Cigarro eletrônico causa câncer? Ajuda a abandonar o vício em fumar?

Saiba tudo sobre o dispositivo – que é proibido no Brasil, mas muito usado mesmo assim nas grandes cidades do país.

Se você mora em uma grande cidade brasileira e circula bastante por aí e pela noite, já deve ter visto mais de uma pessoa fumando um cigarro eletrônico; talvez você mesma seja tenha um e o use com frequência. Embora seja proibido no Brasil – a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) barra sua entrada e produção em território nacional –, o cigarro eletrônico não é raro, principalmente entre quem está na casa dos 20 aos 30 anos de idade.

“Não é difícil entrar com um [cigarro eletrônico no Brasil] quando a gente volta dos EUA. Ninguém nota na bolsa, ninguém pergunta o que é. Dá para trazer até mais um ou dois para dar de presente”, diz a estudante de direito Giovanna N*.

Amiga de Giovanna, a microempresária Carla S* acrescenta que os acessórios necessários para continuar usando o cigarro eletrônico, como refis e essências, são fáceis de comprar por aqui mesmo. “Está tudo à venda na internet, com tanta naturalidade, que eu nem sabia que era proibido”, surpreende-se.

Ok, pode ser acessível “por baixo dos panos”, mas a Anvisa não proíbe o cigarro eletrônico à toa: ele é tão perigoso para a saúde quanto o cigarro convencional e tem o agravante de causar dependência muito mais rapidamente. Especialistas esclarecem, a seguir, os detalhes. Vem entender e proteger sua saúde!

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Substâncias tóxicas diferentes e MUITA nicotina

Vamos começar pela nicotina: um único pen drive de cigarro eletrônico tem o equivalente dessa substância a quase dois maços de cigarros convencionais. E é a nicotina que age no cérebro para causar dependência ao fumo. Ou seja, o vício vem a galope.

Isso coloca abaixo uma das maiores crenças de quem usa o cigarro eletrônico: a de que ele poderia agir como um auxiliar para abandonar o fumo. “Pelo contrário: o cigarro eletrônico é um dispositivo feito e desenhado para viciar as pessoas em nicotina”, afirma Jacques Tabacof, oncologista e hematologista do CPO (Centro Paulista de Oncologia) do Grupo Oncoclínicas. “Vínhamos vencendo a batalha contra o tabagismo, com campanhas mundiais que reduziram o consumo de tabaco. Mas o cigarro eletrônico causou uma reviravolta nisso”, continua.

Agora vamos à parte mais pesada: os prejuízos ao aparelho respiratório e o potencial cancerígeno. Nos cigarros comuns há centenas de substâncias químicas que causam doenças respiratórias e aumentam o risco de câncer de pulmão, sendo que a mais perigosa é o alcatrão. O cigarro eletrônico não tem a maioria dos elementos químicos convencionais nem alcatrão, mas isso está longe de significar que ele não apresente risco de câncer e de outros males.

Mauro Gomes, diretor da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, explica: “O líquido em que a nicotina é diluída nos cigarros eletrônicos, o propilenoglicol, é inofensivo em seu estado natural, mas, quando aquecido, se transforma em formaldeído, que é cancerígeno e associado ao câncer de pulmão.”

Além disso, ele conta que o líquido dos cigarros eletrônicos é carregado de metais pesados que causam doenças respiratórias como fibrose pulmonar e doença pulmonar obstrutiva crônica (conhecida como bronquite crônica e enfisema).

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De “light” e inofensivo o cigarro eletrônico não tem nada, saiba! A OMS (Organização Mundial da Saúde) indica o tabagismo, seja via cigarros convencionais ou eletrônicos, como responsável pela morte de cerca de sete milhões de pessoas por ano no mundo – é a maior causa evitável de morte.

Sabemos, é claro, que não é fácil abandonar o vício em qualquer tipo de cigarro. Então, se você ou alguém próximo estiver com vontade de ficar livre dos cigarros, mas estiver encontrando dificuldade, procure ajuda. A abordagem multidisciplinar com médicos pneumologistas e psiquiatras, entre outros, é importante para conseguir sucesso nessa batalha. O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece tratamento gratuito para quem quiser parar de fumar de forma segura.

Cigarro eletrônico já é problema de saúde pública nos EUA

Nos EUA, onde a comercialização é liberada, o cigarro eletrônico é considerado um problema de saúde pública. A FDA (Food and Drug Administration, agência que controla e supervisiona a segurança de alimentos, medicamentos, tabaco e produtos ligados à saúde humana e animal) entende o uso do dispositivo como uma epidemia, uma vez que se estima que 20% dos adolescentes do Ensino Médio o usem.

O CDC (Center of Diseases Control and Prevention), por sua vez, acaba de divulgar que está investigando uma nova doença pulmonar associada ao consumo de cigarro eletrônico. Pelo menos 94 pessoas, a maioria adolescentes e jovens adultos, já foram internadas em 14 estados com os mesmos sintomas: dificuldade para respirar, dor no peito, febre, tosse e vômito.

Os médicos ainda não conseguiram identificar se a doença é causada pelo líquido básico com nicotina ou pelas substâncias extras adicionadas para deixá-lo mais interessante (aromatizadores e saborizadores), mas os pacientes têm em comum o fato de serem usuários do cigarro eletrônico.

* Os sobrenomes foram abreviados a pedido das entrevistadas

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