Entenda melhor sobre o câncer infantil

No Brasil, a cada ano surgem cerca de 9 mil casos de tumores em crianças e adolescentes. A boa notícia é que a chance de cura chega aos 70%

O câncer infantil é considerado algo raro. Ele representa de 1% a 3% de todos os casos da doença. Ainda assim, é difícil aceitar que alguém tão frágil e que tenha vivido tão pouco tempo receba esse diagnóstico. A prevenção não existe, já que diferentemente do que ocorre com muitos adultos, nas crianças os tumores não estão relacionados a hábitos pouco saudáveis, como sedentarismo ou cigarro. E por isso mesmo o diagnóstico precoce é fundamental. Quanto mais cedo a doença for descoberta, maiores as chances de cura. Falando nisso, hoje 70% dessas crianças e adolescentes conseguem ficar bons. Perder o medo do câncer e iniciar o tratamento o mais rápido possível já é um bom começo para assegurar uma vida longa e saudável aos pequeninos que enfrentam essa batalha.

Por que criança tem câncer?

Segundo Cecília Lima da Costa, diretora de oncologia pediátrica do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, em algumas situações os casos têm relação com uma predisposição genética, mas a causa da maioria dos tumores pediátricos ainda é desconhecida.

Os tipos mais comuns

A leucemia representa 30% dos casos, seguida pelos tumores no sistema nervoso central, linfomas (tórax e abdome), neuroblastomas (abdome, tórax e pescoço), tumores renais, sarcomas (músculos, tecido adiposo e articulações), tumores ósseos e retinoblastoma (olhos).

De olho nos sintomas

O diagnóstico não é fácil por causa da falta de sintomas específicos. Eles se confundem com grande parte das doenças infantis. Mas vale a pena ficar atenta a sinais que não desaparecem, como:

  • Nódulos ou caroços.
  • Palidez e falta de energia inexplicáveis.
  • Hematomas sem motivo.
  • Sangramentos frequentes (por nariz, ânus, vias urinárias).
  • Dor localizada persistente.
  • Mancar sem razão aparente.
  • Febre sem explicação.
  • Aumento de volume abdominal.
  • Dor abdominal prolongada.
  • Dores de cabeça frequentes, muitas vezes acompanhadas por vômitos.
  • Mudanças nos olhos ou na visão.
  • Perda de peso rápida e excessiva.
  • Puberdade precoce.

Muitos pais percebem sinais suspeitos no filho, mas adiam a visita ao médico por medo de receber o temido diagnóstico de câncer. No entanto, descobrir logo o problema pode ser o que fará diferença nas chances de cura da criança. Levar as crianças sempre ao mesmo pediatra é importante, porque ele terá informações suficientes para desconfiar se algo não vai bem

Dá para prevenir?

Não. “O que se pode fazer é diagnosticar na fase inicial, antes que se espalhe pelo corpo. O câncer infantil avança rapidamente, por isso descobrir cedo é fundamental”, diz Cecília.

Como é feito o tratamento?

Com cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, depende do caso. “O câncer infantil costuma responder bem à químio, mas não é um tratamento fácil. A maior parte é feita no ambulatório, a criança não fica internada. Tentamos humanizar tudo e distraí-las com brincadeiras”, conta a médica.

O mais difícil: contar para eles

 “O ideal é adequar a linguagem para que ele entenda, mas a sinceridade e a honestidade são fundamentais, pois criam um vínculo de confiança vital até para a resposta ao tratamento. Se os pais dizem que não querem contar, nós os convencemos “, afirma Cecília. Na maioria dos casos, é a equipe quem conta na presença dos pais. Quando eles são muito pequenos, tudo é revelado de forma lúdica, através de desenhos, fotos e bonecos.

Livros para ajudar no processo

  • Se Eu Não Me Chamasse Raimundo, Editora Globinho, R$ 36*

Raimundo tem 12 anos e não gosta do seu nome. Além disso, enfrenta um câncer. Nessa batalha, ele tem aliados importantes, como os pais, a enfermeira e, claro, sua imaginação.

  • Planeta dos Carecas, Editora Alvorada, R$ 60*

No Planeta Zion as pessoas não têm cabelos. Todos são felizes assim, de cabeça pelada e lisinha. O livro é uma reflexão sobre o valor dos sentimentos positivos na superação de problemas.

 

*Preços pesquisados em fevereiro/2015