Osteoporose pode atingir 33% das mulheres e virar epidemia até 2050. Saiba por que

Pesquisa feita pela IOF (Internacional Osteoporosis Foundation) revelou que nos próximos 38 anos os casos de mulheres brasileiras com a doença da osteoporose pode se tornar caso de saúde pública.

Osteoporose pode atingir 33% das mulheres e virar epidemia até 2050. Saiba por que

No Brasil, a osteoporose é reconhecida como um problema de saúde importante
Foto: Getty Images

Ao menos uma em cada cinco mulheres acima dos 50 anos tem osteoporose hoje no Brasil e 3 milhões sofrem com fraturas vertebrais decorrentes da doença, aponta pesquisa realizada em 14 países da América Latina e divulgada na quinta-feira (24), pelo IOF (Internacional Osteoporosis Foundation), maior organização não governamental do mundo dedicada à osteoporose. O número é preocupante e, segundo um mapeamento feito pelos médicos da fundação, deve aumentar cerca de 14% até 2050 devido ao aumento da expectativa de vida dos brasileiros. Outros fatores divulgados pela IOF que farão o número de mulher com osteoporose aumentar estão relacionados aos hábitos de vida como alimentação.

A osteoporose é uma doença crônica que costuma aparecer com a idade e atinge principalmente mulheres com mais de 50 anos no período pós-menopausa, quando os níveis de estrógeno (hormônio sexual que faz os ossos permanecerem fortes) diminuem. A doença enfraquece a massa óssea do nosso corpo e nos deixa frágeis e suscetíveis a fraturas, principalmente no pulso, quadril e vértebras.  Frequentemente a doença se desenvolve de forma silenciosa durante vários anos, sem sintomas ou dor e apesar de ser tratável a osteoporose exige da paciente uma combinação de mudanças no estilo de vida para que não haja quebra de ossos e debilitação física. Saiba por que as mulheres brasileiras estão prestes a passar por uma epidemia de “ossos fracos”.
 
Aumento da expectativa de vida
Segundo o IBGE, hoje a expectativa de vida das mulheres brasileiras é de 71 anos e até 2050 esse número pode chegar a 81 anos. Ou seja, com mais mulheres idosas evidentemente o número de casos de osteoporose também vai aumentar, já que a doença se manifesta principalmente a partir dos 50 anos de idade.
 

Teremos mais idosos
De acordo com o Censo de 2010 a população brasileira com mais de 60 anos de idade representava 20 milhões de pessoas, três vezes a mais do que 30 anos atrás, em 1982. Isso indica que os idosos estão vivendo cada vez mês e crianças estão nascendo cada vez menos, invertendo a pirâmide etária.
 
Urbanização
Segundo o levantamento da IOF, a urbanização será um fator decisivo para o aumento da osteoporose. Estilo de vida, alimentação, e saúde nas grandes cidades estão relacionadas ao aparecimento da doença.

Estilo de vida: Pode parecer um pouco um pouco estranho, mas quem vive no campo tem menos chances de desenvolver a osteoporose do que quem vive nos grandes centros urbanos, segundo o médico da IOF e presidente da Associação Brasileira de Avaliação as Saúde Óssea, Dr. Bruno Muzzi. Isso acontece porque tomar sol e praticar exercícios físicos de impacto (corrida, caminhada, bicicleta) são fundamentais para saúde dos nossos ossos. Quem vive no campo está habituado passar mais tempo ao ar livre e também praticar atividades que demandam mais esforço muscular, já quem vive nas grandes cidades costuma ter uma vida mais sedentária, passar mais tempo dentro de escritórios e dentro de casa, praticar atividades físicas em lugares fechados como academias. Tomar sol é fundamental para o corpo produzir vitamina D. Por meio dos raios do tipo ultravioleta B nosso organismo produz essa vitamina que melhora a absorção do cálcio, fortalecendo os ossos.

Alimentação: Segundo a IOF, a alimentação também é um fator determinante para o aumento dos casos de fratura por osteoporose. Comidas pré-prontas, refrigerantes e os  “fast-foods” tão recorrentes no nosso dia-a-dia contém muito sódio e fósforo, grandes vilões para os ossos – nosso corpo eliminam seus excessos junto o cálcio, componente essencial para garantir força aos ossos.  

Saúde: Casos de problemas respiratórios e alérgicos são bem mais comuns nas grandes cidades, segundo a ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia). Para tratar esses problemas geralmente os pacientes utilizam medicamentos a base de cortisona e corticosteroides, uma classe de esteroides que também é eliminada do nosso corpo junto com cálcio, além de interferir na produção do estrógeno. Outro fator diretamente ligado a saúde é a obesidade; cirurgias de redução do estômago feitas para emagrecimento alteram a absorção de nutrientes e componentes pelo intestino, também contribuindo para o enfraquecimento dos ossos.