Além do ginecologista: 11 médicos importantes na saúde da mulher

Cuidar da saúde respiratória, do aparelho digestivo e do coração, por exemplo, é necessário para manter o corpo todo em ordem

Toda mulher sabe que a consulta ginecológica anual é importantíssima para monitorar a saúde. Fazer a mamografia para prevenir ou detectar em fase bem inicial o câncer de mama e o papanicolau para analisar as secreções e diagnosticar doenças como candidíase, clamídia, sífilis e gonorreia, além do câncer de colo de útero, é (ou deveria ser) rotina para nós.

Mas existem muitos outros aspectos da saúde feminina que também merecem atenção e acompanhamento de rotina para que o corpo funcione direitinho. De acordo com estudo da Orizon, empresa referência em dados e análises do serviço de saúde suplementar do Brasil, o que mais faz as mulheres brasileiras acionarem o plano de saúde são as doenças respiratórias. Em seguida vêm os problemas do sistema urinário, como infecções urinárias. O terceiro lugar fica com as questões ortopédicas e a quarta posição, com a infectologia.

Para você saber que especialidades médicas deve ter em seu radar, levantamos as mais relevantes e conversamos com representantes delas, que explicaram a importância de cada uma na saúde da mulher.

Otorrinolaringologia

(giorgiomtb1/Thinkstock)

A otorrinolaringologia cuida da audição, das vias respiratórias, da garganta e das cordas vocais. “A audição é importante para qualquer pessoa, pois ouvir bem é parte de poder se comunicar bem. Os problemas das vias respiratórias não podem ser menosprezados, porque impactam na qualidade de sono e nas doenças dos seios da face, como as sinusites”, diz Wilma Anselmo Lima, presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).

No que diz respeito à garganta e às cordas vocais, mulheres que exercem funções em que precisam falar bastante – participam de muitas reuniões, dão aulas, trocam ideias em voz alta o dia todo – devem ter cuidado com o uso correto da voz. “É comum usar a voz de forma errada e, com o tempo, desenvolver rouquidão, que muitas vezes é até motivo para afastamento das atividades profissionais”.

Urologia

Você pode se perguntar “Uéééé, mas mulheres vão ao urologista?”. Sim! O urologista é o médico especialista no diagnóstico e tratamento das doenças do aparelho urinário; mulheres têm aparelho urinário e ele precisa de atenção. É nele, por exemplo, que ocorrem as infecções urinárias.

“É uma doença muito comum em todas as faixas etárias da vida da mulher. As causas são inúmeras e algumas mulheres têm episódios recorrentes de infecção urinária. Cada caso exige um tratamento”, explica Carlos Bellucci, coordenador-geral do Departamento de Urologia Feminina e Uroneurologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Ele cita também a incontinência urinária como uma doença comum entre as mulheres adultas e cuja prevalência aumenta com o passar dos anos. “Ela pode causar danos como depressão e inflamações da pele da região genital. O urologista é o médico que avalia cada caso e propõe o melhor tratamento, que vai de fisioterapia e medicamentos a cirurgias”.

Ortopedia

Por termos as cartilagens dos joelhos mais moles, estamos mais suscetíveis a lesões no ligamento cruzado anterior (endopack/Thinkstock)

A ortopedia é importante na saúde da mulher por tratar tanto das questões ósseas quanto das musculares. O ortopedista André Weber, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), conta que entre as mulheres mais jovens os problemas ortopédicos mais comuns são os musculares e de articulações.

“O motivo está na anatomia. A mulher tem a musculatura menor, e o estrógeno deixa os músculos menos rígidos. As articulações femininas também são mais frouxas. Tudo isso facilita o risco de lesões”, afirma. Outra questão relevante é nossa facilidade para lesões no ligamento cruzado anterior, já que nossas cartilagens dos joelhos são mais moles. “O uso excessivo de sapatos com saltos altos também leva muitas mulheres ao consultório”, complementa o médico.

Já entre as mulheres de idade mais avançada o desequilíbrio hormonal da menopausa pode causar perda de massa óssea e levar à osteoporose, uma doença que aumenta o risco de fraturas, entre elas a dos quadris. “É fácil evitar isso”, garante André. “Combinando medicação, cálcio, vitamina D, consumo de leite e adoção de atividades físicas, é possível fortalecer os ossos e melhorar a qualidade de vida”.

Infectologia

“Vivemos em um país tropical, com doenças infecciosas que permeiam todos. Dengue, zika, toxoplasmose e as sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia, hepatite B e C, HIV são as que mais levam as pessoas ao infectologista”, diz Marinella Della Negra, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

A infectologista observa que as mulheres ficam em uma situação mais delicada quando estão grávidas, pois as doenças podem prejudicar o feto. Mas nem por isso as que não estão esperando um bebê podem descuidar. A toxoplasmose pode ser contraída em uma salada mal lavada ou de uma carne crua, dengue e zika vêm de um mosquito, e toda mulher que tenha uma vida sexual ativa e não se proteja 100% está sujeita a ter uma doença infecciosa.

Mesmo assim, dificilmente o consultório do infectologista é a primeira parada de quem precisa se tratar com ele. De acordo com Marinella, “o mais comum é um ginecologista ou um clínico geral fazer o diagnóstico e encaminhar a paciente”.

Angiologia

As varizes fazem parte do campo de tratamento do angiologista (zlikovec/Thinkstock)

Principalmente por causa de questões hormonais, mulheres têm maior risco de desenvolver trombose. Ao notar os sintomas da doença – apenas uma das pernas inchada, com vermelhidão e talvez dor –, é o angiologista que devemos procurar.

Além disso, o angiologista e o cirurgião vascular cuidam da circulação de uma forma geral, como destaca Ivanésio Merlo, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV): “Todos os órgãos têm uma drenagem de artérias e veias. Uma doença nas artérias do rim leva à insuficiência renal. De varizes a um AVC, a angiologia e a cirurgia vascular têm uma importância vital, porque um órgão sem circulação sanguínea não existe”.

Endocrinologia

Transtornos das glândulas endócrinas, que secretam hormônios no sangue, são tratadas pelos endocrinologistas. Aí entram questões comuns aos dois sexos – diabetes, colesterol e tireoide, por exemplo – e várias são exclusivas das mulheres – como distúrbios da menstruação, síndrome dos ovários policísticos e a reposição hormonal da menopausa.

“A endocrinologia vê a saúde da mulher de forma ampla. Temos muita atuação em comum com o ginecologista, mas, quando a mulher vai ao consultório do endocrinologista, o todo é observado”, diz Rita de Cássia Weiss, presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Isso significa que a mulher que vai tratar da síndrome dos ovários policísticos terá acompanhado de perto o maior risco de desenvolver diabetes, assim como a que já é diabética poderá prevenir a osteoporose com as medidas indicadas pelo endocrinologista.

Dermatologia

(dnberty/Thinkstock)

Mais do que estética, a dermatologia atua no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças relacionadas à pele, aos pelos, às mucosas, aos cabelos e às unhas. “A pele e seus anexos – cabelos e unhas – podem ser sede de inúmeras doenças, incluindo as autoimunes, o câncer, as dermatoses infecciosas e inflamatórias”, afirma Sergio Palma, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Muito do que acontece nos órgãos internos é refletido pela pele. Ressecamento excessivo pode ser sinal de diabetes, manchas e pintas podem ser um alerta para o câncer de pele. Claro que você pode e deve procurar sua dermatologista para cuidar da aparência, aproveitando que os tratamentos estão cada vez mais eficazes e seguros, mas lembre-se dela também quando algo estranho surgir em qualquer ponto de sua pele. Pode ser seu organismo pedindo ajuda.

Cardiologia

De acordo com a cardiologista Fátima Dumas Cintra, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares são consideradas uma importante causa de mortalidade em mulheres. “A prevenção e o controle dos fatores de risco são fundamentais para um envelhecimento saudável”.

Ela destaca que, principalmente depois da menopausa, a incidência de doenças cardiovasculares aumenta entre as mulheres. Para evitar isso, temos que começar a nos cuidar ainda jovens, deixando cigarro e sedentarismo de lado e controlando diabetes e obesidade.

Oftalmologia

(ImplementarFilms/Thinkstock)

Existe uma condição dos olhos que é típica no sexo feminino e quase toda mulher tem: olho seco. “Não significa que o olho fique sem hidratação. Ele lacrimeja e arde”, explica a oftalmologista Cristina Nishiwaki Dantas, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). “O olho seco pode causar lesões na córnea e levar até à cegueira se não for tratado”, alerta. Por isso, ao sentir estes sintomas, agende uma consulta para examinar os olhos.

Ir ao oftalmologista uma vez ao ano também é necessário para verificar se há necessidade de uso de lentes corretivas. Dos 40 anos em diante, deve-se medir a pressão ocular para prevenir o glaucoma.

Nefrologia

O nefrologista e diretor científico da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) Marcelo Mazza do Nascimento conta que fato de cada vez mais mulheres apresentarem o diagnóstico de diabetes faz crescer entre o sexo feminino a incidência de doença renal crônica, que é o mau funcionamento dos rins.

“Outra condição relevante na nefrologia é a pressão alta, que afeta os rins. Atualmente, metade dos adultos hipertensos é mulher, e devemos destacar que algumas situações específicas em mulheres aumentam o risco do aparecimento da pressão alta, como a gestação, o uso de anticoncepcionais hormonais e a menopausa”, diz. Ele recomenda que toda mulher com fatores de risco – e acrescente histórico familiar aí – faça periodicamente exames de avaliação da função renal, que são simples e estão disponíveis na rede de saúde pública.

Proctologia

De novo você pode estar se perguntando “O quê? Mulher no proctologista???”. Sim, miga! O proctologista examina e diagnostica doenças no intestino grosso, no reto e no ânus, e nós temos tudo isso!

“São diversas as condições que acometem estes órgãos, mas certamente a mais temida é o câncer colorretal, que já é um dos cânceres mais frequentes em homens e mulheres”, diz Tomazo Franzini, diretor da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED). A colonoscopia, ou endoscopia digestiva baixa, é o exame que verifica que está tudo ok na região e diagnostica qualquer anormalidade.

Outras questões femininas que atingem bastante os órgãos de especialização da proctologia são o intestino preso, que acomete mais mulheres do que homens, e as alterações do assoalho pélvico, decorrentes de gestações ou cirurgias ginecológicas e que podem causar incontinência fecal. O proctologista é o médico a se procurar para resolver isso. Sem medo nem preconceito, ok?

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