (Vera Holtz). “Tive uma inspiração… Ela seria uma personagem meio operística, com mangas, movimentos… Sempre tendo uma base estrutural que a aprisionasse e, por cima, algo leve. Deu cem por cento certo”, conta. 

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