Como planejar uma gestação saudável

Na gravidez, mãe e bebê são beneficiados com cuidados por meio do pré-natal, hábitos saudáveis e prevenção de doenças, como a coqueluche

É preciso estar atento com a saúde em todas as etapas da vida, mas, no período de gestação, esse cuidado deve ser ainda maior. É o que diz a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).¹ Trata-se de um momento de grandes transformações para a mulher. Afinal, durante esse período, o corpo vai se modificar lentamente, preparando-se para o parto e para a maternidade.²

Por ser um fenômeno fisiológico, na maioria dos casos, a gravidez passa por seu processo natural sem grandes complicações.² Mas, ainda assim, é fundamental o acompanhamento pré-natal, com a realização de todos os exames recomendados pelo médico.¹

Confira, a seguir, uma lista de cuidados a serem tomados durante a gestação.

Consultas regulares

O pré-natal deverá ser iniciado assim que a gravidez for descoberta. As gestantes precisam realizar consultas médicas regularmente: uma vez por mês até a 28ª semana de gravidez; a cada 15 dias entre a 28ª e a 36ª semana; e semanalmente do início da 36ª semana até o nascimento do bebê.¹

Nas visitas médicas, é recomendado que seja levada sempre a Caderneta de Gestante, que nada mais é do que um diário criado pelo Ministério da Saúde (MS), em parceria com as secretarias de saúde estaduais, municipais e do Distrito Federal, e distribuído gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).4

Nela, estão informações como os estágios da gravidez, o desenvolvimento do feto e os direitos da mulher antes e depois do parto, além de espaços para anotações da paciente e do médico e dicas para uma gestação saudável.³

Seja por meio da caderneta ou da forma que a família julgar melhor, é importante levar ao médico todas as dúvidas e histórico da gravidez.¹ Um pré-natal bem feito resultará em mais saúde para a mulher e para a criança.³

Mudanças no estilo de vida

É importante apostar em uma alimentação saudável, fazendo pelo menos três refeições por dia, e evitar ficar muitas horas sem comer. É recomendado também manter uma rotina, se alimentando sempre nos mesmos horários e incluindo a ingestão de água entre as refeições.⁴

O consumo de bebidas alcoólicas, mesmo que socialmente, deve ser banido durante a gravidez. Qualquer outro tipo de droga também não pode ser consumido e até mesmo medicamentos devem ser utilizados apenas sob orientação médica.¹

Existem medicamentos que são utilizados para minimizar desconfortos que podem surgir ao longo da gestação. Mas a automedicação é um risco à saúde materna e fetal, porque algumas substâncias são contraindicadas no período gestacional.² Em caso de dor ou febre, é preciso procurar um serviço de saúde.¹

Prevenção contra mosquitos

Os recentes casos de microcefalia (doença em que, por conta do desenvolvimento anormal do cérebro, a cabeça do bebê é significativamente menor do que o esperado) no Brasil reforçam ainda mais a importância dos cuidados para eliminação do mosquito transmissor de doenças.¹

O mosquito Aedes aegypti, que, além da dengue, transmite chikungunya e zika, se prolifera em lugares quentes e úmidos, preferencialmente depositados em lugares próximos à linha d’água, em recipientes como latas e garrafas vazias, pneus, calhas, caixas d’água descobertas, pratos sob vasos de plantas dentro ou nas proximidades das casas, apartamentos, hotéis ou em qualquer local com água limpa parada.⁵

Apesar de sua maior incidência ser no verão, a recomendação é que a população se informe, se conscientize e evite água parada em qualquer local em que ela possa se acumular, em qualquer época do ano.⁵

Além desses cuidados, outros meios de prevenção são a utilização de telas em janelas e portas, o uso de roupas compridas ou a aplicação recorrente de repelente nas áreas da pele expostas.¹

Calendário de vacinação

A vacina em mulheres grávidas é essencial para prevenir doenças para si e para o bebê. O calendário de vacinação para gestantes do Ministério da Saúde recomenda:

  • uma dose anual de vacina contra influenza;
  • três doses de vacina contra hepatite B, a depender da situação vacinal da gestante;
  • três doses da Dupla Adulto (dT), que previne contra difteria e tétano, dependendo da situação vacinal da gestante;
  • uma dose, a cada gestação, a partir da 20ª semana de gravidez da Tríplice Bacteriana Acelular do tipo Adulto (dTpa).⁶

Proteção contra a coqueluche

A coqueluche é uma doença infecciosa altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis, que compromete o aparelho respiratório humano. A enfermidade é transmitida facilmente de pessoa para pessoa, e bebês de até 6 meses de idade, que ainda não completaram o esquema primário de vacinação com DTP (contra difteria, tétano e coqueluche), são mais suscetíveis a ela.⁷

Justamente por serem mais vulneráveis, é nos pequenos que a doença evolui com mais gravidade, levando a complicações como pneumonia, convulsões e lesões cerebrais.⁸ Também nos bebês, o risco de morte é maior: segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2016 e 2017, todas as mortes ocorridas em razão de coqueluche se deram com menores de 1 ano e quase 90% dessas crianças tinham menos de 6 meses.⁹

É aí que entra a importância da imunização no período de gestação. Quando a mãe é vacinada, ela aumenta a produção de anticorpos e os passa para o bebê. Assim, ele estará protegido durante os primeiros meses de vida até que complete o seu esquema vacinal primário.¹⁰

Bons hábitos de higiene e a estratégia Cocoon (casulo, em inglês), que consiste em formar uma barreira protetora ao redor do bebê por meio da vacinação de pessoas próximas,

como pais, avós, irmãos e cuidadores, também são maneiras complementares e eficazes de evitar a doença.11,12,13

Referências:

  1. ANS. Orientações às gestantes. Disponível em: http://www.ans.gov.br/prevencao-e- combate/orientacoes-as-gestantes. Acesso em 24 out. 2019.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde de A a Z: Gravidez. Disponível em: http://saude.gov.br/saude-de-a-z/gravidez. Acesso em 24 out. 2019.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde da Mulher. Caderneta da Gestante. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-para-voce/saude-da-mulher/caderneta-da-gestante. Acesso em 24 out. 2019.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta da Gestante. 3ª edição. Brasília, DF. 2016. Disponível em: https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamento_Multiplicadores_Co ordenadores/Caderneta-Gest-Internet(1).pdf. Acesso em 24 out. 2019.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde de A a Z. Combate ao Aedes. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/combate-ao-aedes. Acesso em 25 out. 2019.
  6. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde de A a Z. Vacinação. Calendário de vacinação. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/vacinacao/calendario-vacinacao. Acesso em 25 out. 2019.
  7. BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim epidemiológico, 2015. Disponível em:http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2015/dezembro/08/2015-012—Coqueluche- 08.12.15.pdf. Acesso em 25 out. 2019.
  8. HONG JY. Update on pertussis and pertussis immunization. Korean J Pediatr 53(5):629- 633, 2010.
  9. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Informe Epidemiológico da Coqueluche, 2016 a 2017. Disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/dezembro/18/Informe-epidemiol– gico-da-Coqueluche.%20Brasil,%202016%20a%202017.pdf. Acesso em 25 out. 2019.
  10. GOVERNO DO ESTADO. Tire suas dúvidas sobre a vacinação contra a coqueluche. Disponível em: http://legado.brasil.gov.br/noticias/saude/2014/11/tire-suas-duvidas-sobre-a- vacinacao-contra-a-coqueluche. Acesso em 25 out. 2019.
  11. SOCIEDADE DE PEDIATRIA DE SÃO PAULO. Recomendações – Atualização de condutas em pediatria. 2013. Disponível em:http://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/Rec_64_Cuidados.pdf. Acesso em 25 out. 2019.
  12. WILEY KE et al. Sources of pertussis infection in young infants: A review of key evidence informing targeting of the cocoon strategy. Vaccine 31(4): 618-25, 2013. Acesso em 25 out. 2019.
  13. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Pertussis (Whooping Cough). Prevention. Acesso em 25 out. 2019.

      Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico.

      NP-BR-BOO-WCNT-190008 – NOVEMBRO/2019