Dicas para detectar as causas das dores

Aprenda a identificar uma dor crônica, aguda ou recorrente e descubra quando é a hora de procurar um médico para investigar o incômodo a fundo

Jamais apele para a automedicação!
Foto: Shutterstock

Se você está sentindo dor neste momento, saiba que não reclama sozinha: dados da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) indicam que cerca de 30% da população mundial se queixa de algum incômodo com frequência. Além de deixarem qualquer um mal-humorado, as dores (de cabeça, nas costas…) são as grandes responsáveis pela falta ao trabalho, aposentadoria precoce e queda da produtividade. Por esses e outros motivos, não podemos ignorá-las.

Mas, afinal, o que é a dor? Segundo o anestesista Onofre Alves Neto, professor da Universidade Federal de Goiás (GO), a medicina não tem uma definição clara. “Seguimos o conceito da Sociedade Internacional para o Estudo da Dor, que a considera uma experiência sensitiva e emocional associada a uma lesão real ou potencial ou à descrição desses danos”, diz. Na verdade, a dor é uma defesa do nosso corpo, pois mostra que algo não está funcionando como deveria.

Ao médico!

Embora provoque uma sensação desagradável, que afeta o físico e muitas vezes também o psicológico, a dor é necessária para manter a vida. Um exemplo? Se não a sentíssemos, poderíamos apoiar a mão numa chapa quente e queimá-la sem perceber. O desconforto faz com que afastemos a mão para nos proteger de algo ruim.

Apesar de sua importância, não é nada gostoso passar o dia com a barriga dolorida ou a semana toda com a coluna em frangalhos, certo? No entanto, pior do que não consultar um especialista é apelar para a automedicação. Esse é um erro grave que pode até intensificar o problema. “Tomar analgésicos de forma equivocada leva a efeitos colaterais e à ineficácia”, alerta o anestesiologista Maurício Nunes Nogueira, responsável pelo serviço de terapia da dor da área de anestesia do hospital Oswaldo Cruz (SP). “O remédio que funcionou para a sua amiga pode não fazer o mesmo efeito em você”, completa. Moral da história: só um profissional é capaz de diagnosticar a origem da sua dor e indicar o tratamento mais adequado para eliminá-la.

Sinal de alerta

O tratamento sempre deve ser ba-seado na causa da dor. Que fique bem claro: de nada adianta se encher de analgésicos na tentativa de acabar com o tormento. Quando esse tipo de remédio é ingerido de forma contínua, o sintoma do problema passa a se tornar uma doença. Um incômodo na parte de trás da perna, por exemplo, pode significar o indício de uma hérnia de disco e o especialista, após um exame físico e a avaliação de exames complementares, atesta o motivo. E atenção: estudos recentes da SBED revelam que a dor persegue mais as mulheres, principalmente a de cabeça, nas costas, muscular (o que inclui a fibromialgia) e pélvica (relacionada à endometriose). As causas estão ligadas a fatores genéticos, hormonais e também à sobrecarga de trabalho.

Identifique a sua

A médica Karine Leão, pesquisadora do centro multidisciplinar de dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), explica as diferenças entre os tipos de dor.

· Aguda
Surge após cirurgias, procedimentos diagnósticos ou terapêuticos (como a quimioterapia), traumas em geral, inflamações e infecções. “A dor aguda está ligada a uma lesão. Após a cura, ela desaparece”, explica Karine. Para o reumatologista Jamil Natour, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ela não deve ser negligenciada, para evitar o início de um mal crônico.

· Crônica
É a que continua mesmo depois do tratamento da lesão, ou pode ser consequência de certas doenças, como câncer, aids, diabetes. “É a que dura mais de três meses e ataca de forma contínua ou intermitente”, conta Karine. Ela atrapalha a rotina do doente e também a da família, pois está associada a muito sofrimento e até à depressão. “Além de a pessoa só se enxergar com a dor, ocorrem mudanças bioquímicas no cérebro dela, como a redução da serotonina, substância que garante o bem-estar”, acrescenta Jamil. O problema crônico é entendido como enfermidade e não como sintoma. Por isso, na maioria das vezes é preciso uma equipe multidisciplinar para tratá-lo.

· Recorrente
É o incômodo que dura pouco, mas aparece com frequência e pode acompanhar a pessoa a vida toda, sem, no entanto, ter um diagnóstico específico. Um exemplo? A enxaqueca.

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