Um papo com Júlio Rocha

O ator de Duas Caras provoca suspiros entre as mulheres. Aqui, ele fala da carreira, do personagem e dos assédios

Júlio é todo estiloso
Foto: Divulgação / Rede Globo

Além de lindo e simpático, Júlio Rocha, 28 anos, tem o maior estilo e “pegada”. É este, pelo menos, o comentário da mulherada. Elas suspiram pelo motorista João Batista da trama global das 9, que esbanja sensualidade nas cenas com a pimentinha Débora, feita por Juliana Knust. Formado em artes cênicas, o gato estreou como ator na peça Cuidado, Garoto Apaixonado (1998), no Teatro Escola Célia Helena, em São Paulo. Desde então, foram mais de 13 peças. Ele também participou do Terça Insana (entre 2002 a 2003), espetáculo cômico no qual interpretava uma celebridade, Eddie Crosby. Antes porém, fez sucesso ao contracenar com o saudoso Raul Cortez na peça Rei Lear (2001). Na TV, trabalhou em Porto dos Milagres (2001), Bang Bang (2005), Paraíso Tropical (2007) e Pé na Jaca (2007), todas na Globo. Entre seus planos está fazer cinema logo que for possível. Nesta entrevista, Júlio fala sobre a carreira, seu personagem na novela de Aguinaldo Silva, namoro e do assédio das fãs. Confira!

tititi – As mulheres adoram o João Batista. Você tem recebido cantadas nas ruas?
Júlio Rocha – Não é uma coisa explícita, mas elas me abordam. No Carnaval, rolava aquela coisa de cantar uma musiquinha mais maliciosa… Às vezes, também querem pegar na sua bunda. Mas a gente tá sempre esperto e dá para contornar qualquer situação mais afoita (risos).

O que acha de fazer o João Batista?
Estou curtindo demais. Eu me divirto com cada capítulo que recebo. Brinco sempre que não é trabalho, e sim um presente a cada semana. O cara (o autor Aguinaldo Silva) tem uma baita visão política e é extremamente favorável à evolução da população.

Há alguma cena que você tenha gostado mais até aqui?
Uma que foi muito importante e não vou esquecer para o resto da minha vida é quando o João Batista salvou a Débora dos pit boys. Tenho certeza de que se houvesse alguém como ele quando a Sirlei foi agredida, ela teria sido poupada. (Sirlei Dias Carvalho Pinto foi espancada por rapazes de classe média, em junho de 2007, no Rio de Janeiro). Além disso, essa cena marca o fim da inércia do João, que a partir de então começou a mudar.

Você aceitaria ser sustentado por uma mulher, como ocorre com ele?
Seria difícil para mim viver dessa maneira. Ser ator é aprender a conviver com vários tipos de situação, mas não sou desse jeito e a minha “genética” não permitiria.

E será que o João Batista vai ajudar a Sílvia em suas maldades?
Muita coisa eu ainda não sei, mas estou percebendo que, com a Débora se apaixonando pelo seu Antônio (Otávio Augusto), cria-se uma ausência… Tanto a Sílvia quanto o João Batista estarão carentes. Seria interessante se eles se unissem.

Por que escolheu a profissão de ator?
Comecei em São Paulo, aos 14 anos. Eu fazia o curso técnico em publicidade e propaganda e, na festa de fim de ano, minha turma montou uma apresentação teatral. Quando terminou, os professores foram cumprimentar meus pais pelo meu desempenho na peça e disseram que eu era talentoso. Aos 16 anos, fui atrás de escolas de teatro e acabei no Célia Helena. Lá fiz meu primeiro trabalho: Cuidado, Garoto Apaixonado. Na época, uma amiga minha que conhecia a Mara Carvalho (atriz e escritora) a convidou para assistir à montagem e ela foi com o Antonio Fagundes, pois eles ainda estavam casados. Achei muito bacana! 

E agora você reencontra o Fagundes na novela, que coincidência boa.
Muito boa! É uma delícia vê-lo atuar, aprendo muito. Mas já o coloquei em uma enrascada. Quando fazia o Terça Insana, tinha uma idéia na cabeça e pedi a Mara que a desenvolvesse pra mim. A idéia principal é que seria eu, o público, e um telão no fundo no qual se passaria um curta-metragem. Nesse curta, rolariam depoimentos de celebridades dizendo que Eddie Crosby, no caso meu personagem, era a maior estrela do país. E, entre esses artistas, estava o Fagundes.

O que faz no seu tempo livre?
Gosto de ir ao cinema. Na semana passada, fui assistir a Polaróides Urbanas, do Miguel Falabella. É incrível! Acabou de nascer mais um diretor de cinema, mais um patrimônio nacional, que não pode parar de filmar.

Tem vontade de fazer cinema?
Atuar em um bom filme e com um roteiro bacana é o meu maior sonho. No teatro, já interpretei desde um velho com catalepsia até um rei da França, numa peça com Raul Cortez (o ator morreu em julho de 2006). Foi ótimo contracenar com ele, algo que não vou esquecer nunca. E agora quero o cinema também.

O que você faz para manter a forma?
Não tenho muito tempo, mas ando de bicicleta na orla, aqui no Rio, e corro meia hora todo dia. Também danço hip hop. A gente transpira pra caramba e ainda se diverte.

Está namorando?
Sim, porém, não gosto de falar disso. As fãs podem não gostar (risos).