Jejum intermitente: 9 perguntas e respostas sobre a dieta

Há muitas dúvidas sobre os benefícios e riscos dessa prática que alterna jejum e alimentação equilibrada. Confira as orientações dos profissionais.

A dieta não é novidade, mas segundo dados de pesquisa do Google Trends, há pelo menos dois anos, vem aumentando (e muito!) a busca por informações sobre o jejum intermitente. Os relatos de quem fez e emagreceu são animadores, mas é preciso tomar alguns cuidados e se informar antes de se empolgar e sair por aí procurando a receita.

 

Afinal, o que é o jejum intermitente?

A diferença mais óbvia entre essa e outras dietas de emagrecimento é a frequência da alimentação. Com o jejum intermitente você precisa alternar uma alimentação equilibrada com um período de boca completamente fechada – aí não vale nem uma amêndoa, nada mesmo!

Mas nem tudo é tão radical quanto parece. Uma das estratégias permite a alimentação por 8 horas seguidas e, depois, jejum de 16 horas. Só que esse período de restrição completa pode ser programado para o fim da tarde, pegando boa parte do período em que você estará dormindo.

 

Quais são os tipos de jejum mais praticados?

O método 16 por 8: são 16 horas de jejum e 8 horas de alimentação (mas com dieta balanceada, claro). Se você jantou às 18h, poderá se alimentar novamente às 10h.

O método de jejum completo: não comer nada durante um dia inteirinho, 24 horas! A prática pode ser repetida até duas vezes na semana. Nos demais dias, a dieta deve ser equilibrada.

O método 5 por 2: durante dois dias da semana (não podem ser consecutivos), você pode comer no máximo 600 calorias por dia. Nos demais, alimentação normal, mas equilibrada.

 

 

Posso tomar líquidos durante o jejum?

“Sim, mas somente água, chá e café sem açúcar! ”, orienta a nutricionista do HCor, Maria Fernanda Vischi D´Ottavio. E há ressalvas: abuse apenas de água, pois chá e café possuem cafeína que, em excesso, pode trazer problemas.

 

Durante quanto tempo posso fazer o jejum intermitente?

“Desde que funcione bem para o seu organismo, pode se tornar uma prática constante. O importante é educar o organismo, seguindo a mesma programação”, afirma Maria Fernanda.

 

Quais são os benefícios?

O principal é a redução de peso. “Claro que isso traz como consequência a melhora na parte metabólica e uma coisa puxa a outra”, diz a nutricionista do HCor. Além disso, a endocrinologista Suzana Vieira reforça que, quando feito corretamente e com acompanhamento médico, o jejum intermitente pode prevenir algumas doenças. “A restrição calórica, seja do jejum ou de qualquer outra dieta, acompanhada da adequada ingestão de nutrientes pode levar a adaptações metabólicas, reduzindo o risco de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão, doença cardiovascular e cânceres”, exemplifica.

 

Quais são os riscos e efeitos colaterais?

“A maior dificuldade é conseguir adequar essa dieta nutricionalmente. São muito curtos os espaços de refeições para conseguir fazer um balanceamento perfeito dos nutrientes”, avisa a nutricionista do HCor. A falta de nutrientes pode gerar queda de cabelo, desidratação, enfraquecimento de unhas, entre outros problemas. Além disso, atenção para não cair na compensação: “Ficar um longo período sem comer não significa que, em seguida, você possa comer mais do que precisa”.

E atenção: principalmente no início, você pode sentir fraqueza, dor de cabeça e tontura, mas são sintomas que vão passando conforme seu organismo for se acostumando com a dieta.

 

Quem faz o jejum pode fazer exercícios físicos?

“Teoricamente sim, já que o corpo tem reservas energéticas, mas eu não recomendo. No início o paciente pode ter muita fraqueza, passar mal e até desmaiar”, explica Maria Fernanda. A endocrinologista Suzana Vieira concorda e acrescenta que pode haver piora da performance durante os exercícios. “A decisão de se exercitar em jejum deve ser discutida com seu médico”, reforça.

 

 

Quem não pode fazer de jeito nenhum?

Segundo Suzana, não devem fazer o jejum intermitente grávidas e mulheres que amamentam (pois é preciso passar muitos nutrientes para os bebês), diabéticos (nem pensem nisso! O jejum pode ocasionar picos de hipoglicemia), idosos, crianças, quem usa medicação controlada e quem tem algum tipo de transtorno alimentar.

 

É obrigatório procurar orientação médica?

SIM, porque nem todo organismo responde de forma positiva. “Primeiramente é necessário ver como está a sua saúde e se essa dieta é adequada. Em alguns casos, é preciso suplementar com polivitamínicos”, afirma Maria Fernanda.

E Suzana finaliza: “Se o jejum for indicado, não deixe de fazer um acompanhamento com um profissional de nutrição para verificar se a quantidade de micronutrientes necessários está sendo alcançada”.