Por que ‘Éramos Seis’ é uma novela tão especial para o brasileiro?

Acredite, você também tem motivos para apreciar essa quinta versão de 'Éramos Seis' na Globo.

Foi só a Globo anunciar que faria um remake de ‘Éramos Seis‘ que a internet foi tomada por uma curiosidade gigantesca. Quem seria a nova Dona Lola? Teríamos as antigas atrizes fazendo pontas? Quem faria o roteiro dessa vez? A quantidade elevada de dúvidas apenas revela um fato: ‘Éramos Seis’ é uma novela especial e que reside no coração dos brasileiros, mas quais os motivos para isso?

Ângela Chaves, a autora da novela, tem uma história curiosa a respeito da novela de ‘Éramos Seis’. A novelista não chegou a acompanhar a versão de 1977, exibida pela TV Tupi, mas lembra que seu avô tinha uma relação curiosa com a trama. Mesmo não sendo um telespectador de novelas (e lembre-se que nessa época existia um preconceito com homens que assistiam às novelas), o avô da autora gostava muito de ‘Éramos Seis’ por ser uma novela “que mostrava a realidade“.

Capa do lívro Éramos Seis

 (Editora Ática/Reprodução)

Baseada no romance de Maria José Dupré, e popularizada graças à Coleção Vaga-Lume, ‘Éramos Seis’ conta a história da família de Dona Lola com o esposo e os quatro filhos. Seu marido Júlio compra um casarão na Avenida Angélica e eles passam a trabalhar muito para pagar as prestações da casa. A história simples, porém bem dramática, já ganhou cinco versões televisivas, em diversas emissoras, um marco único.

A decisão de trazer de volta à Globo como uma nova novela foi de Silvio de Abreu, que já carrega a trama como algo especial. ‘Éramos Seis’ foi a primeira novela escrita pelo autor, e o texto foi reaproveitado (e adaptado) em todas as outras versões exibidas posteriormente. A primeira versão foi feita em 1958, feita pela Record, e posteriormente a Tupi fez outras duas versões, uma em 1967 e outra em 1977, esta já escrita por Silvio de Abreu e Ruben Ewald Filho. Foi essa versão da Tupi que eternizou Nicette Bruno como Lola e Gianfrancesco Guarnieri como Júlio.

Éramos Seis do SBT

 (SBT/Divulgação)

Talvez a versão mais lembrada atualmente é a do SBT, feita em 1994, e estrelada por Irene Ravache e Othon Bastos nos papéis de Lola e Júlio. A novela bateu recordes inimagináveis de audiência e é considerada, até hoje, como a melhor novela já produzida pelo SBT. Também foi responsável por revelar nomes como Caio Blat.

A sensibilidade da trama é algo que pode justificar a existência de tantos remakes de uma mesma novela. Gloria Pires, já falando como a nova Dona Lola, defendeu que ‘Éramos Seis’ se trata de uma história que mostra a mulher como o bonde que carrega a família. Mesmo escrita numa época muito anterior às discussões atuais sobre feminismo e empoderamento, a história era escrita por uma mulher, sobre uma mulher e dando luz às todas as mulheres que, no fundo, eram o centro de suas famílias.

Ao mostrar a história de uma mulher que precisa cuidar da casa, lidar com o marido e ainda criar quatro filhos pequenos de diferentes personalidades, a trajetória de Dona Lola é quase como uma trajetória de muitas mulheres nesse país. Mesmo ambientada no começo do século passado, ‘Éramos Seis’ ainda tem muito o que contar e mostrar para as novas gerações. Estamos ansiosos para essa nova versão!

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